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Cinco manequins, em poses diferentes, estão expostos em uma sala com cartaz ao fundo com um texto e um tapete com imagem dos trilhos de um trem no chão.
Foto: Divulgação PBH

Ferrovias mineiras inspiram roupas sustentáveis em exposição no Museu da Moda

20/11/2019 | 18:56 | atualizado em 20/11/2019 | 18:56

A Fundação Municipal de Cultura recebe no Museu da Moda, até 1º de dezembro, a exposição “Uma linha para contar história”, com a mostra sustentável desenvolvida pela estilista mineira Vanuza Bárbara. Composta por 33 looks e seis bolsas, ela tem como tema um personagem muito presente na vida dos mineiros: o trem.

 

O enredo da exposição evoca visitantes a uma viagem interior com questionamentos e reflexões atuais sobre a vida. A entrada é gratuita e a visitação pode ser feita de terça a sexta, das 9h às 21h; sábados e domingos das 10h às 14h. O museu fica na rua da Bahia, 1.149, Centro.

 

Natural de Ipatinga, a artista visual Vanuza Bárbara tem como assinatura um estilo atemporal e uma forma de produção com vistas a um menor impacto ambiental e inclusão social de mulheres de baixa renda. Hoje sua terra natal tem o segundo maior polo de produção de uniformes do Brasil. E foi nestas fábricas que a estilista viu potencial de reaproveitamento para suas produções.

 

Uma parceria que garante a captação de matéria prima base para seu trabalho: os retalhos. O conceito atual, que segue na contramão do consumismo, fez com que surgisse o convite do museu à artista para a exposição no espaço.

 

A mostra ocupa 150 m², com ambientes que contam histórias e transportam os visitantes a uma viagem de trem. Uma das atrações é um túnel, com dimensões de 8 metros de comprimento, 6 metros de largura e 2,80 metros de altura. Ao fim, um manequim com uma saia feita de mais de 11 metros de tecido é um convite para que os visitantes possam ali deixar bordado um pouco da sua história.

 

Ao lado do manequim, uma infinidade de linhas de todas as cores, tesouras e agulhas convidam o público a participar da imersão no mundo da moda. Além disso, as fotos na estação ferroviária de BH também enfeitam a galeria. A exposição conta com recursos da Lei de Incentivo à Cultura do Estado de Minas Gerais e patrocínio da Provest Uniformes, Produtos Plinc e Fraldas Carinho.

 

 

Sustentabilidade

Além de ser mais seguro, o transporte ferroviário apresenta um baixo impacto ambiental quando comparado ao transporte rodoviário. Este fato é importante para a reflexão da artista, que tem à frente de seu conceito fashion a moda consciente. Na prática, ela produz suas peças com foco socioambiental e reutiliza tecidos que as indústrias destinariam ao lixo.

 

Ela também busca na natureza a extração de pigmentos para a tinturaria dos tecidos, e consegue essas colorações a partir de flores, café, feijão, folhas, temperos, entre outras fontes disponíveis no cotidiano. Todas as peças da exposição foram feitas com tecidos de refugo industrial, sendo produzidas com 100% de reaproveitamento. Centenas de quilos de retalhos foram transformados em peças únicas.

 

A produção das peças da mostra foi feita em parceria com costureiras e as modistas locais, contribuindo para a independência financeira destas mulheres. Entre as participantes da equipe estão o Grupo de Bordadeiras Fazendo Arte, com 30 mulheres habilidosas que bordam cada peça à mão, e uma imigrante venezuelana que veio para o Brasil com a família em busca de melhores condições de vida.

 

Mais de 100 pessoas trabalharam de forma direta ou indireta para a realização da exposição, entre estilista, produtora cultural, diretor de arte, iluminação, fotógrafos, modelo, marceneiros, serralheiro, costureiras, modelistas, bordadeiras, pintor, jornalistas e historiadores. 

 

 

Conceito

A estilista elabora um passeio pela exposição que se divide em 3 momentos, fazendo um paralelo entre a vida e as etapas de uma viagem de trem. Primeiramente, “o embarque” é apresentado como um ambiente de expectativas e apreciação estética de formas e traços. Nesta etapa, as peças contam com cores mais frias. O cinza e o jeans, com bordados e pinturas que remetem às arquiteturas das estações ferroviárias dão o tom na primeira parte da mostra.

 

Em um segundo momento, “o túnel”, marcado por sua ausência de luz, fecha a perspectiva do que vem pela frente representando as depressões provocadas pelas dificuldades da vida. Dúvidas, dores, medo e insegurança são representadas em roupas com tons de azul marinho e cortes assimétricos nas barras e mangas. Nesta etapa, a estilista busca revelar que muitas vezes é preciso abrir mão de alguns hábitos, pensamentos e comportamentos para superar estas dificuldades e encontrar a famosa luz do túnel, que nos conduz ao rumo que devemos seguir.

 

O último momento que compõe a exposição é “a chegada ao destino” representando que com força e determinação é possível superar as dificuldades e alcançar objetivos. A ideia é traduzida na suavidade e energia das cores, em tecidos fluidos, e alude aos que se permitem a flexibilidade para seguir mais felizes, com capacidade de ver a vida com mais cores e alegria.

 

 

Serviço

Uma linha para contar história | Vanuza Bárbara
Até 1º de dezembro | De terça a sexta, das 9h às 21h; sábados e domingos das 10h às 14h

Local: Museu da Moda - Rua da Bahia, 1.149, Centro

ENTRADA GRATUITA

Informações para o público: 3277-9248