20 October 2026 -
Salada de frutas, ovos mexidos, sopas e caldos, além de clássicos como feijoada, galinhada e estrogonofe, ganharam mais espaço nos cardápios das escolas municipais de Belo Horizonte. A mudança é fruto de uma iniciativa que valoriza a escuta e a participação de alunos e funcionários da rede.
O projeto Nossa Voz no Prato, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (SMSAN), com o apoio da Secretaria Municipal de Educação (Smed), promoveu o diálogo com estudantes, familiares e profissionais da Educação sobre a alimentação oferecida nas escolas. A iniciativa abriu espaço para conhecer preferências, compartilhar experiências e reunir contribuições para o aprimoramento dos cardápios escolares.
Neste 21 de outubro (quarta-feira), data em que é celebrado o Dia Nacional da Alimentação nas Escolas, o Nossa Voz no Prato mostra como a participação da comunidade escolar pode contribuir para o aprimoramento da alimentação oferecida nas unidades de ensino.
A iniciativa mobilizou a comunidade escolar de 118 unidades de ensino, com a participação de estudantes, pais e responsáveis, professores, cantineiras, nutricionistas e demais profissionais. O objetivo foi aproximar os cardápios das preferências dos estudantes, sem abrir mão da oferta de refeições saudáveis e adequadas às necessidades nutricionais de cada faixa etária e das diretrizes dos programas Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e Municipal de Alimentação Escolar (Pmae).
Entre as preparações mais votadas na educação Infantil, a canjiquinha liderou a preferência, com 98,3% dos votos, seguida por sopas e caldos (96,6%), ovos mexidos (77,6%), salada de frutas (55,2%) e feijão enriquecido (51,7%).
No ensino fundamental, os ovos mexidos ficaram em primeiro lugar, com 82,8% dos votos. Na sequência aparecem salada de frutas (63,8%), canjiquinha (60,3%), feijão enriquecido (50%) e polenta com carne moída (36,2%).
O levantamento também identificou preparações com menor aceitação entre os estudantes. Com base nos resultados, itens como leite saborizado, ovos cozidos com molho, mingau de fubá e aveia, vitaminas e cremosinho foram adaptados ou substituídos nos cardápios.
Para a equipe da SMSAN, a escuta da comunidade escolar é fundamental para aproximar os cardápios da realidade e das preferências dos estudantes. Esse diálogo, no entanto, precisa estar aliado ao conhecimento técnico para garantir refeições saudáveis, equilibradas, variadas e adequadas. Com o encontro entre a escuta e a nutrição é possível inovar nas preparações sem perder de vista o compromisso com a saúde e o desenvolvimento dos estudantes.
“O Nossa Voz no Prato confirma que a participação da comunidade escolar é uma aliada estratégica para o aprimoramento contínuo do Pmae, fortalecendo o sentimento de pertencimento. Mais do que oferecer refeições, queremos promover experiências alimentares que nutram, acolham e contribuam para a formação de hábitos saudáveis ao longo da vida”, destaca Adilana Rocha, diretora de Assistência Alimentar da SMSAN.
Participação ativa
De acordo com a gerente de Articulação com a Segurança Alimentar da Smed, Elaine Salles, a participação da comunidade vai além da votação para a escolha dos pratos preferidos do cardápio. Demonstra que as famílias reconhecem a qualidade da alimentação fornecida e reforçam esse sentimento ao participarem, na própria escola, de espaços de diálogo que fortalecem a execução do Pmae.
A experiência também foi bem recebida pelas instituições de ensino. Na Escola Municipal Fernando Dias Costa, localizada no Conjunto Taquaril, a vice-diretora Maria de Lourdes Alves ressalta a importância da alimentação oferecida aos estudantes, especialmente em comunidades onde algumas famílias enfrentam dificuldades para garantir o acesso regular aos alimentos.
Segundo ela, nas reuniões escolares, as famílias demonstram satisfação com as refeições servidas e os estudantes têm preferências bem definidas. Entre os pratos mais apreciados na unidade estão estrogonofe de frango, coxa e sobrecoxa assadas, feijão tropeiro e macarrão ao alho e óleo.
Maria de Lourdes explica que a escola segue o cardápio elaborado pelos nutricionistas da SMSAN, enquanto as cantineiras contribuem para a qualidade das refeições com experiência e criatividade no preparo da merenda.
“O que faz a diferença em nossa escola é a competência das nossas cantineiras, que utilizam a criatividade e a experiência para preparar pratos cheios de sabor, sempre respeitando o cardápio estabelecido e utilizando os ingredientes previstos para cada dia, garantindo uma alimentação adequada e nutritiva aos nossos alunos”, afirma Maria de Lourdes.
Na Escola Municipal Sebastião Guilherme de Oliveira, no Olaria, região do Barreiro, a participação no Nossa Voz no Prato também trouxe resultados concretos. De acordo com a vice-diretora Eriele Waline Ramos, o pão à bolonhesa, uma das preparações sugeridas, passou a integrar a alimentação escolar e conquistou os estudantes.
“As crianças gostam muito. Nos dias em que o prato é servido, a participação é muito grande. Os alunos vão à cantina com entusiasmo e aproveitam esse momento com muita satisfação”, conta. Ela também destaca a delícia tropical de frutas, sobremesa refrescante servida nos dias mais quentes.
Para Eriele, a iniciativa tem um significado que vai além da mudança dos cardápios. Ao participar das escolhas, os estudantes percebem que suas opiniões são consideradas e passam a se sentir parte das decisões da escola. “Quando a criança percebe que sua opinião é considerada e que sua escolha se torna realidade, ela desenvolve um sentimento maior de pertencimento e participação na comunidade escolar. Além disso, o projeto proporciona aos alunos a oportunidade de experimentar preparações saborosas, escolhidas por eles mesmos, que muitas vezes não fazem parte de sua alimentação cotidiana ou às quais nem todos têm acesso em casa”.
Alimentação escolar como política pública
O Programa Municipal de Alimentação Escolar (Pmae), instituído pela Lei Municipal nº 11.198/2019 e regulamentado pelo Decreto nº 19.239/2025, segue as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e atende estudantes da educação infantil, do ensino fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), matriculados nas escolas municipais e parceiras de Belo Horizonte. São oferecidas de uma a cinco refeições por dia letivo, conforme a etapa de ensino e o tempo de permanência na escola.
Os cardápios são elaborados por nutricionistas da SMSAN, com prioridade para a oferta de alimentos in natura ou minimamente processados. A elaboração considera as necessidades nutricionais de cada faixa etária, os hábitos e a cultura alimentar, bem como os princípios da sustentabilidade, da sazonalidade e da promoção da alimentação saudável e adequada, em conformidade com as diretrizes estabelecidas na Resolução nº 4, de 26 de fevereiro de 2026, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Além disso, os cardápios são adaptados para atender aos estudantes com necessidades alimentares especiais, como aqueles com diabetes, doença celíaca, alergias e intolerâncias alimentares.
O Pnae estabelece a destinação de no mínimo 45% dos recursos financeiros repassados pelo governo federal para a aquisição de alimentos oriundos da agricultura familiar. Essa diretriz fortalece a integração entre as políticas públicas de alimentação e nutrição, segurança alimentar e nutricional e desenvolvimento sustentável, reconhecendo o papel estratégico dos agricultores e agricultoras familiares no abastecimento alimentar e na oferta de alimentos de qualidade para os estudantes da rede pública de ensino.
O acompanhamento da execução do programa é feito por uma equipe de supervisoras de alimentação que visita regularmente as unidades escolares para monitorar o cumprimento dos cardápios e orientar as equipes quanto às boas práticas de manipulação dos alimentos, contribuindo para a oferta de refeições seguras, adequadas e de qualidade.
