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Encontro propõe uso de tecnologia para envolver estudantes no combate à dengue

25/02/2019 | 19:22 | atualizado em 24/05/2019 | 14:54

Transformar informação em ação. Com o objetivo de construir propostas de ações intersetoriais para o controle do mosquito transmissor da dengue na região da Pampulha, a Prefeitura de Belo Horizonte realizou, no dia 19 de fevereiro, o 2º Encontro Intersetorial de Combate ao Aedes aegypti. O encontro teve a participação de cerca de 80 pessoas, entre diretores e diretoras de escolas municipais de ensino fundamental, da educação infantil e da rede parceira, além dos gerentes de centros de saúde e das equipes técnicas das diretorias de Saúde, Educação e Fiscalização na Pampulha.

A ideia de envolver todas as diretorias regionais, promovendo ações intersetoriais, foi em razão de a região da Pampulha ter alcançado altos índices no LIRAa (Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes), que é uma metodologia adotada pelo Ministério da Saúde para avaliação dos índices de infestação do mosquito nas residências. O 1º encontro foi realizado em novembro de 2018.

A Coordenadora de Atendimento Regional Pampulha, Neusa Fonseca, ressaltou a importância do trabalho conjunto para envolver da população na luta contra a dengue. “Precisamos implementar ações articuladas, intersetoriais e de responsabilização para o combate efetivo ao mosquito. Nosso compromisso é fomentar a construção dessas ações a fim de obter resultados mais eficazes”, disse.

 

Alerta para todos

 

O trabalho intersetorial tem diversas consequências positivas, como o fortalecimento dos laços entre os profissionais da saúde e da educação; a contextualização das condições dos territórios onde as escolas estão inseridas; a intensificação das ações nas escolas localizadas em áreas de maior risco de transmissão das arboviroses e o estímulo ao maior envolvimento da comunidade escolar nas ações de controle e prevenção.

De acordo com a diretora Regional de Saúde Pampulha, Elisane Santos, a intersetorialidade só se efetiva na prática se cada setor olhar para o problema e atuar sobre ele, dentro da sua área.

Os participantes foram informados sobre os números recentes da dengue na cidade e, especificamente, na região da Pampulha, em apresentação do gerente de Controle de Zoonoses na Pampulha, Antônio Willie de Paula. A seguir, a referência técnica da Gerência de Assistência, Epidemiologia e Regulação na Pampulha, Shirley Tronbin, falou sobre os dados epidemiológicos da dengue.

Pesquisas apontam que 83% dos focos do mosquito estão nas casas. Na Pampulha, os criadouros predominantes são os pratos de plantas, as redes pluviais e os materiais inservíveis como copos descartáveis, vasilhas, latas e semelhantes esquecidos nos quintais. “Para o controle eficaz do mosquito, temos que ter maior cuidado e atenção durante todo o ano e não somente após o período chuvoso, quando o mosquito encontra o ambiente propício para reprodução. Por isso, a conscientização da população tem que ser trabalhada todos os dias para provocar a mudança de hábitos”, afirmou o gerente.

A diretora regional de Fiscalização Pampulha, Rovena Nacif, abordou o tema das deposições clandestinas, muito comuns em alguns pontos da região, relatando resultados positivos das ações fiscais. “A deposição irregular traz alto custo para o Poder Público, mas não adianta só multar. O que nós queremos é mudar a consciência da população, o que é um grande desafio para nós. Precisamos construir um pensamento crítico dentro das escolas. Educação é a base de tudo. Sem educação não há gestão urbana”, alertou.

 

Propostas de ações pedagógicas

 

Para envolver ainda mais os estudantes nas ações, a diretora regional de Educação Pampulha, Alessandra Teixeira, apresentou três propostas principais que deverão ser discutidas internamente com a coordenação pedagógica de cada escola e implementadas posteriormente. A proposta principal prevê que os estudantes criem pequenos vídeos utilizando seus celulares, mostrando, em suas casas ou vizinhança, ações positivas que impedem a proliferação do mosquito. Depois de editados, esses vídeos serão exibidos nas salas de espera dos centros de saúde de referência. “É fundamental que os estudantes sejam os protagonistas na criação destes vídeos e se sintam envolvidos nessas ações”, afirmou a diretora.

O trabalho é amplo e pretende alcançar também as famílias dos estudantes. “As novas gerações estão mais conscientes na questão ambiental. Mas, muitas vezes, há um choque de gerações quando o estudante quer colocar em prática em casa o que tem aprendido na escola. Por isso, uma das nossas frentes de trabalho será conversar com os pais, aproveitando as reuniões de pais para um momento educativo”, explicou.

Outra proposta está voltada para tratar a questão do lixo no pátio da escola após o recreio. “Temos que aproveitar para que todos os momentos sejam educativos. A educação tem o poder de promover a transformação social”, assinalou.

A diretora da Escola Municipal de Educação Infantil Manacás, Claudine Aparecida de Oliveira, salientou a importância do encontro. “A gente se instrumentaliza. Conhecendo a região, vamos, juntamente com a coordenação pedagógica, pensar em ações para desenvolver de acordo com a nossa realidade”, disse.

“Nossa região é muito acometida pela dengue. A escola já tem ações pedagógicas voltadas para a conscientização e hoje tivemos uma atualização, com dicas e sugestões. Somos todos educadores e poderemos ajudar não só as nossas crianças, mas a comunidade do entorno também”, avaliou a diretora da Escola Municipal de Educação Infantil Sarandi, Hellen Albuquerque.

Para a diretora regional, as propostas vão incentivar a criatividade dos estudantes. “O gestor público deve ser incansável em seu trabalho. Por meio de uma nova metodologia, queremos envolver nosso público, no caso, os estudantes, para que consigamos resultados melhores no combate ao mosquito, evitando assim, uma epidemia” considerou.