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Doula voluntária com as mãos na barriga de uma gestante
Foto: Micheline Souza/PBH

Doulas contribuem para a humanização dos partos nas maternidades públicas de BH

01/11/2018 | 15:52 | atualizado em 06/11/2018 | 10:01

Oferecer conforto, encorajamento, tranquilidade, suporte físico e emocional em um dos momentos mais transformadores da vida de uma mulher. Esses são alguns dos papéis assumidos por Flávia Motta quando ela deixa a sala da Filarmônica de Minas Gerais para assumir o plantão como doula, na maternidade do Hospital das Clínicas. Há 3 meses, a musicista integra a equipe de 12 voluntárias que ajudam inúmeras mulheres a darem à luz. A vontade de ajudar ao próximo sempre existiu, mas foi depois de ser acompanhada por uma doula, em sua segunda gravidez, que Flávia decidiu se voluntariar. “Foi uma experiência incrível, eu me apaixonei pelo parto. Hoje, eu brinco que ganho mais com esse trabalho do que com a música. Recebo abraço, carinho e vejo a felicidade e a realização nos olhos das mulheres. Não tem nada que pague isso”, revelou.

 

A expressão doula vem do grego e significa “mulher que serve”. Desde 2016, uma lei municipal garante a permanência delas nas maternidades públicas e privadas de Belo Horizonte. A exigência já mostra bons resultados. A participação das doulas na busca pela melhor posição para a parturiente, nos alongamentos, massagens e no encorajamento à gestante, é apontada como uma das contribuições para o aumento do número de partos normais na rede SUS-BH. Em 2017, 71,16% dos partos realizados nos hospitais públicos do município foram normais. “Ao longo dos anos, observamos bons resultados com a atuação das doulas nas maternidades. Esse apoio psicossocial, além de humanizar um dos momentos mais importantes da vida da mulher, é uma ferramenta para a melhoria da qualidade na assistência obstétrica reduzindo as intervenções desnecessárias no processo fisiológico do parto”, afirmou Virgínia dos Santos, coordenadora Perinatal da Secretaria Municipal da Saúde (SMSA).

 

Nos últimos 4 anos, a terapeuta ayurvédica, Micheline Souza, já ajudou a trazer ao mundo mais de 100 bebês. Todas as quartas-feiras, o compromisso dela é com as gestantes da maternidade do Hospital das Clínicas. A doula se emociona ao falar do trabalho. “É uma honra você poder participar deste momento da chegada de uma nova vida. Como eu não tenho filhos, me realizo a cada doulagem. Sou como uma guardiã do parto”, contou.

 

O segundo filho de Daniela Marx nasceu com a ajuda de Micheline. Foram mais de 10 horas de trabalho de parto com palavras de encorajamento e apoio. Daniela se surpreendeu ao conhecer o trabalho da doula, que acreditava estar restrito à rede privada. “Foi um anjo que apareceu no momento certo e me deu a força que eu precisava. Eu me senti muito amparada. Foi uma bênção dividir o meu trabalho de parto com a Micheline”, disse.

 

Atualmente, 49 doulas prestam seus serviços voluntariamente nas sete maternidades da rede SUS-BH: Hospital das Clínicas/UFMG, Santa Casa, Maternidade Odete Valadares, Maternidade Sofia Feldman, Hospital Metropolitano Odilon Behrens, Hospital Júlia Kubitschek e Hospital Risoleta Tolentino Neves. Em algumas, como Sofia Feldman, as doulas estão presentes em todos os plantões obstétricos. Já no Odilon Behrens, em 29% das escalas. “Isso mostra a importância da assistência qualificada ao parto. Já caminhamos muito, mas ainda temos grandes desafios, como, por exemplo, ampliar o número de doulas nos plantões de nossas maternidades”, afirmou Taciana Malheiros, secretaria adjunta municipal de saúde.


 

Capacitação

Em busca de enfrentar esse desafio, a Secretaria Municipal de Saúde incentiva e oferece cursos para a formação de novas profissionais. No mês de outubro, a SMSA, em parceria com a Santa Casa de Belo Horizonte / Instituto de Ensino e Pesquisa, realizou o treinamento de 40 voluntárias, algumas já atuam nas maternidades públicas do município. É o caso da esteticista Marilene Alves. Desde abril ela é doula na Maternidade Odete Valadares. Durante o curso, ela aproveitou para tirar dúvidas e aperfeiçoar as técnicas que aprendeu para continuar apoiando outras mulheres. “É maravilhoso poder ajudar. É transformador poder participar deste momento proporcionando tranquilidade. Infelizmente, não tive esse auxílio nos meus partos. Teria sido bem diferente”, contou.

 

É importante lembrar que a doula não substitui o direito ao acompanhante já garantido pela lei federal número 11.108, de 2005. A presença da doula durante todo trabalho de parto, parto e pós-parto é uma prática recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e incentivada pelo Ministério da Saúde.

 

01/11/2018. Doulas contribuem para a humanização dos partos nas maternidades públicas de Belo Horizonte. Fotos: Micheline Souza/PBH


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