Pular para o conteúdo principal

Mesa de abertura da 5ª Conferência Municipal de Cultura, com cinco integrantes sentados.
Foto: Ana Beatriz Baêta

Democracia é um dos temas da abertura da Conferência Municipal de Cultura

28/11/2018 | 17:01 | atualizado em 03/12/2018 | 13:25

A 5ª Conferência Municipal de Cultura termina nesta quarta-feira, dia 28. O evento reúne autoridades nacionais e internacionais para discutir assuntos relacionados à temática central desta edição: “Cultura, Território e Democracia”. A última plenária será realizada a partir das 18h30 desta quarta-feira, dia 28, no Teatro Marília, quando serão deliberadas, por meio do voto, as propostas coletadas nas reuniões preparatórias e a revisão das metas do Plano Municipal de Cultura. O encontro é aberto ao público.

 

A mesa de abertura, realizada na segunda-feira, dia 26, no Teatro Francisco Nunes, contou com a participação do secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira; da presidente da Fundação Municipal de Cultura, Fabíola Moulin; da presidente da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo da Câmara Municipal de Belo Horizonte, vereadora Cida Falabella; do professor de arquitetura e Urbanismo da UFMG, Flávio Carsalade, e do ex-secretário de Desenvolvimento Social e Cultura Cidadã de Medellín, na Colômbia, Jorge Melguizo.

 

Para a presidente Fabíola Moulin, a Conferência é o momento de debate e definição de prioridade nas políticas públicas da cultura no município. “Esta oportunidade é de extrema relevância para se pensar, junto à população, perspectivas culturais ao longo prazo, sobretudo, trabalhando planos, metas e uma efetiva política cultural no território de Belo Horizonte”, comentou Moulin.

 

Na abertura do evento, Cida Falabella ressaltou a importância da reflexão acerca da relação entre cultura, democracia e território e enfatizou o papel da educação na atuação cultural na cidade. “Cultura e educação não podem soltar as mãos. A educação é o esqueleto; a cultura é a carne”.

 

Seguindo a mesma perspectiva de integração dos setores municipais, Flávio Carsalade deu destaque à relação entre cultura, patrimônio cultural e planejamento urbano. Para ele, é necessário incorporar as inúmeras nuances da realidade urbana na ideia de cultura municipal, uma vez que o direito à cidade está contido na esfera cultural. “Essa intensa separação em caixinhas isoladas é frágil e inadequada. A cultura restrita acarreta na perda de seu potencial de via de ocupação do espaço urbano”, comentou o arquiteto. Ainda segundo ele, há um foco equivocado na preservação do objeto cultural em detrimento do sujeito cultural das cidades. “Tem-se a ideia de que a matéria vale mais do que o âmbito das relações culturais simbólicas. A cultura não é objeto, mas tudo o que nos une; nossos valores e costumes. Onde há reconhecimento cultural há crescimento social”, completou Carsalade.

 

O colombiano Jorge Melguizo participou da abertura da 5ª Conferência Municipal de Cultura, no Teatro Francisco Nunes. Ele ministrou a palestra “Cultura para construir uma nova sociedade”, na qual abordou aspectos básicos da construção cultural de Medellín e apresentou reflexões acerca dos desafios e potencialidade da cultura institucional. “É crucial pensarmos um novo projeto cultural para a América Latina; um projeto melhor do que o atual em que não há respeito às diferenças e não se sabe viver em harmonia”, afirmou Melguizo.

 

Entre os principais fatores abordados pelo ex-secretário de Desenvolvimento Social e Cultura Cidadã, destaca-se a importância de assumir a cultura como direito a ser construído coletivamente, tanto com a participação social, quanto com a integração dos setores institucionais. “É necessário trabalhar com objetivos compartilhados. Não de uma ou de outra área, mas do território como um todo. O direito cultural, o direito à cidade e à cidadania cultural devem ser pautas unidas e potentes”, salientou Jorge Melguizo.