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Conjunto Moderno da Pampulha celebra 83 anos com avanços na preservação, turismo e valorização cultural
Ricardo Laf/PBH

Conjunto Moderno da Pampulha celebra 83 anos com avanços na preservação, turismo e valorização cultural

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Um dos maiores símbolos da identidade cultural de Belo Horizonte e referência internacional da arquitetura moderna, o Conjunto Moderno da Pampulha completa 83 anos neste sábado (16), consolidando-se como espaço de memória, convivência, cultura, turismo e preservação patrimonial. Patrimônio Cultural Mundial reconhecido pela UNESCO desde 2016, o conjunto segue mobilizando ações de valorização e requalificação promovidas pela Prefeitura de Belo Horizonte, que abrangem desde investimentos em equipamentos culturais até iniciativas de turismo, educação patrimonial e recuperação ambiental da Lagoa da Pampulha.

Projetado na década de 1940 por Oscar Niemeyer, com paisagismo de Roberto Burle Marx, painéis de Cândido Portinari e esculturas de Alfredo Ceschiatti entre outros artistas, o Conjunto Moderno da Pampulha reúne a Igreja São Francisco de Assis, o Museu de Arte da Pampulha (MAP), a Casa do Baile e o Iate Tênis Clube, além da orla e do espelho d’água da Lagoa. Concebido como uma obra de arte total, integrando arquitetura, paisagem e artes plásticas, o conjunto permanece como um dos mais importantes patrimônios culturais brasileiros e um dos principais cartões-postais da capital mineira.

Para Cida Falabella, secretária municipal de Cultura, celebrar os 83 anos do Conjunto Moderno da Pampulha é reconhecer a força de um patrimônio que projeta Belo Horizonte para o mundo e que segue vivo no cotidiano da cidade. “A Pampulha reúne memória, arte, paisagem e inovação, mantendo sua capacidade de inspirar diferentes gerações e reafirmando a relevância cultural, turística e simbólica para Belo Horizonte”, destaca.

Barbara Bof, presidente da Fundação Municipal de Cultura, afirma que o Conjunto Moderno da Pampulha representa um marco da arquitetura moderna e da produção cultural brasileira. “A preservação e valorização deste belíssimo patrimônio internacional são fundamentais para garantir que esse ele continue sendo um espaço de encontro, formação, turismo e acesso à cultura para moradores e visitantes”.

Entre os patrimônios reconhecidos pela UNESCO como bens de valor universal para a humanidade estão algumas das mais emblemáticas referências culturais e históricas do planeta, como as Pirâmides de Gizé, no Egito, e a Grande Muralha da China. No Brasil, poucos são os bens culturais que possuem esse mesmo reconhecimento internacional. Entre eles estão referências históricas e culturais como o Centro Histórico de Salvador, o Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, e importantes patrimônios mineiros, como o Centro Histórico de Ouro Preto, o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, e o Centro Histórico de Diamantina.

 Nesse cenário de relevância histórica e cultural, o Conjunto Moderno da Pampulha ocupa uma posição única ao representar a consagração da arquitetura moderna brasileira no cenário mundial. Primeiro bem cultural moderno do Brasil reconhecido pela UNESCO na categoria Paisagem Cultural, a Pampulha coloca Belo Horizonte ao lado de cidades que abrigam patrimônios de importância global, reafirmando o valor histórico, artístico e simbólico desse conjunto para a identidade cultural brasileira e para as futuras gerações. A cidade de Belo Horizonte possui ainda outros dois reconhecimentos concedidos pela UNESCO: o Acervo da Comissão Construtora da Nova Capital (CCNC) é reconhecido como patrimônio documental da humanidade pelo programa Memória do Mundo; e o título de Cidade Criativa da Gastronomia, que destaca a força da cultura alimentar belo-horizontina e sua relevância no cenário internacional.

Capivarã: retorno da navegação reforça potencial turístico do conjunto

Entre as ações recentes de valorização da Pampulha está a retomada da navegação turística na Lagoa, realizada pela Prefeitura de Belo Horizonte desde dezembro de 2025. O passeio gratuito a bordo do Capivarã já soma aproximadamente 200 viagens realizadas e mais de 5 mil passageiros atendidos, alcançando média de satisfação de 9,9 entre os usuários.

A iniciativa será tema da próxima edição do projeto “Expedições do Patrimônio”, ação educativa da Diretoria de Patrimônio Cultural da Fundação Municipal de Cultura, que acontece em 23 de maio, a bordo da embarcação. A atividade irá abordar a retomada da navegação na Lagoa da Pampulha e possibilitar aos participantes uma experiência de contemplação do Conjunto Moderno a partir das águas, ampliando o olhar sobre a paisagem cultural, sua história e suas dimensões ambientais.

Obras do MAP Núcleo de Pesquisa e Informação avançam

Outro importante investimento em andamento é a segunda etapa das obras do MAP Núcleo de Pesquisa e Informação. A Prefeitura de Belo Horizonte iniciou a nova fase da intervenção no conjunto de edificações localizado na Avenida Otacílio Negrão de Lima, no bairro São Luiz, com investimento de R$ 1,35 milhão em recursos do Tesouro Municipal.

O projeto prevê obras do prédio do Acervo, além da reforma integral das edificações que irão abrigar o Centro de Documentação do MAP (CEDOC-MAP), guarita, copa e novo bloco destinado ao Abrigo de Resíduos Sólidos (ARS). Atualmente, o prédio do Acervo, em estágio mais avançado das intervenções, encontra-se em fase de acabamentos, instalação de mobiliários e implantação dos sistemas de climatização. Já as edificações destinadas ao CEDOC-MAP e áreas de apoio seguem na etapa de obra civil, com execução de demolições, estruturas de concreto, alvenarias, divisões internas e demais intervenções de infraestrutura. A previsão é de conclusão no segundo semestre de 2026.

A implantação do MAP Núcleo de Pesquisa e Informação representa um importante avanço para a preservação e qualificação do Museu de Arte da Pampulha, ampliando a capacidade de conservação de acervo, pesquisa, documentação e formação cultural. O espaço irá fortalecer as atividades acadêmicas, educativas e museológicas da instituição, além de contribuir para a salvaguarda da autenticidade e integridade do patrimônio cultural da Pampulha.

Restauração do Museu de Arte da Pampulha avança em licitação

A Prefeitura de Belo Horizonte também segue avançando no processo de restauração do Museu de Arte da Pampulha (MAP), um dos principais marcos arquitetônicos do modernismo brasileiro. A licitação para execução das obras já foi publicada no Diário Oficial do Município.

A intervenção prevê restauração arquitetônica e estrutural do edifício, modernização das instalações prediais, implantação de soluções de acessibilidade, adequações museológicas e funcionais, atualização dos sistemas de segurança, iluminação e climatização, além de intervenções paisagísticas e qualificação do entorno.

Com valor estimado em R$ 29,1 milhões, as obras serão executadas com recursos do Fundo de Proteção do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte. O projeto representa a maior restauração já realizada no edifício que, originalmente concebido como Cassino, abriga desde 1957 o Museu de Arte da Pampulha.

Durante a execução das obras será implantado um espaço de visitação e mediação educativa voltado ao acompanhamento do processo de restauro, permitindo ao público conhecer aspectos históricos, arquitetônicos e museológicos do MAP.

Projeto de restauração da Praça Dino Barbieri

A Praça Dino Barbieri, um dos espaços públicos mais apropriados pelos visitantes da Pampulha, popularmente conhecida como praça da Igrejinha de São Francisco de Assis, teve a licitação de seu projeto de restauração lançada em fevereiro de 2026. O Projeto tem financiamento do Novo PAC e do Fundo de Proteção ao Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte.

Originalmente concebida como parte integrante dos jardins do Santuário São Francisco de Assis, o projeto sofreu modificações ao longo de sua história e hoje é necessária nova intervenção de restauro de forma a harmonizar um desenho que contemple a concepção de Burle Marx para o espaço e atualizando-o à realidade existente e às necessidades dos usuários.

Este é um importante investimento na melhoria da infraestrutura de acolhimento da Pampulha, de forma a tornar a experiência de “estar e permanecer” neste espaço acolhedora, segura e atrativa.

Conjunto se consolida como destino turístico

Símbolo do modernismo brasileiro e um dos principais cartões-postais da capital mineira, o Conjunto Moderno da Pampulha segue fortalecendo sua vocação turística e cultural, atraindo visitantes de diferentes regiões do Brasil e do exterior. A região se destaca pela combinação entre patrimônio cultural, lazer, gastronomia, paisagem urbana e experiências ao ar livre, consolidando-se como um dos principais pólos de visitação da capital mineira.

A Pampulha atrai um público diverso, com forte interesse em cultura, arquitetura e turismo de experiência. Entre os visitantes da região, predominam turistas entre 31 e 50 anos, além de um público com elevado nível de escolaridade e potencial de consumo turístico, fatores que reforçam a relevância estratégica da Pampulha para o desenvolvimento do turismo em Belo Horizonte.

Entre os atrativos mais procurados estão o Santuário São Francisco de Assis, um dos maiores ícones arquitetônicos do país, além da Casa do Baile, Museu Casa Kubitschek, Museu de Arte da Pampulha, Mineirão e toda a orla da Lagoa da Pampulha, que reúne espaços de convivência, esporte e lazer.

A retomada da navegação turística na Lagoa da Pampulha também ampliou o interesse do público pela região. O passeio gratuito do Capivarã oferece uma nova perspectiva do Conjunto Moderno,  fortalecendo a conexão entre patrimônio cultural, turismo e meio ambiente. Além dos passeios náuticos, a região conta com visitas gratuitas aos equipamentos culturais, roteiros guiados e ações educativas promovidas pela Prefeitura de Belo Horizonte, ampliando o acesso da população e dos turistas à história, à arquitetura e à paisagem cultural da Pampulha.

O Centro de Atendimento ao Turista Álvaro Hardy (CAT Veveco), localizado na orla da Lagoa, também atua como importante ponto de apoio para moradores e visitantes, oferecendo informações sobre atrativos turísticos, agenda cultural, roteiros e serviços da cidade.

Recuperação ambiental 

A retomada da navegação turística na Lagoa da Pampulha é resultado de um amplo trabalho de recuperação ambiental e manutenção permanente do espelho d’água realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte desde 2016. Atualmente, a Lagoa apresenta pontos com indicadores de qualidade da água classificados entre bons e ótimos, segundo monitoramentos municipais e da Copasa, garantindo segurança para atividades náuticas e eventos promovidos na região.

A operação de limpeza e manutenção da Lagoa envolve investimento anual de aproximadamente R$ 22,5 milhões. O serviço recolhe entre 5 e 10 toneladas de lixo flutuante, dependendo do período do ano, além de resíduos provenientes de manutenção da orla, drenagem e controle de erosão.

A retomada da navegação também contou com estudos técnicos relacionados à regulamentação, infraestrutura, fiscalização, segurança e comunicação, desenvolvidos pelo Grupo de Trabalho para Retomada da Navegação e Uso do Espelho D’Água da Lagoa da Pampulha, com participação de órgãos como Marinha do Brasil, IGAM, IEPHA e IPHAN. 

As ações integram o Projeto Transformador Viva Pampulha, que engloba a gestão da paisagem cultural, gestão ambiental, gestão urbanística e promoção turística. Entre os principais objetivos do projeto está a retomada do uso do espelho d’água da Lagoa da Pampulha, com a oferta de serviços que impulsionem o crescimento turístico da Pampulha e a preservação e valorização do patrimônio cultural e natural.