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Sete pessoas em Centro de convivência participam de oficinas
Foto: Mara Damasceno/PBH

Centros de convivência promovem inserção social de pessoas com sofrimento mental

14/06/2018 | 15:06 | atualizado em 15/06/2018 | 10:55
Belo Horizonte tem nove centros de convivência, um em cada região da cidade. São serviços de saúde mental que, seguindo as diretrizes da reforma psiquiátrica antimanicomial, oferecem diversas oficinas de arte e artesanato às pessoas com sofrimento mental. Os centros de convivência possibilitam o laço social, a partir de um trabalho que se desenvolve em rede com as áreas da Saúde, Assistência Social, Educação e Cultura. Por meio da arte e do artesanato os participantes aprimoram o seu potencial criativo e ampliam o seu convívio social.
 
O Centro de Convivência São Paulo, região Nordeste, foi o primeiro a ser implantado na cidade. Inaugurado em maio de 1993, o serviço recebeu, à época, os egressos dos hospitais psiquiátricos e os casos atendidos nos ambulatórios dos centros de saúde. “Iniciativa bastante desafiadora na época, pois o centro de convivência foi implantado dentro de um centro comunitário onde havia atividades para um público diversificado, inclusive crianças e adolescentes”, afirma a gerente do Centro de Convivência São Paulo, Marta Soares, que coordena o serviço desde 1996.
 
Instalado no Centro de Apoio Comunitário (CAC) São Paulo (rua Aiuruoca, 501, bairro São Paulo), o equipamento atende cerca de cem usuários da rede de saúde mental da região Nordeste. No espaço são ofertadas oficinas experimentais de arte e cultura como bordado, música, teatro, mosaico, culinária, artesanato, literatura, desenho e pintura, além de rodas de conversas, Lian Gong e modalidades esportivas. Os usuários também têm à sua disposição uma turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA) que funciona dentro do CAC São Paulo.
 
“Nos 25 anos de funcionamento do Centro de Convivência São Paulo, contabilizamos muitos casos de superação de preconceitos, de inclusão produtiva, de retorno aos estudos e de muita fertilidade no campo da arte. O equipamento é visto hoje como um lugar de promoção de vida e de novas práticas em saúde mental”, ressalta Marta Soares. 
 

Arte, superação e liberdade

A arte ganha, cada vez mais, espaço nos centros de convivência. Por meio dela, os usuários expressam a sua concepção de mundo e exteriorizam os seus sentimentos. Muitos trabalhos produzidos se transformaram em exposição. As produções artísticas dos integrantes do Centro de Convivência São Paulo, por exemplo, já foram apresentadas nos espaços Palácio das Artes, CentoeQuatro e no Cine Theatro Brasil Vallourec. 
 
Sérgio Guilherme, 65 anos, é um dos usuários do Centro de Convivência São Paulo. Ele participa das atividades há 15 anos e tem o equipamento como se fosse a sua própria casa. “Eu vim para o Centro de Convivência São Paulo por indicação do médico do centro de saúde do meu bairro e como a minha vida melhorou. A convivência aqui é muito boa, todos se respeitam, sentem-se livres e aprendem muitas coisas. Eu, por exemplo, aprendi a fazer tapetes e nesta oficina eu exercito a minha paciência, que era muito pequena”, disse Sérgio.
 
Outro movimento que mobiliza os beneficiários do Centro de Convivência São Paulo todos os anos é o desfile da escola de samba “Liberdade Ainda que Tam Tam”, em comemoração ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial,  em 18 de maio. Os usuários participam da produção das fantasias e adereços, na elaboração do tema de cada desfile, na composição dos sambas e também na articulação da comunidade e dos familiares.   
 

Funcionamento 

Os centros de convivência funcionam de segunda a sexta-feira, das 8 às 18h. O acesso é por meio de encaminhamento de algum serviço de saúde, como o centro de saúde e Centro de Referência em Saúde Mental (CERSAM).
 
Atualmente a capital conta com três Centros de Referência em Saúde Mental - Álcool e outras Drogas (CERSAM-AD), nas regiões Pampulha, Barreiro e Nordeste; dois Centros de Referência em Saúde Mental Infantil (CERSAMI); o Serviço de Urgência Psiquiátrica (SUP); oito Centros de Referência em Saúde Mental (CERSAM); nove Centros de Convivência, quatro equipes de Consultórios na Rua e duas unidades de acolhimento transitório, uma adulto e outra infantil. 
 
A Rede conta também com 152 equipes de saúde mental nas unidades básicas de saúde; 9 equipes do Arte da Saúde; 9 equipes complementares; além do Centro Mineiro de Toxicomania (CMT) e o CEPAI, que pertencem à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) e estão gradualmente sendo integrados à rede.
 
 

14/06/2018. Saúde Mental Nordeste. Fotos: PBH/Divulgação