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Imagem mostra a entrada da biblioteca e além do letreiro azul que identifica o local, há também um portal e uma escadaria de mármore. Nas laterais há grades.
Rafael Costa/PBH

Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de BH amplia público e oferta de atividades em um ano na nova sede

criado em - atualizado em

Espaço ampliado, novas atividades e atendimento crescente. Foram 15 mil visitantes, 9 mil empréstimos, 864 novos cadastros de leitores, 395 atividades culturais e literárias e 7 mil atendimentos. Os números correspondem ao primeiro ano de funcionamento da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte (BPIJ-BH) em uma sede própria, inaugurada em 11 de setembro de 2025.

 

No período, o número de atendimentos ao público cresceu 42% em relação ao último ano no endereço anterior. A BPIJ-BH deixou o Centro de Referência das Juventudes (CRJ) e passou a funcionar na Rua Espírito Santo, 593, também no Centro da capital. Com o dobro da área da antiga instalação, o espaço permitiu reorganizar os acervos, redistribuir os ambientes e ampliar as possibilidades de uso da biblioteca.

 

A ampliação da área também possibilitou a criação de iniciativas voltadas a públicos específicos, como a atividade “Lendo Junto”, realizada às sextas-feiras, às 16h, em um espaço destinado à leitura compartilhada com crianças. A maior disponibilidade de ambientes também permitiu distribuir as ações em diferentes horários, inclusive de forma simultânea. 
Outra iniciativa criada no período foi o “Laboratório da Escrita”, às terças-feiras, das 18h às 20h, ampliando o horário de atendimento da BPIJ-BH, que passa a funcionar uma vez por semana no turno da noite. O "Laboratório da Escrita" é uma atividade que oferece mentoria para jovens e adultos interessados no desenvolvimento e na publicação de livros. 

 

A “Prosa Poética” – Oficina de Escrita Criativa, que integra a programação permanente da BPIJ-BH, ganhou um novo horário no período da tarde. Entre as ações com maior participação estão as oficinas infantis “Uma história pode ser uma brincadeira” e “Livro-Minuto”. A biblioteca recebeu 33 escolas e instituições para visitas mediadas, que incluem a apresentação do espaço e atividades de mediação de leitura e contação de histórias. Interessados em agendar uma visita podem entrar em contato por e-mail (bpij.fmc@pbh.gov.br). 

 

Para a presidenta da Fundação Municipal de Cultura (FMC), Bárbara Bof, os resultados reforçam a importância de investir em espaços públicos de acesso à leitura. “A Promoção da Leitura e da Escrita” é uma política pública fundamental para garantir o acesso à cultura, à literatura e ao conhecimento. A BPIJ-BH amplia esse compromisso ao oferecer um espaço mais acolhedor e preparado para receber diferentes públicos, fortalecendo a relação das pessoas com os livros e com a leitura”, destaca.

 

Cantinho da leitura

 

A reorganização dos ambientes ampliou as possibilidades de permanência, uso e acolhimento do equipamento. Entre os espaços destinados ao público infantil está o cantinho de leitura, equipado com poltronas e pufes. A biblioteca conta ainda com Sala Multiuso, com capacidade para 50 pessoas, áreas de acervo reorganizadas, incluindo a Gibiteca e a Coleção Especial, além de refeitório e banheiros infantis com fraldário.

 

As melhorias também contemplaram a acessibilidade, com a instalação de sinalização tátil e mobiliário adaptado, além da criação de ambientes mais acolhedores e adequados às necessidades das crianças. O setor infantil foi reformulado para oferecer espaços de leitura mais acessíveis e seguros. Também estão em andamento adaptações no auditório para ampliar o conforto térmico e acústico.

 

Para Frederico Diniz, diretor de Promoção dos Direitos Culturais da FMC, a requalificação reforça o papel da biblioteca como espaço de convivência e formação cultural. “Buscamos criar uma biblioteca que acolha as crianças em suas diferentes formas de estar, aprender, ler e conviver. Queremos que elas e suas famílias reconheçam a biblioteca como um lugar de pertencimento, onde possam permanecer, participar das atividades e construir uma relação afetiva com a leitura e com a cultura”. 
Confira a programação completa da BPIJ-BH.

 

Diferentes públicos

 

As características do endereço atual também vêm contribuindo para diversificar o perfil dos frequentadores. Durante a semana, em horário comercial, o público espontâneo é formado principalmente por adultos, que passaram a utilizar a biblioteca para estudar, ler ou realizar trabalhos, perfil pouco frequente anteriormente, segundo a equipe. As visitas mediadas são realizadas majoritariamente com crianças de diferentes faixas etárias, enquanto, nos fins de semana, predominam as crianças acompanhadas por suas famílias.

 

“É muito significativo perceber que a biblioteca está sendo incorporada à rotina das pessoas. Temos crianças e adultos que chegam no horário de almoço para ler juntos ou no final da tarde, jovens e adultos que passaram a frequentar o espaço para estudar e também pessoas que passam pela rua, descobrem que ali funciona uma biblioteca, entram para conhecer e fazem a carteirinha”, ressalta Daniela Chaves, coordenadora do equipamento.

 

A BPIJ-BH integra a Rede de Bibliotecas da Fundação Municipal de Cultura, formada por 22 bibliotecas públicas que atuam de maneira integrada e compartilham seus acervos. Com isso, o usuário pode retirar um livro em uma unidade e devolvê-lo em outra, ampliando as possibilidades de acesso à leitura em diferentes regiões da cidade.

 

O cadastro é gratuito e pode ser feito mediante apresentação de documento de identificação com foto e comprovante de residência. No caso de crianças, o cadastro deve ser realizado por um adulto responsável. Para Lília Martins, gerente de Bibliotecas da Fundação Municipal de Cultura, a atuação integrada fortalece a política de acesso à leitura. “Quando as bibliotecas trabalham em rede, ampliamos as possibilidades de acesso aos livros e fazemos com que o acervo circule por toda a cidade”.

 

Espaço para formação

 

A formação literária é uma das frentes de atuação da BPIJ-BH, que oferece oficinas, palestras, projetos contínuos e programações especiais voltados a quem atua ou deseja atuar no campo da literatura, mediação de leitura e formação de leitores. As atividades abrangem diferentes etapas e práticas do fazer literário, da criação e escrita à narração de histórias, passando pela ilustração, pesquisa e reflexão sobre a literatura para crianças e jovens.

 

Como programação permanente, todos os meses há o Diálogos da BPIJ, no qual diferentes temas das políticas públicas do livro, da leitura, da literatura e das bibliotecas são abordados. Há também o Laboratório da Escrita, projeto que incentiva a criação e o desenvolvimento de obras autorais. A proposta é oferecer um espaço colaborativo de mentoria e troca para pessoas interessadas em transformar ideias em projetos literários.

 

Um dos destaques da programação deste mês será o 1º Colóquio de Literatura Infantil de Belo Horizonte: autoria e memória nos livros para crianças, que será realizado da próxima quarta-feira (16) a sábado (19). O encontro reúne importantes ilustradores da cidade e pesquisadores da área para discutir a produção editorial voltada ao público infantil.

 

A formação também passa pela narração de histórias. Em agosto, a BPIJ-BH realizou a 3ª Mostra Era Uma Vez de Narração de Histórias, como parte das comemorações pelos 35 anos da biblioteca. Com o tema “BPIJ – 35 anos de histórias”, a Mostra apresentou a culminância das ações desenvolvidas no Encontro Semanal de Contadores de Histórias, atividade que reúne contadoras de histórias de diferentes gerações e acompanha a trajetória da biblioteca desde os primeiros anos de sua criação.

 

Primeira infância

 

A estrutura também passou a oferecer melhores condições para o desenvolvimento de ações voltadas à primeira infância. Entre as novidades está a implantação em curso da “Bebeteca”, projeto executado em parceria com a Fundação de Educação, Artes e Cultura (Fundac) com recursos do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, com a aquisição de cerca de 400 livros para crianças de 0 a 6 anos e aproximadamente 30 títulos teóricos relacionados às infâncias. 

 

O projeto inclui um curso de mediação de leitura para bebês e crianças pequenas e prevê a realização de 72 atividades ao longo do próximo ano, envolvendo a BPIJ-BH, outras unidades da Rede de Bibliotecas da Fundação Municipal de Cultura e as Casas de Acolhimento Institucional.

 

35 anos de histórias

 

Em 2026, a biblioteca celebra 35 anos de atuação na promoção da leitura e da literatura. Criada em fevereiro de 1991, a BPIJ-BH é um espaço de encontro e fomento à leitura, à escrita, à oralidade e à literatura em suas diversas formas de expressão, com foco especial nas infâncias e juventudes. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como referência nacional no atendimento ao público infantil e juvenil, além de ser uma importante fonte de pesquisa para estudiosos das áreas de literatura, narração artística, educação e artes.

 

A biblioteca oferece empréstimo de livros e gibis, espaço de leitura local, rodas de leitura, saraus, oficinas literárias, debates e encontros com autores, ações que contribuem para ampliar as liberdades culturais e promover o acesso ao livro e à leitura como direito de todos.

 

Além do acervo de literatura geral, infantil e juvenil, a BPIJ-BH abriga, desde novembro de 1992, o acervo da extinta Biblioteca Nacional de Histórias em Quadrinhos, doado pelo mantenedor da BNHQ, Antônio Roque Gobbo. Em homenagem a Gobbo, a Gibiteca recebeu seu nome.