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Foto com recorte no pé de um gari, que usa bota, enquanto limpa, com vassoura, fonte na savassi
Foto: Marcelo Santos

BH em Pauta: Protejam os garis

23/06/2017 | 15:32 | atualizado em 30/06/2017 | 13:18

Um dos desafios enfrentados diariamente pelos garis durante o recolhimento de resíduos pela cidade são os chamados objetos perfurocortantes, como vidros quebrados, agulhas, espetos de churrasco, entre outros. Importante ressaltar que o zelo pela segurança desses profissionais da limpeza deve ser compartilhado entre o empregador, no caso a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) e empresas terceirizadas, e a própria população.
 

“Tanto a SLU quanto as empresas prestadoras de serviços são obrigadas a oferecer Equipamentos de Proteção Individual (EPI), como luvas, calçados e vestimenta”, destaca o chefe da seção de Medicina e Segurança do Trabalho da SLU, Agnaldo Marques Viana. “Além disso, alertamos os profissionais que assumam, com responsabilidade, o uso desses utensílios, para evitar perigos de acidentes”, completa ele.
 

Gari na regional Centro-Sul, Claudinei da Silva Pereira nunca sofreu acidentes com objetos perfurocortantes em 21 anos de atuação na coleta domiciliar. “Observo se há vidros entre os resíduos que estou recolhendo e jamais trabalho sem luvas, pois todo cuidado com nossa saúde é pouco”, recomenda. “Infelizmente, já vi colegas se machucando; um deles foi apoiar o saco de lixo junto ao corpo e acabou se cortando na perna”, lamenta o coletor. 
 

Como sugestão à população, Agnaldo Marques lembra que uma boa solução para resíduos pontiagudos é acondicioná-los em uma garrafa de plástico e lacrá-la. “Desaconselhamos usar apenas o jornal para envolver esses materiais cortantes, pois o papel pode se molhar, tornando-se um invólucro muito frágil.” Ele observa que informar que há vidro no saco de lixo, por exemplo, ou entregar a embalagem nas mãos do gari também são opções seguras.
 

O técnico em segurança do trabalho da SLU adverte também sobre as lâmpadas fluorescentes, que têm elementos nocivos à saúde: “O cidadão deve descartá-las somente em locais apropriados para o recebimento; por meio da chamada logística reversa, que é quando o compromisso pela destinação adequada é dividido com comerciantes ou fabricantes.”

 

Insulina

Outro detalhe relevante, segundo o técnico, refere-se aos sacos de lixo muito pesados. “A recomendação é reforçá-los para que não se rompam, espalhando o lixo pelas vias, o que poderá causar, entre vários problemas, o atraso no roteiro da coleta.” 
 

Não descartar líquidos no lixo comum, principalmente os tóxicos e ácidos, é mais um cuidado que se deve levar em consideração. “Restos de refrigerante ou de óleo, mesmo que pareçam inofensivos ao coletor, poderão molhar seu uniforme, provocando bastante desconforto durante a jornada de trabalho”, enfatiza. Líquidos e elementos pastosos ainda podem aumentar a produção de chorume, que vazando, escorrerá, sujando ruas e avenidas.
 

Vera Lúcia Rodrigues, moradora do bairro Floramar, região Norte da capital, diz que em sua casa já é rotina embalar vidros e outros objetos pontiagudos em garrafas PET. “Temos de assumir nossa parcela de responsabilidade com relação aos resíduos e nos preocupar um pouco mais com a segurança dos trabalhadores da limpeza urbana.”
 

Para o estudante de Publicidade Jefferson Alexandre, uma mudança significativa de comportamento da população só será notada a partir da divulgação constante sobre as formas adequadas de destinação desses resíduos. “É uma questão ética, de humanidade e respeito ao próximo cuidar para que o gari não se machuque no exercício de sua profissão”, defende. “Minha mãe também toma insulina todos os dias e as agulhas vão parar em garrafinhas de plástico ou embalagens longa vida com tampa”, garante o futuro publicitário. “Vidros quebrados têm o mesmo destino.”
 

Já a servidora pública Liliana Fernandes Goltara, residente no bairro Jardim Leblon, na região de Venda Nova, conta que, antes, enrolava tudo em jornal, até descobrir que a medida não é tão eficaz como parece. O genro de Liliana é coletor de resíduos e já se feriu diversas vezes com objetos perfurocortantes. “Faço uso de insulina diariamente e, com isso, assumi o hábito de guardar as agulhas usadas em uma garrafinha vazia de água mineral”, relata. “Quando ela está completamente cheia, descarto esse material de maneira segura e ainda fico com minha consciência tranquila.”

 

Como ajudar o gari

23/06/2017. Proteção para os garis. Fotos: Divulgação/SLU

 


- Não jogue lixo ou entulho nas vias públicas, córregos, lotes vagos, bueiros e encostas. Além de poluir a cidade, o lixo nas ruas entope bocas de lobo e pode provocar enchentes;

- No trânsito, respeite os cones de sinalização. Eles estão ali para proteger os varredores, que estão trabalhando para deixar a cidade mais bonita para todos nós;

- Respeite os dias e horários de exposição do lixo para a coleta, embalando-o corretamente, em sacolas resistentes, bem fechadas e de tamanho adequado, para evitar que se abram e espalhem o resíduo nas vias públicas. Sacos de lixo abertos, além de exalar mau cheiro, atraem animais e vetores de doenças;

- Proteja com material resistente o vidro e outros objetos perfurocortantes, como estiletes, pregos, espetos e lâminas, antes de colocá-los na sacola plástica. Pressione as tampas das latas para dentro. Esses materiais desprotegidos podem ferir o gari, mesmo com o uso de luvas protetoras;

- A velocidade do caminhão de coleta é em média 5 a 7 km por hora. É preciso a cooperação dos outros motoristas no trânsito. Infelizmente, muitos reagem com impaciência, não levando em consideração a importância do trabalho realizado pelos garis.

 

Garis percorrem distância de 25Km por dia 

Importantes agentes de limpeza urbana e essenciais para a conservação do bem-estar da cidade, já que combatem, de forma direta, várias doenças que se desenvolvem com o acúmulo dos resíduos, os garis percorrem, em média, uma distância de 25 quilômetros por dia. É um trecho superior, por exemplo, ao que separa a Prefeitura de Belo Horizonte da Prefeitura de Contagem, que é de 18Km. Durante o trabalho, os profissionais da limpeza podem alcançar uma velocidade de até 7 km por hora.


Entre efetivos e terceirizados, são cerca de três mil profissionais dessa área, que atuam em Belo Horizonte nas coletas domiciliar e seletiva; varrição, limpeza de bocas de lobo e córregos; capina e roçada; recolhimento de descartes irregulares; além de atividades multitarefas, como lavação de vias, viadutos, túneis e retirada de pichação, entre outros serviços e locais.

 

O Dia do Gari

A palavra “gari” começou a ser utilizada para denominar os trabalhadores que atuavam na coleta de lixo, ainda na época do Brasil Império, fazendo referência a Pedro Aleixo Gary, um empresário francês radicado no Brasil, contratado pela corte brasileira para organizar o serviço de limpeza na cidade do Rio de Janeiro, em 1876. Sempre que algum lugar estava sujo, as pessoas costumavam dizer: “Chamem o Gary, que ele resolve isso!”. Com o tempo, os funcionários que trabalhavam para Pedro Aleixo ficaram conhecidos como a “turma do gari” ou, simplesmente, garis.
 

Por meio da Lei 212, de 31 de outubro de 1962, sancionada pelo então governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, foi instituído o Dia do Gari, cuja primeira comemoração ocorreu em 16 de maio de 1963. A decisão visava a prestar reconhecimento à missão daqueles que integram o departamento de limpeza urbana. 


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