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Dez dançarinos, dos quais três são homens, fazendo passos de dança afro.
Foto: Marcia Cristina

BH em Pauta: Projeto na região Leste valoriza a cultura afro

17/08/2017 | 14:51 | atualizado em 21/08/2017 | 13:32

Além do Festival de Arte Negra (FAN), os equipamentos culturais municipais de Belo Horizonte apresentam e desenvolvem ações abrangentes da cultura negra, seja por meio da música ou da dança, do teatro, da capoeira, da literatura e de outras vertentes. Um dos projetos consolidados é o Teatro A Arte D´Ori, realizado no Centro Cultural São Geraldo, no bairro São Geraldo, região Leste da capital.
 

Segundo Ana Paula Cantagalli, gerente do Centro Cultural São Geraldo, equipamento mantido pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura, o projeto “Oficina Teatro A Arte D'Ori - Culturas e Identidades, Construções e Ressignificados” é oriundo de algumas práticas de intercâmbio entre a coordenação do projeto da professora Márcia Cristina e o Centro Cultural desde 2013.
 

“Este projeto vinha se desenvolvendo em escolas há oito anos, enquanto atividade específica da área de relações étnico-raciais. Atualmente, o projeto está sendo construído coletivamente com a comunidade e sendo desenvolvido especificamente no CC São Geraldo.”

O projeto Oficina Teatro A Arte D´Ori tem o objetivo de construir, a partir do teatro, outras possíveis abordagens das culturas africanas, indígenas e afro-brasileiras. Ana Paula chama a atenção para o processo de trabalho desenvolvido: “Isso se dá a partir de pesquisas, estudos, análises e discussões críticas das histórias materiais e imateriais das culturas, das oralidades e das (in)visibilidades sociais das etnias em questão, ressignificando-as no contexto atual e no enfrentamento ao racismo, transpondo-as e reconstruindo-as no universo de linguagens teatrais e escritas cênicas.”
 

Gratuito e aberto à comunidade, com faixa etária a partir de 10 anos e predominância do público jovem, o Teatro A Arte D´Ori tem atividades de dinâmicas teatrais; leituras imagéticas; construções e interpretações corporais e cênicas (trabalho de corporeidades); trabalho de pesquisa de músicas de domínio público e das oralidades e memórias presentes nestas etnias. Segundo Cantagalli, “isso se dá concomitantemente a estudos de textos, análises críticas das (in)visibilidades presentes nos meios midiáticos e os contextos sociais nestas etnias em questão, transpondo-as às linguagens e escritas cênicas.”
 

A comunidade vê grande importância na temática trabalhada nessa atividade e é crescente o número de interessados. O aluno Josué de Almeida Silva, de 17 anos, morador da região, dá a dimensão do projeto na vida dos participantes. “O Arte D'Ori é de suma importância para nós, porque além de trazer arte para a comunidade, traz informação sobre a cultura africana e afro-brasileira, que, normalmente, é desconhecida e renegada pela maioria dos brasileiros”. E Josué ressalta: “Ter um grupo que abrange todo este tema é muito importante para sabermos que temos que lutar pelos nossos direitos à cultura e é isto que o A Arte D'Ori proporciona para os alunos e para a comunidade.”
 

Já o aluno Geovanni Santana dos Santos, 10, também morador da região, evidencia o alcance do projeto. “Tem o tema africano e é contra o racismo. Para mim, esse projeto é para as pessoas entenderem sobre isso. Alegra-me mostrar coisas como essa para melhorar o mundo.”
 

A gerente Ana Paula Cantagalli ressalta o significado da atividade para o Centro Cultural São Geraldo. “Para nossa comunidade, o projeto A Arte D´Ori é um importante instrumento de suporte para o estudo da cultura africana, sua valorização e enfrentamento ao racismo. A partir das artes cênicas são trabalhadas diferenciadas significações e percepções de identidades de pertencimento.” E finaliza: “A atividade favorece aos alunos e ao público uma leitura crítica do nosso papel sociocultural perante às africanidades.”

 

Centro Cultural São Geraldo

Endereço: Avenida Silva Alvarenga, 548, bairro São Geraldo.

Funcionamento: segunda a sexta das 9h às 22h; sábado das 6h às 11h.

Telefones: 3277-5648 e 3277-5034.

E-mail: ccsg.fmc@pbh.gov.br . 

Ônibus: 9211, 9214, 9250, 9502 e 9550.