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Cadeirante é atendido por integrante do Projeto de Mercado de Trabalho Inclusivo
Foto: Laura Fonseca/PBH

BH em Pauta: Oportunidades do Projeto de Trabalho Inclusivo

12/07/2017 | 16:47 | atualizado em 17/07/2019 | 10:10

Cerca de 13,5 milhões de brasileiros encontram-se desempregados, segundo dados do IBGE. Na contramão desse cenário, Jackson Leite Carvalho, de 29 anos, comemora há quatro meses a conquista de uma colocação como porteiro, em uma conservadora de Belo Horizonte. Jackson tem uma deficiência cognitiva que o impediu de aprender a ler e a escrever. Além disso, foi diagnosticado com esquizofrenia. Em função das limitações, o mundo do trabalho apresentava dificuldades não apenas pela falta de escolaridade, como também pelo preconceito. “A deficiência física é visível. Mas muitas pessoas não reconhecem a deficiência mental. Ninguém entende por que você não consegue ler. Já recebi muitos nãos”, conta ele.
 

Há sete anos, Jackson Leite é atendido pelo Prometi, que é um Projeto de Mercado de Trabalho Inclusivo, desenvolvido pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio da Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social (SMAAS). Desde então, por meio do projeto, o rapaz já realizou uma série de cursos e capacitações para o mercado de trabalho e foi encaminhado para diferentes vagas. Atuou como auxiliar de serviços gerais e chegou até mesmo a produzir equipamentos eletrônicos em uma pequena indústria. “O Prometi me ajudou muito; hoje, eu não tenho dificuldade para conseguir emprego”, vibra Leite.
 

Até o mês de maio de 2017, 32 outros trabalhadores com deficiência também tiveram sucesso nos encaminhamentos do Prometi. Rafaela Viana, 30, também foi beneficiada. A jovem, estudante de serviço social, estagiou no Prometi durante quase dois anos. Há pouco tempo, ela adquiriu uma deficiência física em função do uso de um medicamento, e precisou usar uma prótese no quadril para garantir a locomoção, sem dor. Acostumada a auxiliar pessoas de diferentes faixas etárias, tipos de deficiência e níveis de escolaridade a ingressarem no mercado de trabalho, teve também a chance de ser beneficiada pelo projeto, sendo contratada por uma empresa, como recepcionista. “Eu não sabia que me enquadrava nos critérios e fiquei surpresa em poder contar com esse apoio que, de alguma forma, me abriu portas”. Rafaela deverá formar-se no final deste ano, e o trabalho dela de conclusão de curso é sobre o tema.
 

O Prometi é uma estratégia de inclusão produtiva voltada para pessoas com deficiência, com idade a partir de 14 anos, que realiza a intermediação de mão de obra de trabalhadores com as empresas cadastradas, com base na Lei Federal nº 8.213 de 24/07/1991, além de cursos e oficinas de preparação para o mercado de trabalho. A legislação prevê que empresas com mais de 100 funcionários reservem de 2% a 5% das vagas para pessoas com deficiência.
 

No ano passado, 186 pessoas com deficiência foram efetivadas em contratos formais de trabalho, a partir da intermediação do Prometi. De acordo com a assistente social Lilian Rodrigues Santiago, técnica do projeto, a crise econômica que o país vem sofrendo também afetou as pessoas com deficiência, o que impulsionou a demanda por mais vagas. Entretanto, a equipe conseguiu captar um número maior de empresas que disponibilizaram novas vagas. “A partir do nosso trabalho, oferecemos suporte às empresas para que elas cumpram a legislação vigente de forma efetiva e inclusiva. Ao mesmo tempo, promovemos uma política participativa e inclusiva, garantindo à pessoa com deficiência a emancipação da própria história e o resgate de sua cidadania”, explica Santiago.
 

Atualmente, o projeto dispõe de 153 vagas em diferentes áreas, aguardando candidatos. Para acessar é necessário fazer contato com a Gerência de Inclusão Produtiva (GEINP), da Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social (SMAAS), pelo telefone: 3277-1726 - prometi@pbh.gov.br.