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Oito mulheres em situação de vulnerabilidade mostram as bijuterias produzidas em oficina.
Foto: Arquivo SMSA/PBH

BH em Pauta: Mulheres participam de oficinas de bijuterias

19/07/2017 | 15:43 | atualizado em 19/07/2017 | 16:12
Entre conversas, miçangas e linhas, mulheres em situação de vulnerabilidade e violência criam uma rede de apoio, empoderamento e autonomia. “Você escuta uma mulher hoje, conversa com cinco mulheres amanhã e percebe que os problemas não deixam de existir, mas passam a ficar pequenos. À medida que você vai se empoderando, vai ganhando força, energia”. É assim que Eva Rosangela Bernardini, enfermeira de 51 anos e vítima de violência doméstica, descreve a experiência de participar do Projeto “Para Elas – Por Elas, Por Eles, Por Nós”, da Faculdade de Medicina da UFMG, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde.


O projeto promove oficinas de produção de bijuteria, com material adquirido por meio de doações. O trabalho propõe uma restauração ou criação de novos modelos a partir das peças recebidas. As oficinas oferecem uma oportunidade de aprender novos ofícios e interagir com outras mulheres, ajudar e ser ajudada. A cada mês são selecionadas cerca de 40 mulheres de várias regionais da cidade, que fazem parte do projeto da Prefeitura de Belo Horizonte, o “Família Cidadã”, cujo objetivo é promover a inclusão das famílias mais vulneráveis e melhorar a condição de vida e de saúde.


As oficinas são realizadas nas regionais de Venda Nova, Barreiro, Leste e Norte, e tem ajudado muitas mulheres a transformar a realidade na qual estão inseridas, criando laços de solidariedade, troca de experiências e geração de renda. Cada regional define o dia da semana e local no qual a oficina acontece. Nas oficinas de restauração de bijuterias, os produtos doados que não estão em boas condições são desmontados e essas partes são utilizadas na confecção de novas bijuterias. Os objetos doados em bom estado são colocados à venda.


O material produzido é vendido em bazares realizados nas comunidades e na Faculdade de Medicina. O dinheiro arrecado com as vendas é dividido entre as integrantes das oficinas e a outra metade é para os gastos com a produção. Independentemente do estado do material, tudo pode ser utilizado.


Medicina antiestresse

As participantes são encaminhadas pelos centros de saúde para o Ambulatório de Promoção de Saúde da Mulher em Situação de Violência e Vulnerabilidade, do Hospital das Clínicas. “A mulher participa da roda de conversa, e, ao final, a gente marca os retornos de acordo com a necessidade identificada no acolhimento. Também temos as oficinas que acontecem nos bairros”, explica a enfermeira de ginecologia Natalia Cristina. As rodas de conversa trabalham a identidade e reconhecimento da violência, a superação e o fim, e dão suporte para que a mulher consiga se reerguer.


O atendimento no Ambulatório de Promoção de Saúde da Mulher em Situação de Violência e Vulnerabilidade é realizado todas as sextas-feiras no Hospital das Clínicas de 8h às 12h, e oferece cuidados individuais, ginecologista, psiquiatra, psicólogo, clínico geral, homeopatia, reiki, medicina antiestresse, jurídico, nutrição, conciliação, serviço social e cuidado coletivo com rodas de conversa e grupo de medicina antiestresse.


Atualmente, há postos de coleta de bijuterias na portaria da Secretaria Municipal de Saúde (Avenida Afonso Pena, 2336, Funcionários) e na portaria da Faculdade de Medicina da UFMG (Avenida Professor Alfredo Balena, 190, Santa Efigênia).
 

19/07/2017.oficina de bijuterias para elas pampulha.Fotos:Divulgação/PBH