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Mãos de téccnicos com luvas brancas manipulam morcego; uma delas tem uma pinça.
Foto: Divulgação PBH

BH em Pauta: Monitoramento de morcegos

28/09/2017 | 19:23 | atualizado em 16/10/2017 | 10:06

Estereotipados como ‘sugadores de sangue’ em obras literárias e cinematográficas e também no imaginário popular, os morcegos, em condições saudáveis, não representam risco de ataque ao homem e a outros animais. Das 150 espécies catalogadas no país, apenas três alimentam-se de sangue de outros animais, ou seja, são hematófagas – e geralmente são encontradas apenas em áreas rurais.

 

As espécies comuns encontradas em ambiente urbano alimentam-se de frutas, sementes, néctar, pólen e insetos. Além de equilibrar o ecossistema, os morcegos têm um papel importante dentro da vigilância epidemiológica de territórios. Através do monitoramento, é possível identificar a circulação do vírus da raiva no meio urbano.



Em Belo Horizonte, a vigilância de quirópteros é feita no Centro de Controle de Zoonoses pelo Laboratório de Morcegos Urbanos e pelas gerências de epidemiologia das regionais. A análise é feita apenas naqueles animais identificados com comportamento anormal, ou seja, morcegos que estejam caídos no chão, vivos ou mortos; dependurados no meio da parede, em troncos de árvores, janelas ou em locais de baixa altura; ou que estejam voando durante o dia. Neste ano, até o mês de setembro, nove animais apresentaram resultado positivo para raiva.



Responsável pelo laboratório, a bióloga Érica Munhoz de Mello reforça que, mesmo com o número substancialmente pequeno, o trabalho de vigilância é extremamente importante. “É justamente este monitoramento que irá identificar em quais locais as equipes precisam atuar e, assim, diminuir as chances de transmissão da doença”.



Em Belo Horizonte a raiva está controlada e não há casos humanos desde 1984 e caninos desde 1989 – porém, as ações de prevenção devem ser mantidas, entre elas, a vacinação anual de cães e gatos. Este ano, a campanha de vacinação antirrábica – realizada no mês de setembro – vacinou mais de 230 mil animais na capital. A vacina está disponível durante todo o ano no Centro de Controle de Zoonoses.



Recolhimento de morcegos


Em caso de identificação de um morcego com comportamento anormal, a população deve acionar imediatamente o Centro. Uma equipe será enviada para fazer o recolhimento de forma adequada. “Além disso, são tomadas medidas de prevenção no raio de 300 metros, para evitar possíveis intercorrências. Inicia-se a orientação da população quanto aos cuidados para evitar a presença dos morcegos nas residências e a verificação vacinal dos animais domésticos”, acrescenta Érica.



Nos casos em que já tenham ocorrido agressões animais (cães, gatos ou outros potenciais transmissores da raiva) a humanos, a população deve procurar imediatamente o um centro de saúde de referência para receber as orientações de profilaxia. Para recolhimento de morcegos, os telefones do Centro de Controle de Zoonoses são: 3277-7411 e 3277-7413.

 

28/09/17. Monitoramento de morcegos ajuda a manter o controle da raiva em BH.Fotos:Divulgação/PBH