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Cerca de 16 escoteiros fazem cainhada em local verde e alto em dia de céu azul.
Foto: Divulgação/PBH

BH em Pauta: Guarda Municipal tem Grupamento de Escotismo

20/07/2017 | 14:13 | atualizado em 21/03/2018 | 14:41
Reunir 432 crianças e adolescentes, divididos em sete bases distintas, todos os sábados, em torno de um projeto voltado para a realização de atividades que tenham como princípio básico a lealdade, a obediência e o respeito mútuo e em relação à natureza. É o desafio dos responsáveis pelo Grupamento de Escotismo da Guarda Municipal de Belo Horizonte. Fundado há oito anos, o grupo reúne meninos e meninas da faixa etária dos seis anos e meio aos 17 anos, a maioria de classe socioeconômica vulnerável, para a realização de atividades físicas e intelectuais capazes de mudar o rumo de vida deles.


“Minha vida mudou completamente! Eu vivia enfurnado em casa, só mexendo no computador. Hoje tenho amigos, aprendi a ser mais responsável e a me preocupar mais com o bem das pessoas”, relata o estudante Marcelo Fernandes de Sousa, de 14 anos.


Atualmente cursando o 9º ano do Ensino Fundamental, Marcelo teve o primeiro contato com o escotismo em 2015. A mãe o inscreveu, após procurar na internet pelas opções existentes nas proximidades do bairro Nova Suíça, onde moram. Ela ficou sabendo que a Guarda Municipal mantinha a Base de Escotismo na região Oeste, e inscreveu o filho na lista de espera. A vaga surgiu pouco depois. As atividades do grupo, realizadas no Parque Municipal Jacques Cousteau, permitiram um contato com a natureza e, desde o primeiro dia, conquistaram Marcelo, que resolveu se tornar definitivamente um escoteiro.


Para Stella de Carvalho Villar, 11, a vida de escoteira teve início aos oito anos de idade, quando ingressou na categoria de lobinha. Filha única e cursando o 6º ano do Ensino Fundamental, ela deixou de ser uma menina solitária e fez muitos amigos. “Minha atividade favorita como escoteira é acampar. Gosto muito de animais, de ficar ao ar livre e de estar em contato com a natureza. Como o meu primeiro dia no grupo foi em uma atividade no Parque Jacques Cousteau, já fiquei animada e nunca mais saí”, relembra.


Nem mesmo os apelos da adolescência, com as baladas, festas e paqueras, capazes de fazer a cabeça de muitos, tiveram o poder de afastar Thomas Hugo de Paula, 16, do escotismo. Veterano do grupo, ele ingressou aos seis anos e meio, como lobinho, e passou por todas as fases até se tornar um escoteiro sênior.


Aluno do 1º ano do Ensino Médio, Thomas chegou a levar a mãe e o pai para o grupo. Atualmente, até a irmã mais nova, que acabou de completar seis anos e meio, idade mínima para ser admitida, já se tornou uma lobinha. “Meus amigos já se acostumaram e nem tentam mais me levar para a ‘gandaia’. As leis e a promessa do escotismo te tornam mais disciplinado, educado, responsável e maduro. Isso te afasta de tudo o que não é correto!”, explica.


Princípios do Escotismo


O Escotismo é um movimento juvenil mundial, com caráter educacional, voluntariado, apartidário e sem fins lucrativos. Foi fundado em 1907 pelo tenente-general do Exército Britânico Robert Stephenson Smyth Baden-Powell. A proposta é o desenvolvimento do jovem, por meio de um sistema de valores que prioriza a honra, baseado no compromisso, através da prática do trabalho em equipe e da vida ao ar livre, fazendo com que ele assuma o próprio crescimento, tornando-se um exemplo de fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito e disciplina.


Quando Baden-Powell idealizou a Lei Escoteira, decidiu não estabelecer leis proibitivas, mas conceitos para formação de pessoas benévolas, para que, desta forma, o jovem escoteiro tivesse em quê se espelhar e pudesse se orientar. Com o lema “Sempre alerta!”, tem como princípios a honra, integridade, lealdade, presteza, amizade, cortesia, respeito e proteção da natureza, responsabilidade, disciplina, coragem, ânimo, bom-senso, respeito pela propriedade e autoconfiança.


Como coordenador do Grupo de Escotismo da Guarda Municipal, o guarda Wemerson Glauco explica que o projeto de criação do grupo foi desenvolvido com o apoio da Secretaria Municipal de Educação e a Fundação de Parques Municipais com o objetivo de estabelecer bases preventivas da violência e da criminalidade entre os jovens de áreas de vulnerabilidade social existentes na capital. O projeto conta com o trabalho voluntário de 18 guardas municipais que atuam nas sete bases de escotismo de Belo Horizonte, cada uma com cerca de 60 escoteiros.


Como participar?


O Escotismo não é uma recreação, mas sim um movimento educacional para crianças e adolescentes, com a colaboração de adultos, de caráter voluntário, que valoriza a participação de pessoas de todas as origens sociais, raças e crenças, de acordo com o propósito, os princípios e o método Escoteiro. “Não se trata de uma experiência, mas de um método comprovadamente eficaz, com repercussão em todas as áreas de desenvolvimento do ser humano: física, mental, social, afetiva, espiritual e caráter”, complementa o coordenador.


As atividades são desenvolvidas aos sábados, em parques municipais próximos às bases. As crianças e adolescentes aprendem a conviver em equipe, o que possibilita a descoberta progressiva de responsabilidade e prepara o autocontrole, por meio da disciplina, além de desenvolver a capacidade tanto para liderar quanto para cooperar.


As informações sobre participação, coordenação, desenvolvimento das ações do Projeto Escotismo na Guarda Municipal de Belo Horizonte podem ser obtidas através do telefone 3277-4473 ou pessoalmente, na sede da Guarda Municipal, na Coordenadoria de Projetos Especiais, na Avenida dos Andradas, 915.

 

20/07/2017. Grupamento de escotismo da Guarda municipal. Fotos: Divulgação/PBH