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Trem Tan Tan, uma banda formada por pessoas com sofrimento mental, Foto:  Divulgação/PBH
Fotos: Divulgação/PBH

BH em Pauta: Cidadania e inclusão social

12/09/2017 | 15:53 | atualizado em 15/09/2017 | 11:25

Olavo Alegria, Carlos Ferreira, Rogéria Pereira, Sandro Duarte, Gilberto da Rocha e Mauro Camilo. Estes são os integrantes do grupo Trem Tan Tan, uma banda formada por pessoas com sofrimento mental e surgida nas oficinas de música do Centro de Convivência Venda Nova (CCVN), em 2002. O mentor do grupo é o percussionista Babilak Bah, figura conhecida da cena musical mineira que, à época, era responsável pelas oficinas de música e identificou vários talentos entre os usuários do serviço. Ao longo dos anos, a formação da banda passou por alterações e, atualmente, conta com um usuário do Centro de Convivência Providência e seis do Centro de Convivência Venda Nova.

Cada integrante tem uma atuação decisiva no grupo, formado por Olavo Rita da Conceição (percussão e voz), Mauro Sérgio Camilo (trompete, voz e percussão), Carlos Ferreira (percussão e voz), Rogéria Pereira (vocal), Sandro Duarte (bateria), Gilberto da Rocha (percussão). O grupo conta com o apoio do músico Almim Oliveira, que assessora o coletivo com Babilak Bah, quando este não pode em virtude da agenda de shows.

Outra pessoa que acompanha o grupo desde a fundação é a gerente do Centro de Convivência Venda Nova, Ana Paula Novaes. Ele destaca os efeitos benéficos da política de saúde mental implantada em Belo Horizonte. “O Trem Tan Tan mostra o que a política da saúde mental afirma, que o cuidado em liberdade produz efeitos artísticos, estéticos e de cidadania para os sujeitos envolvidos e para a sociedade; e esta banda é o resultado dessa política.”

O grupo já gravou dois CDs: Trem Tan Tan, em 2002, e Sambabilolado, em 2008. Em maio de 2015, viabilizado pelo Fundo Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, realizou a gravação do primeiro DVD, no Teatro Francisco Nunes, com as participações especiais de Aline Calixto, Mandruvá e Leonardo Brasilino, no show “Sambabilolado e outros tan tans”. O DVD alia o registro sonoro com relatos de histórias de vida e inclusão, mostrando a irreverência e criatividade do grupo, com um discurso a favor da liberdade, da sustentabilidade e de uma sociedade sem manicômios. No último dia 4 de setembro, o grupo fechou as comemorações dos 15 anos do CERSAM Venda Nova, com um show no Teatro Cine do SESC Venda Nova, no bairro Mantiqueira.

Babilak Bah avalia que a banda alcançou relativo sucesso ao longo da carreira, além de ter participado de importantes eventos na cidade e em outros Estados. “Nesse período de 15 anos, a banda teve bastante êxito na produção musical, realizando três trabalhos importantes: dois CDs e um DVD, no qual estão registrados toda a pesquisa e os estudos desde o início. Tudo isto é uma síntese do trabalho que revela todo o amadurecimento do grupo. Estamos planejando o lançamento, quem sabe, para o próximo Carnaval, do Bloco Sambabilolado”, adianta.

 

Prêmios



Todos os componentes do Trem Tan Tan são compositores e as músicas escritas por eles falam de coisas do dia a dia e também de assuntos relacionados ao universo da saúde mental. “Melô do Mandiocão”, por exemplo, de Rogéria Pereira, discorre sobre uma receita de vaca atolada. Já Carlos Ferreira canta a denúncia dos preconceitos associados aos loucos em “Que Louco, Que Nada.” Gilberto da Rocha compôs “Boi Rombudo”, citando inúmeros nomes femininos que ele dá às vaquinhas imaginárias dele.

O Trem Tan Tan já recebeu prêmios dos Ministérios da Cultura e Saúde e fez shows em Salvador, no Teatro Castro Alves, e no Rio de Janeiro, na casa de show Grande Rio, além de várias cidades do interior de Minas e inúmeros palcos de Belo Horizonte. Com autoestima em alta, Rogéria Pereira, vocalista e dançarina do grupo, diverte o público. “Antes que eu termine de cantar, o público quer que eu cante várias vezes a mesma música, O Melô do Mandiocão, que é uma receita cantada, ensinando fazer uma Vaca Atolada. Meu fã clube é muito grande. Cada um de nós tem sua performance, seu brilho, encanta e diverte todo mundo; levantamos o astral e a autoestima de quem assiste ao nosso show. Já somos um coletivo famoso, só precisamos de valorização na área financeira, ter um cachê maior e ajuda de custo.”

O percussionista e vocalista Olavo Alegria relembra a trajetória do grupo fora de Minas Gerais. “Há uma música de minha autoria que eu canto, chamada Trem Tan Tan na Avenida. Já tocamos em vários lugares, como no Teatro Castro Alves, em Salvador e, na semana seguinte, na casa de show Grande Rio, no Rio de Janeiro, entre outros lugares”, conta ele, que já está no grupo há mais de dez anos.
 

O nome



O polivalente Mauro Camilo, trompetista, vocalista, percussionista e arranjador, resume a importância do coletivo. “Eu, como membro do grupo, tenho a responsabilidade de empunhar a bandeira da inclusão social e da luta antimanicomial. O Trem Tan Tan é a prova viva de que o serviço substitutivo aos manicômios funciona bem e frutifica sucessos pessoais e coletivos.”

O nome Trem Tan Tan é o título de uma das músicas do grupo e faz referência aos trens que, na década de 80, levavam loucos de hospícios públicos de Belo Horizonte para o grande manicômio da cidade de Barbacena. Hoje, para o grupo, com toda a sua diversidade sonora, rítmica, criativa, o projeto contribui para a desmistificação dos mitos associados à loucura, em que o sujeito surge como cidadão passageiro em busca dos sonhos.
 

 

12/09/2017. Grupo Trem Tan Tan. Fotos: Divulgação/PBH

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