14 Maio 2026 -
Belo Horizonte foi um dos destaques entre as capitais mundiais na 11ª edição do Desafio Mundial da Natureza Urbana, realizada em abril. Na competição, os participantes de cidades de todo o mundo contribuem para o desenvolvimento de pesquisas e ações de preservação da natureza, usando a plataforma (site e app) iNaturalist para fotografar plantas, animais, fungos e mapear a vida silvestre urbana ao redor de todo o mundo.
Neste ano, BH e a região metropolitana ficaram em 70º lugar no ranking (entre 754 cidades participantes) com o maior número de observadores participando do desafio, superando o resultado de 2025, quando a posição alcançada foi 81ª, dentre 700 cidades. A ampla adesão permitiu que BH e região metropolitana também conquistassem melhores resultados nacionais: 2ª posição no país em número de espécies registradas (contra o 3º lugar no ano passado) e 1º lugar em número de observadores participantes, superando São Paulo, resultado que também conquistou em 2025.
Durante o desafio, que aconteceu de 24 a 27 de abril, a população da região realizou 10.226 registros de 1.768 espécies de animais, plantas e fungos. Em todo o mundo, foram feitos mais de 2,8 milhões de registros de mais de 74 mil espécies. BH e região metropolitana também foram responsáveis por registrar, pela primeira vez por meio do iNaturalist, 40 espécies, como a Maxantonia bahiana (inseto), Kielmeyra negleta (planta), Calycopis calor (inseto do tipo borboleta/mariposa), entre outros. Ao todo, 25 espécies registradas são endêmicas, ou seja, nativas da região, e 21 espécies do total registrado estão classificadas como ameaçadas de extinção.
Ciência-cidadã
O Desafio, iniciado em 2016, é uma iniciativa de ciência-cidadã que reúne especialistas, amadores e entusiastas em torno da preservação do meio ambiente. O evento é liderado mundialmente pelas equipes da Academia de Ciências da Califórnia (CAS) e do Museu de História Natural do Condado de Los Angeles (NHM). Em Belo Horizonte e Região Metropolitana, o Desafio Mundial da Natureza Urbana é coordenado pela Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica - Prefeitura de Belo Horizonte, Universidade Federal de Minas Gerais, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Centro Universitário UNA, Instituto Estadual de Florestas - Governo de Minas Gerais, Ecoavis, Waita - Instituto de Pesquisa e Conservação, SESC-MG e Fundação Biodiversitas.
Para ajudar a engajar a população e se preparar para o Desafio, a FPMZB, com o apoio de parceiros, promoveu diversas ações educativas e até oficinas para orientar sobre o uso da plataforma iNaturalist com o público visitantes de parques, com as equipes de ONGs e de coletivos e com professores e alunos de escolas públicas municipais. Durante os quatro dias de competição, a PBH e demais instituições participantes ofereceram uma variada programação gratuita em parques municipais e estaduais, na Zoobotânica, em museus e campus de universidades.
Equipes de voluntários estiveram presentes nos espaços para auxiliar nos registros, assim como também promovendo outras atividades educativas, como as trilhas ecológicas em parques, que já fazem parte da programação rotineira da FPMZB.
Gelson Leite, presidente da FPMZB, destaca que o Desafio Mundial da Natureza Urbana incentiva a construção de uma relação mais positiva com a biodiversidade e ajuda a ampliar o conhecimento científico sobre a natureza nas cidades. “Ao registrar a biodiversidade urbana por meio do iNaturalist, qualquer pessoa, sendo especialista ou não, ajuda na conservação do meio ambiente, inspirando descobertas e atuando ativamente e de forma colaborativa nas ações de conservação e preservação da natureza adotadas por organizações em todo o mundo”, disse.
iNaturalist
A ferramenta iNaturalist é gratuita e com uso permitido para maiores de 12 anos, por meio da qual os usuários tiram uma foto de qualquer espécie nativa ou gravam o som de algum animal, registram o local e a data onde foi feito o registro. Depois, a comunidade científica que integra a plataforma ajuda a identificar, avaliar e validar as informações, o que garante confiabilidade aos dados, criando uma “rede mapeada” sobre os animais, plantas e fungos em diversas regiões.
Os dados inseridos na plataforma e devidamente classificados como “em nível de pesquisa” são disponibilizados no GBIF, que é um repositório mundial de dados sobre a biodiversidade, ajudando a entender a natureza em todo o mundo e, ainda, servindo de referência para pesquisadores e gestores públicos em estudos e na tomada de decisões para conservação das espécies.
Assim, amadores e profissionais, entusiastas e especialistas, tornam-se cientistas cidadãos e agentes de conservação da biodiversidade pelo mundo, ajudando a ampliar dados para pesquisas científicas e para a construção de políticas voltadas à conservação.
Resultados
Confira alguns resultados de Belo Horizonte e região metropolitana no ranking brasileiro do Desafio Mundial da Natureza:
Número de espécies registradas:
1º) São Paulo: 2.016
2º) Belo Horizonte e Região Metropolitana: 1.768
3º) Santa Teresa - ES: 1.53
Número de observações (postagens no iNaturalist):
1º) São Paulo: 32.251
2º) Belo Horizonte e Região Metropolitana: 10.226
3º) Santa Teresa - ES: 7.145
Número de observadores (participantes):
1º) Belo Horizonte e Região Metropolitana: 403
2º) São Paulo: 400
3º) Grande Curitiba: 159
Espécies mais observadas em BH e região metropolitana:
1º) Aranha-de-teia-dourada
2º) Pau-jacaré
3º) Mico-estrela (animal símbolo de Belo Horizonte, eleito na década de 90)
4º) Macaúba
5º) Aranha-de-funil
6º) Canário-da-terra
