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Mais de vinte índios da tribo Pataxó fazem círculo, junto a alunos de escola municipal.
Foto: Arquivo PBH

Alunos de escola municipal da Pampulha conhecem tribo Pataxó

26/12/2017 | 14:18 | atualizado em 29/12/2017 | 12:53
Conhecer as diversas culturas existentes em nosso país é um dos eixos norteadores da promoção da igualdade racial no projeto pedagógico das escolas municipais de Belo Horizonte. Esta prática acontece por meio de pesquisas e atividades diversificadas desenvolvidas ao longo do ano nas salas de aula. 


Em um dessas atividades, por exemplo, 30 estudantes e dez professores da Escola Municipal Professor Amilcar Martins, na região da Pampulha, tiveram a oportunidade de visitar uma tribo de índios Pataxó, dormir em redes e comer batata doce no café da manhã e peixe assado na brasa na hora do almoço, bem no meio da mata.  


Na tribo localizada na cidade de Carmésia, no Vale do Rio Doce, a cerca de 200 quilômetros de Belo Horizonte, as casas em que os índios moram atualmente são de alvenaria, o que surpreendeu muitos alunos. 


Durante a visita, realizada no mês de outubro, os estudantes participaram de atividades como jogos e celebrações, além de experimentarem a comida típica da tribo. Puderam também conhecer o artesanato, visitar a escola indígena na qual as crianças estudam a língua pataxó e o português. 


“Participamos da Festa das Águas, importante evento da tribo Pataxó, na qual são resgatados alguns elementos da cultura pataxó, bem como o ritual de agradecer pela presença desse rico recurso na tribo”, contou a vice-diretora Peônia Pires.
 


Povos em conexão

O contato com os índios em seu local de habitação trouxe aos alunos a realidade em que se encontram os povos indígenas dessa linhagem e como ainda preservam viva sua cultura. A experiência trouxe aprendizado, informação e conscientização, mas também proporcionou momentos de muita diversão.


O estudante Kayque Gabriel dos Santos Siqueira, de 13 anos, do 6º ano, gostou muito da oportunidade de conhecer uma nova cultura. “Quando eu cheguei lá, era tudo diferente do que eu pensava antes. Eu conheci mais a cultura deles. Gostei das coisas que eles fazem de artesanato, o que demonstra muito da cultura deles. Foi muito legal a excursão. Brinquei bastante.”

 

Para a estudante Carolina Marinho, 11, a experiência foi de aprendizado: “Adorei a experiência. Gostei muito de ver a homenagem que eles fazem ao Pai da Mata. Neste ritual, nós participamos de um banho de lama. Foi minha parte favorita. Eles também fizeram apresentação de canto e dança. Fiz muitos amigos lá. Eles vendem muitas coisas bonitas e interessantes. Gostaria de voltar mais vezes.”


 
Valorização da diversidade cultural 

Desde 2013, a Escola Municipal Professor Amilcar Martins incluiu em seu currículo, de maneira mais sistemática, atividades voltadas para a temática Ético-Racial em todos os anos do Ensino Fundamental. Os trabalhos vão desde aulas expositivas até atividades desenvolvidas nas oficinas do Programa Escola Integrada. A Escola Integrada trabalha em parceria com os professores do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), a fim de realizar os projetos em conjunto. 


Além da questão indígena, a unidade mantém em seu currículo atividades que trabalham a diversidade cultural e racial, como a questão do negro e dos povos orientais. A escola já recebeu o Selo de Compromisso BH Sem Racismo, como Instituição Certificada que trabalha a promoção da igualdade racial. 


Para mostrar todo o aprendizado, a escola realizou a Feira de Cultura “Povos em Conexão”, com apresentação de trabalhos literários, artísticos e científicos feitos pelos estudantes. Uma grande surpresa foi a participação de 20 membros da tribo Pataxó na Feira de Cultura e no Festival de Dança da escola, onde se apresentaram com dança e música típicas, além de mostrarem seu rico artesanato.  Clique aqui para conferir. 


“Em todos os projetos desenvolvidos na escola, priorizamos esse tema, sem deixar de lado as demais ações educacionais. A Feira de Cultura foi a culminância desses trabalhos com a participação de nossos professores e alunos que mais uma vez brilharam, expondo trabalhos ricos em cultura, ciência e tecnologia”, explicou a vice-diretora. 


Para a diretora regional de Educação na Pampulha, Alessandra Luíza Teixeira, a valorização das raízes do povo brasileiro ajuda na formação do caráter dos estudantes. "Valorizar a diversidade cultural é valorizar o próprio povo brasileiro. O reconhecimento de nossa origem e de nossa diversidade nos leva a ter respeito uns pelos outros, condição primária para qualquer sociedade democrática que busque desenvolvimento social e econômico."

 

 

26/12/2017. Interação de estudantes com tribo Pataxó. Fotos: Acervo EMPAM