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Em um salão amplo, a professora Jaqueline Munhoz à frente do grupo, de camiseta vinho, calça cinza e tênis branco, lidera a aula com os braços erguidos segurando um bambolê vermelho. Atrás dela, cerca de 20 alunas idosas de camiseta branca repetem o mesmo movimento, todas com bambolês vermelhos levantados acima da cabeça.
Divulgação/PBH

Além da ginástica, Programa Vida Ativa promove Autonomia e convivência para Idosos

criado em - atualizado em

A prática de exercícios físicos na terceira idade vai muito além do propósito de manter o condicionamento físico. Para os participantes do Programa Vida Ativa, as atividades também representam espaço de convivência, acolhimento e fortalecimento da autonomia. Há mais de duas décadas atuando na iniciativa, a profissional de educação física Jaqueline Sobral Munhoz, especialista em gerontologia, acompanha de perto os benefícios proporcionados pelas atividades.

Segundo ela, o objetivo está diretamente relacionado à independência dos idosos nas tarefas do dia a dia. “O principal objetivo é proporcionar autonomia para que essas pessoas consigam subir e descer do ônibus com segurança, pegar um objeto no armário e realizar suas tarefas diárias sem depender de terceiros”, explica.

O Vida Ativa é promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte, com gerência da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Smel). As aulas incluem exercícios para fortalecimento dos membros superiores e inferiores, agachamentos, atividades de equilíbrio, coordenação motora e estímulo à memória.

Mas, como ressalta Jaqueline, os benefícios vão além dos exercícios. A socialização é um dos pilares da rotina dos participantes. As conversas, a troca de experiências e o acolhimento contribuem para enfrentar situações de isolamento social e momentos de perdas que podem ocorrer ao longo do envelhecimento.

“Muitos idosos saem de casa enfrentando problemas, mas, ao chegar aqui, encontram conversa, dança e alegria. A nossa meta é garantir que todos saiam melhor do que chegaram”, afirma a professora.

Tradição familiar

O longo período de atuação de Jaqueline em uma mesma comunidade fez com que o programa criasse vínculos que atravessam gerações. Ao longo de mais de 20 anos, ela já ministrou aulas para até três gerações de uma mesma família, acompanhando avós, mães e netas.

A convivência construída durante as aulas também ultrapassa os limites dos espaços onde acontecem as atividades. Incentivadas a manter a independência e a participação social, as próprias alunas organizam bingos comunitários, bailes de forró e viagens em grupo.

Essas iniciativas fortalecem as amizades, ampliam a rede de apoio e mostram como o Vida Ativa pode contribuir para a construção de novos vínculos na terceira idade.

Participação masculina

Apesar dos benefícios proporcionados pelo programa, a participação masculina ainda é menor nas turmas. Segundo Jaqueline, barreiras culturais e geracionais fazem com que alguns homens associem, de maneira equivocada, as aulas de ginástica e dança a um espaço predominantemente feminino.

Os homens que participam das atividades, de acordo com a professora, muitas vezes chegam ao programa por indicação ou incentivo das esposas. Depois de conhecerem a dinâmica das aulas, muitos passam a frequentá-las com assiduidade.

Qualidade de vida

A experiência do Programa Vida Ativa mostra que o envelhecimento saudável envolve diferentes dimensões. O fortalecimento do corpo caminha ao lado da saúde emocional, do estímulo cognitivo, da autonomia e da convivência comunitária.

Mais do que oferecer atividades físicas, o programa cria oportunidades para que os idosos mantenham uma vida ativa, participem da comunidade e construam relações de amizade e apoio.

Onde encontrar o Vida Ativa

A lista completa dos núcleos do Programa Vida Ativa, com endereços e horários de atendimento dos 42 espaços espalhados pela cidade, pode ser consultada nos canais oficiais da Prefeitura de Belo Horizonte.

Dúvidas também podem ser encaminhadas por e-mail (vidaativa@pbh.gov.br).