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Agente de saúde verifica a presença de escorpiões em meio a pedaços de madeira, durante o dia.
Foto: Divulgação PBH

Ações preventivas reduzem número de acidentes com escorpiões na região Nordeste

19/12/2018 | 15:35 | atualizado em 19/12/2018 | 15:45
Matheus Victor Morais Ribeiro, 11 anos, morador do bairro Ribeiro de Abreu, conhece bem a dor de uma picada de escorpião. A criança teve o dedo do pé atingido por esse animal peçonhento, que estava dentro do seu tênis. Depois do ocorrido, a sua avó, Vera Lúcia de Morais, 55, reforçou os cuidados diários no ambiente domiciliar. “Já encontramos vários escorpiões aqui no nosso imóvel e agora estamos redobrando a atenção tanto no interior da casa quanto no quintal. A vigilância deve ser constante e cada morador do bairro precisa fazer a sua parte, deixando o seu imóvel isento de lixo”, disse Vera Lúcia.


A gravidade de uma picada de escorpião está relacionada à proporção de veneno injetado e à massa corporal do indivíduo picado. Os acidentes provocados por esse animal peçonhento podem até levar a vítima ao óbito, por isso, os cuidados com o ambiente e a vigilância devem ser constantes. O alerta é da médica veterinária Paloma Carla Fonte Boa Carvalho, referência técnica de Zoonoses, da Diretoria Regional de Saúde Nordeste.


Paloma coordena o projeto Escorpionismo, que promove ações de prevenção e controle das áreas com maior incidência de acidentes com escorpiões na região Nordeste. Entre 2014 e 2017, essa região foi a que apresentou o maior número de acidentes por escorpiões na cidade – 745 casos.


Para enfrentar a situação, em maio deste ano, a equipe de Zoonoses Nordeste iniciou um trabalho minucioso para conhecer os locais com maior ocorrência de escorpiões e levantar os casos de acidentes na região, a fim de implementar medidas preventivas e de controle. O período avaliado foi de janeiro de 2017 a maio de 2018, tempo em que a Gerência de Controle de Zoonoses Nordeste recebeu 245 solicitações para vistorias em função de escorpiões e registrou 259 acidentes - 202 ocorridos no ano passado e 57 até maio de 2018. Assim nasceu o projeto Escorpionismo.



Frentes de atuação 

Todas as áreas de abrangência dos 21 centros de saúde da região Nordeste foram mapeadas e classificadas conforme o risco para incidência de escorpiões – alto, médio e baixo. As áreas que apresentaram maior número de acidentes foram as de abrangência dos centros de saúde Efigênia Murta, Ribeiro de Abreu, Marivanda Baleeiro, Nazaré e Marcelo Pontel - todas classificadas como de alto risco e com o maior índice de vulnerabilidade em saúde.


A partir da consolidação dos dados, a equipe de Zoonoses Nordeste iniciou uma série de ações de prevenção e controle de escorpiões. O projeto Escorpionismo ganhou força e inúmeras vistorias de busca ativa estão sendo realizadas nos locais com maior frequência de acidentes com escorpiões, como nas áreas de abrangência dos centros de saúde Marcelo Pontel, São Gabriel, Goiânia, Leopoldo Crisóstomo, Ribeiro de Abreu, Cachoeirinha, Padre Fernando, Efigênia Murta de Figueiredo, Nazaré e Marivanda Baleeiro. 


A capacitação de Agentes de Combate a Endemias, Referências Técnicas, equipes do Programa Saúde da Família, voluntários da comunidade e profissionais de educação também passou a integrar o trabalho que está sendo desenvolvido. O objetivo é somar esforços dos profissionais de todas as áreas, a fim de intensificar as ações de prevenção e controle dos escorpiões na região Nordeste. A mobilização e sensibilização da comunidade têm sido constante, com orientações, inclusive, sobre o manejo ambiental dos escorpiões.


Os bons resultados da iniciativa já começam a aparecer e o número de acidentes com escorpiões registrados até agora já sofreu uma redução em relação ao ano de 2017. A sensibilização dos moradores também avança. Gislene Pinto Silva, Agente de Combate a Endemias no Centro de Saúde Efigênia Murta de Figueiredo, Conjunto Ribeiro de Abreu, participa da sensibilização da população e destaca o quanto é importante o envolvimento da comunidade para o sucesso do trabalho.  “A atuação de cada morador é fundamental, para evitar o ambiente propício à morada dos escorpiões”.


Curiosidades

O escorpião amarelo, Tityus serrulatus, é a espécie que mais causa acidentes graves, principalmente em crianças. Só existem fêmeas da espécie, que se reproduz por partenogênese - sem a necessidade de fecundação, acasalamento. Cada mãe tem aproximadamente dois partos por ano, reproduzindo, em média, 20 filhotes em cada parto, chegando a 160 durante a vida. Assim, uma única fêmea é capaz de infestar um local.

 
Os abrigos para escorpiões são locais escuros, quentes e úmidos. São fontes de alimentos para esses animais as baratas, grilos e outros pequenos animais invertebrados.  



Cuidados que devem ser observados

As medidas de controle e manejo populacional dos escorpiões baseiam-se na coleta e modificação das condições do ambiente, a fim de torná-lo desfavorável à ocorrência, permanência e proliferação desses animais. Dessa forma, a conduta da população é fundamental e diversas medidas devem ser executadas diariamente. Entre elas, destacamos:

• Manter os quintais e jardins limpos – sem acúmulo de folhas secas e lixo;
• Eliminar as fontes de alimento para os escorpiões, como baratas, aranhas e grilos.
• Remover periodicamente materiais de construção e lenha armazenados;
• Limpar os terrenos baldios próximos aos imóveis;
• Acondicionar o lixo domiciliar em sacos plásticos ou outros recipientes apropriados e fechados;
• Evitar queimadas em terrenos baldios, pois essa prática desaloja os escorpiões;
• Rebocar as paredes internas e externas para não apresentarem frestas;
• Colocar telas nas aberturas dos ralos, pias ou tanques;
• Manter todos os pontos de energia e telefone devidamente vedados.

 

 

19/12/2018. Projeto Escorpionismo. Fotos: Divulgação/PBH