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24ª Semana Nacional de Museus agita a programação de maio em BH
Foto: Daniel Moreira

24ª Semana Nacional de Museus agita a programação de maio em BH

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A programação de maio nos espaços museais públicos municipais de Belo Horizonte está repleta de atrações, com destaque para as atividades especialmente alinhadas à 24ª Semana Nacional de Museus. O evento é realizado anualmente sob a coordenação do Instituto Brasileiro de Museus, que em 2026 propõe refletir sobre como proporcionar a união em um mundo dividido. O Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte (MIS BH), o Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) e o Museu da Moda (MUMO) recebem o público para exibição de documentário, roda de conversa com lançamento de catálogo, curso e colóquio na área da moda. Além disso, ao longo de todo o mês, a agenda segue com ações educativas e culturais para diversas idades.

Todas as atrações são gratuitas e realizadas pelo projeto “Museus Centro – o percurso da memória de Belo Horizonte”, uma parceria entre a Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, e o Viaduto das Artes. O projeto busca fortalecer as ações do MHAB, MIS BH e MUMO, consolidando o papel como percurso cultural integrado na região central da cidade. A programação completa pode ser consultada no site do projeto.

O Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte (MIS BH) abre as portas para a Semana de Museus com uma edição especial do CineMIS, apresentando a mostra “Museus Unindo um Mundo Dividido”. O evento terá a exibição de dois documentários que dialogam diretamente com o tema da Semana Nacional de Museus de 2026: “Entre a Lei e a Rua” (2025, dir. Guilherme Simões) e “Filme de Rua” (2017, dir. Joanna Ladeira, Paula Kimo, Zi Reis, Ed Marte, Guilherme Fernandes e Daniel Carneiro), cujos realizadores participam de um debate com o público após a sessão.

Essas obras, produzidas em contextos de vulnerabilidade urbana na capital mineira, atuam como pontes entre realidades fragmentadas, promovendo a escuta como ferramenta de união num mundo dividido por políticas excludentes e narrativas hegemônicas. A sessão acontece no dia 20 de maio, às 19h, com classificação 14 anos.

O Museu da Moda (MUMO) entra com tudo no clima da Semana de Museus e um dos destaques é o minicurso “Portfólio Digital de Moda”, com o Grupo Fios, que acontece nos dias 19, 20, 21 e 22 de maio, das 14h às 18h. A atividade busca proporcionar aos participantes a criação de um portfólio digital de moda que apresente habilidades, experiência e criatividade de forma prática e visual. O portfólio é uma importante ferramenta para sistematizar projetos, desenhos e coleções, apresentar o trabalho e mostrar a personalidade profissional. A ação é voltada a estudantes de moda, arte e pessoas interessadas, a partir de 15 anos, e é necessário inscrição prévia via formulário.

Compartilhar com a comunidade de Belo Horizonte as ações de pesquisa e atividades acadêmicas na área de Arte, Moda, Conservação e Restauração, realizadas pelo Grupo de Pesquisa STUDIOLO/CNPq/EBA/UFMG, é o mote do Colóquio “Conhecer para Valorizar - Entre a razão, o coração e as mãos – a Arte, o Têxtil e a Moda unindo vivências e construindo pontes para a reconstrução de si”. A atividade, que integra a Semana de Museus, será realizada no MUMO, no dia 20 de maio, das 14h às 17h30, e a entrada é por ordem de chegada.

A Semana de Museus segue no MUMO com a visita mediada à exposição “Clara Nunes - Eu Sou A Tal Mineira”, um passeio pela vida, obra e estilo da cantora, em uma ação que celebra a presença dela na moda e na cultura popular. A atividade será no dia 23 de maio, às 11h, sem necessidade de inscrição e com classificação livre.

Ação transversal - Percursos narrativos 

O MHAB, o MIS BH e o MUMO se unem para uma ação transversal que será iniciada durante a Semana de Museus: “Rastros Remix”, uma oficina com João Perdigão, jornalista, pesquisador e escritor, com destaque para temas relacionados à história de Belo Horizonte. A proposta convida o público a atravessar os equipamentos municipais do projeto Museus Centro por meio das narrativas históricas reais e ficcionais, presentes nas memórias de cada instituição.

Usando exercícios de criação em escrita e imagem, os participantes serão estimulados a experimentar, imaginar e criar conteúdos que transitam entre o documental e o ficcional e que, ao final, irão compor uma publicação autoral impressa em cada um dos espaços. A iniciativa visa aproximar artistas, estudantes e o público interessado na história local das coleções dos museus participantes, evidenciando o potencial de cada instituição.

“Rastros Remix” será realizada alternadamente nos três espaços: dia 23 de maio, das 14h  às 18h, a ação acontece no MHAB; as próximas edições serão no dia 16 de junho, no MUMO, e dia 19 de agosto, no MIS BH. A atividade é destinada ao público acima de 15 anos e é necessário inscrição prévia via formulário.

Lançamento do catálogo da exposição “Belo Horizonte Fora dos Planos” 

O MHAB recebe no auditório do espaço, no dia 30 de maio, das 14h às 17h, o evento de lançamento do catálogo da exposição “Belo Horizonte Fora dos Planos”, que ocupa o Museu. A atividade contará com uma roda de conversa com os curadores da mostra, Raphael Rajão e Carolina Capanema, mediada por Isabela Guerra, Diretora de Museus da Fundação Municipal de Cultura. 

A publicação registra a reflexão proposta pela mostra sobre a história da capital mineira como uma obra coletiva e viva, revelando, para além do projeto oficial, identidades e trajetórias invisibilizadas. O encontro convida o público a explorar a "cidade vivida" e as memórias que fundamentam nossas lutas e afetos comuns. Às 16h, será realizada uma visita mediada na exposição para o público participante. 

“Belo Horizonte Fora dos Planos” propõe olhar a história do município a partir de um ponto de vista diferenciado, para além do mito da nova capital como cidade planejada, propondo uma reflexão sobre as formas de vida que foram “apagadas” ao longo da história, a exemplo de resquícios do Arraial do Curral Del Rei ou elementos naturais como riachos e córregos removidos da paisagem ao longo dos anos. Estão em exposição registros de um cotidiano que sobreviveu ao processo de construção da nova capital de Minas Gerais, como artefatos originados em fazendas e povoados que existiam nesse território, ferramentas de trabalho e mobiliário.

Mais oficinas artísticas e educativas ao longo do mês

O MIS BH realiza aos sábados, das 10h às 14h, a intervenção educativa “Estúdio Aberto: Imagens em movimento”. Tendo como ponto de partida a exposição “Do Traço ao Pixel: Memórias da Animação Brasileira”, em cartaz no espaço, o Estúdio Aberto convida o público a investigar como construir movimentos a partir de imagens. Analisando e manuseando dispositivos ópticos históricos e experiências práticas, a atividade propõe uma reflexão sobre tempo, repetição e transformação, evidenciando como diferentes técnicas, do analógico ao digital, constroem narrativas visuais. Não é necessário realizar inscrição e a classificação é livre.

No dia 23 de maio, das 10h às 12h, o MIS BH promove a oficina “Animação de recorte”, na qual os participantes irão explorar uma das várias técnicas existentes para criar a ilusão de movimento. Com papel, tesoura e lápis de cor, é possível desenvolver movimentos variados, desde um simples olhar para o lado até coisas mais complexas como o caminhar de um personagem. A atividade é voltada para pessoas acima de 8 anos e, para participar, é necessário fazer inscrição via formulário.

E ao longo de todo o mês o MHAB realiza, aos domingos, das 10h30 às 12h30, o projeto Museu Criativo, com oficinas artísticas voltadas para as crianças, ministradas por Lara Carvalho.  No dia 17 de maio será realizada a atividade “Pintando cores de um jardim”, que propõe uma experiência artística sensorial ao ar livre no museu, utilizando tinta feita com maizena e corante, transformando o espaço externo em um grande suporte artístico para um jardim coletivo.

No dia 24 de maio, é a vez da ação “Marcas da Terra”, na qual os participantes, a partir da observação e de um passeio pelo museu, utilizam elementos naturais como inspiração para criar desenhos e impressões que revelam texturas, formas e vestígios do ambiente. 

A atividade estimula a conexão sensível com o solo e os materiais naturais. E fechando as oficinas do projeto Museu Criativo, no dia 31 de maio, acontece “Rios que nos cercam”, uma experiência artística a partir da aquarela como linguagem para refletir sobre a presença da água na cidade. Inspirados por rios visíveis e invisíveis, reais ou imaginados, os participantes são convidados a observar, imaginar e representar os caminhos da água que atravessam o cotidiano urbano.