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Sete mulheres fazem colagem com o tema feminino ao redor da mesa.
Foto: Divulgação PBH

Valorização da Mulher é tema de campanha no CRAS Confisco

01/11/2018 | 16:54 | atualizado em 01/11/2018 | 17:01

Com o tema #SOUMULHER, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Confisco, na região da Pampulha, promoveu a Campanha de Valorização da Mulher, com o objetivo de realizar ações reflexivas sobre o gênero feminino, promovendo a valorização e o empoderamento desse público. A programação incluiu palestras, oficinas, exposições e atividades culturais.

 

O encerramento da campanha aconteceu no dia 28/9, com a participação de cerca de 40 mulheres, em um momento de reflexão, avaliação e confraternização. Foi exibido o curta-metragem “Vida Maria” (Ceará, 2006), do animador gráfico Márcio Ramos, que mostra o impacto da ausência da escolarização, a interrupção da fase de vivência lúdica infantil em função do trabalho doméstico e a forma de repetição desse ciclo entre gerações, principalmente no mundo feminino.

 

As participantes construíram um mural coletivo com imagens e palavras, trazendo uma reflexão sobre seu valor como mulher e as lutas e conquistas de direitos ao longo da história. Durante a confraternização, a musicista, compositora e violonista Nath Rodrigues apresentou seu trabalho, composto por músicas que falam do valor da mulher.

 

 

Incentivo ao empoderamento feminino

A primeira oficina aconteceu no dia 11/9 e tratou do tema “As mulheres de ontem x as mulheres de hoje”. Em forma de roda de conversa, possibilitando a troca de experiências e informações, os técnicos do CRAS abordaram as diferenças históricas e culturais existentes, discutindo também as diversas funções e papéis exercidos pelas mulheres atualmente.

 

No dia 19/9, o tema “Empreendedorismo para as Mulheres” foi apresentado pelo pedagogo Ulisses Samarone, do programa Acessuas Trabalho. As participantes ouviram sobre as perspectivas da função de empreendedora individual como uma alternativa de renda extra para a família. De forma lúdica e com dinâmicas em grupo, o pedagogo explicou sobre a prática do empreendedorismo individual, incentivando também a iniciativa de negócios coletivos como as cooperativas e iniciativas comunitárias.

 

A oficina “Sou mulher e tenho direito a ter direitos” ocorreu no dia 25/9. A assessora na Diretoria de Política para as Mulheres, Andréa Chelles, conduziu a roda de conversa, em um diálogo sobre violência doméstica e os direitos da mulher. As participantes aprenderam sobre os tipos de violência, os órgãos de defesa de direitos, a importância da denúncia formal contra o agressor e a existência do Benvinda, equipamento municipal que acolhe e atende mulheres que vivenciam situações de violência.

 

 

Avaliação da campanha

No dia do encerramento, foi feita a avaliação geral da campanha, com retorno positivo das participantes. Moradora no Confisco, Vanis de Oliveira Barros, 74 anos, frequenta as atividades do CRAS Confisco há mais de 10 anos: Academia da Cidade, grupo de idosos, e passeios. Ela disse estar muito feliz e realizada por ter voltado a estudar, este ano, na Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Municipal Anne Frank.

 

Vaninha, como gosta de ser chamada, participou da campanha em vários momentos. “Achei uma bênção! Aprendi muita coisa. Antes a mulher não tinha voz pra nada. Hoje ela tem seus direitos e o seu valor reconhecidos. Mas penso que a própria pessoa tem que se valorizar primeiro”, considerou.

 

Maria Veronilda Gomes de Oliveira, 30 anos, afirmou ter gostado muito de participar da campanha porque trouxe mais conscientização. “Achei ótimo. Foi muito aprendizado. Isso abre a cabeça da gente pra coisas que eu nem sabia que aconteciam com as mulheres”, definiu.

 

Frequentadora do CRAS há dez anos, Lindalva de Assis Pereira Modesto, 64 anos, também aprovou a iniciativa. “Achei a campanha muito proveitosa. Gostei mais da oficina do empreendedorismo. Abriu minha mente pra eu ver que não preciso ficar parada. Temos que ir pra frente”, comemorou.

 

De acordo com a equipe técnica do CRAS Confisco, a campanha contribuiu para a prevenção da ocorrência de vulnerabilidades e/ou riscos sociais entre as famílias, no que tange à violação de direitos contra as mulheres. A avaliação é de que a iniciativa foi uma forma criativa e um importante instrumento para discutir e orientar as famílias do território sobre os seus direitos, especialmente porque as usuárias participaram efetivamente das discussões, fortalecendo o empoderamento na preservação e garantia dos direitos.

 

 

Lançamento da campanha

O lançamento da campanha #SOUMULHER foi no dia 29/8, com a participação de aproximadamente 200 pessoas e estandes para orientar e esclarecer dúvidas sobre as políticas voltadas para as mulheres, população LBGT, pessoa com deficiência e promoção da igualdade racial. Além disso, houve apresentações musicais com os estudantes da E.M. Anne Frank e os estudantes do ProJovem, aulão de zumba com as professoras da Academia da Cidade e apresentação do grupo de percussão do projeto Juventude e Polícia.

 

Uma das atividades que causou impacto foi a “Exposição contra o feminicídio e a ditadura”, da E.M. Anne Frank. Cruzes fixadas em tijolos pretos e brancos apontavam os nomes, idades e a condição em que várias mulheres foram brutalmente mortas ao longo dos anos. Na função de apresentador da exposição, o estudante Bruno Marcos Reis Simões, 13 anos, explicava sobre os altos índices de mortes violentas que ocorrem no país. “Já tinha consciência da violência contra a mulher. É importante lembrar fatos como estes. Acredito que se todos cooperarem será possível sim acabar com o feminicídio”, avaliou.

 

Outro momento marcante foi a apresentação da esquete teatral “O nome dela” do grupo de teatro MOB’SUAS da Subsecretaria Municipal de Assistência Social que, de maneira lúdica, levou o público a refletir sobre o papel da mulher na sociedade. Maria Raimunda Diniz, 68 anos, frequenta o CRAS há cerca de oito anos, participando das aulas da Academia da Cidade e Lian Gong. “A campanha é importante porque as pessoas se conscientizam das coisas, dos seus direitos”, disse.

 

A dona de casa Maria Lúcia da Cruz, 67 anos, frequenta o CRAS há mais de cinco anos, participando de várias atividades ofertadas lá como a Academia da Cidade, os encontros da terceira idade e os eventos em geral. “Acho ótimo este tipo de campanha porque, quanto mais informações temos, melhora nosso modo de viver e agir.”

 

Para a assessora na Diretoria de Política para as Mulheres, Andréa Chelles, os CRAS têm um papel importante para que as políticas alcancem o público a que se destinam. “É fundamental abrir estes espaços para a reflexão e empoderamento das mulheres, que são a grande maioria do público que freqüenta os equipamentos da Assistência Social. O CRAS Confisco está de parabéns por esta iniciativa”, afirmou.