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TReês artistas negros se apresentam no palco; ao fundo, uma platéia lotada assiste.
Foto: Pablo Bernardo

Show de Mateus Aleluia marca abertura do Festival de Arte Negra - FAN-BH

19/11/2019 | 17:29 | atualizado em 20/11/2019 | 18:50

A abertura oficial da 10ª edição do Festival de Arte Negra de Belo Horizonte (FAN-BH) aconteceu na noite de segunda-feira, dia 18, com casa cheia, no Cine Theatro Brasil Vallourec. A atração foi o show de Mateus Aleluia, ex-integrante do cultuado grupo baiano Os Tincoãs, acompanhado pelo violoncelista Ricardo Campos. Entre os convidados, Laércio e Thalma de Freitas.

 

Até o próximo domingo, dia 24, mais de 100 atrações nacionais e internacionais se apresentam em mais de 20 espaços espalhados pela cidade. Além dos shows musicais e espetáculos de artes cênicas, a programação do festival inclui exposições de artes visuais, mostra de cinema e ações formativas, que englobam aulas públicas, seminários, debates e oficinas.

 

Coube à presidenta da Fundação Municipal de Cultura, Fabíola Moulin, falar ao público sobre a 10ª edição do FAN-BH. Ela agradeceu à equipe responsável pela realização do evento e, em especial, às curadoras, Aline Vila Real, Grazi Medrado e Rosalia Diogo, que foram “provocadas a ocupar este lugar”. Fabíola também falou de ações sintonizadas com as proposições do FAN-BH, como o reconhecimento dos quilombos urbanos e das festas de Iemanjá e dos Pretos Velhos como patrimônios culturais da cidade.

 

“Entendemos o festival como um lugar de celebração, como um lugar de encontro, como um lugar de confluência de todas as ações que realizamos ao longo do ano, um lugar de trocas, de reflexão. O festival é esse momento de desaguar todas essas ações realizadas ao longo do ano que integram nossa política pública de promoção da igualdade racial", disse.

 

Impossibilitado de participar da abertura, o secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira, escreveu uma carta ao público – lida pelo secretário adjunto Gabriel Portela – e gravou um vídeo sobre o evento. “A cultura de matriz afro-brasileira mais que merece, exige o espaço de plena visibilidade em nossa cidade e no país, seja pela sua importância histórica, seja pela importância e qualidade da produção cultural, seja pela dívida que nosso país tem com os que sempre foram um dos principais esteios de nossa nação”, afirmou o secretário no texto.

 

Na carta, Juca Ferreira também destacou o crescimento desta edição do festival. “Não falo aqui apenas no investimento realizado, que quase triplicou, fruto da sensibilidade e do apoio que temos tido do prefeito Alexandre Kalil. Falo também na amplitude das atrações, na qualidade dos espetáculos e no rico conteúdo que se expressará de maneira vibrante nas mais de 100 atrações que, gratuitamente, encherão de energia os palcos e espaços de apresentação”, escreveu.

 

As três curadoras também levaram suas mensagens à plateia. Segundo Aline Vila Real, “o pensamento da equipe está todo revelado na programação”. Após os discursos e agradecimentos da abertura, Mateus Aleluia ocupou o palco, primeiramente acompanhado apenas pelo violoncelista Ricardo Campos.

 

Com uma sonoridade densa, evocou os povos indígenas, “os donos dessa terra”, e os afrodescendentes que chegaram ao Brasil escravizados. Cantou o sofrimento e a resistência desses povos, antes de convidar Laércio de Freitas e, posteriormente, sua filha, Thalma de Freitas, para, juntos, relembrarem composições registradas pelos Tincoãs e também temas que gravou em seus discos solo.

 

Foi um clima de congraçamento, de celebração e também de reflexão a marca da abertura do Festival de Arte Negra de Belo Horizonte e que certamente deve se repetir ao longo da programação.


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