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Foto: Divulgação/PBH

Série de debates sobre criminalidade aborda tema da discriminação racial

01/10/2018 | 18:23 | atualizado em 01/10/2018 | 18:23

 

A discriminação racial, manifestada na escolha de jovens pobres e negros como principais alvos das abordagens policiais preventivas, ganhou destaque no último encontro da série “Prevenção ao Crime e à Violência em Debate”, realizado na tarde desta segunda-feira, dia 1º de outubro, na sede da Prefeitura de Belo Horizonte. Promovido pela Secretaria Municipal de Segurança e Prevenção (SMSP), por meio de sua Diretoria de Prevenção Social à Criminalidade, a rodada trouxe o mestre em Ciências Sociais pela PUC/Minas, Jair da Costa Júnior, que apresentou a pesquisa temática de sua dissertação de mestrado, denominada “Genocídio: o Apagamento de uma Identidade”.

 

O estudo analisou os critérios adotados na abordagem de jovens durante as operações de averiguações realizadas pela polícia. Segundo Jair Júnior, os jovens negros, moradores de favela e da periferia são indicados frequentemente para estas abordagens policiais. “A representação social que pesa sobre a população negra cumpre o papel maior de manter, legitimar e autorizar a continuidade desse genocídio, uma vez que o temos histórica e socialmente amparado na atualização de um racismo que construiu formas sutis de se manter ativo”, destaca o mestre.

 

Seletividade

De acordo com a diretora de Prevenção Social à Criminalidade, Márcia Alves, os debates permitiram ampliar a discussão da política de prevenção na capital, em suas diversas perspectivas. Ela destacou que o Atlas da Violência 2018, publicação do Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada (IPEA) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em junho deste ano, revelou que chega a 76% a diferença entre a proporção de assassinatos de negros em relação ao de brancos no país.

 

“A importância de discutirmos o racismo estrutural é inquestionável. Ele traz uma reflexão fundamental no campo da prevenção à criminalidade, tendo em vista o número de jovens negros que figuram como vítimas nos diferentes estados do Brasil. Assim, estamos discutindo como a cor da pele define a seletividade nas abordagens em segurança pública, constituindo um conteúdo muito importante para a formação nas nossas políticas públicas”, concluiu.

 

Mais informações para a imprensa pelo telefone 3246-0048 (Secretaria Municipal de Segurança e Prevenção).