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Rainha Diambi, da República do Congo, é recebida no Centro Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado.
Foto: Ricardo Laf/PBH

Rainha Diambi visita Centro de Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado

12/03/2019 | 18:01 | atualizado em 12/03/2019 | 18:06

O Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado recebeu na última sexta-feira, 8 de março, a rainha da República Democrática do Congo, Diambi Kabatusuila Diambi Mukalengna Mukaji de Nkashama (Rainha da Ordem do Leopardo). O país é território dos povos da etnia Bantu, um dos primeiros africanos a pisarem no Brasil no período colonial. A rainha participou do evento “África - Brasil: Mulheres Negras e um fazer ancestral”, realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura e da Secretaria Municipal de Cultura.

 

O evento integrou a agenda da visita da rainha a Belo Horizonte, organizada pela Casa de Cultura Lode Apara, em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania, da Secretaria Municipal de Educação, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, da Fundação Municipal de Cultura e da Belotur. O encontro promoveu uma roda de conversa com lideranças negras, além de apresentações artísticas de Elisa de Sena, das panderistas Wontanara, Júnia Bertolino, Josi Lopes, Luisa da Lola e Nívia Sabino.  

 

Reconexão

A rainha destacou que sua viagem ao Brasil promoveu uma reconexão com os povos da África. “O Brasil tem uma cultura muito grande, da qual tenho muito orgulho, pois traz uma mescla da cultura europeia, indígena e africana. É uma honra estar aqui e dar reconhecimento às personalidades do Brasil. Fiquei feliz também em ver que elas me reconhecem como uma sobrinha, uma irmã e uma mãe. Estamos todos juntos numa luta muito grande pela igualdade, paz, amor e por um mundo melhor”, ressaltou.

 

Para diretora de Promoção dos Direitos Culturais: Acesso, Protagonismo e Formação da Fundação Municipal de Cultura, Bárbara Bof, a realização de um evento em um ambiente de celebração, cercado pela natureza, fortalece a luta feminina por igualdade. “É fundamental este encontro, principalmente se pensarmos que acontece no Dia Internacional das Mulheres, em uma situação que sabemos que temos pouco a comemorar. Temos estatísticas terríveis em relação ao feminicídio e a violência contra as mulheres no país, e este encontro é simbólico quando pensamos que as mulheres negras são as principais vítimas dessas violências” avaliou.

 

A coordenadora do Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado, Rosália Diogo, destacou a importância da presença da realeza no espaço. “Receber uma rainha africana aqui significa o fortalecimento do propósito e finalidade deste equipamento, que é dar visibilidade a culturas que não tem visibilidade em seu cotidiano, sobretudo a de matriz africana”, afirmou.

 

O evento foi uma oportunidade para estudantes que frequentam o parque ampliarem os seus conhecimentos. A pedagoga e professora da Escola Municipal Lídia Angélica, Ana Paula da Costa, levou três turmas do 4º ano, com alunos com média de idade entre nove e dez anos, para assistir as apresentações. “Tudo que envolve as questões da África gosto de trabalhar com os alunos. Eles ficaram encantados com a rainha. É uma realidade muito distante deles. É muito importante ter estes momentos por ser uma oportunidade de promover esta aproximação cultural”, considerou.