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Foto de uma sala de aula repleta de crianças e professora ensinando matemática por meio do projeto
Fotos: Magi Mappa/PBH

Projeto que mistura arte e matemática inspira estudantes a aprender

02/01/2019 | 15:21 | atualizado em 24/05/2019 | 14:17

As professoras, Ana Paula Salustiano Cleto e Sílvia Adriana Coelho Souza Diogo, que atuam com alunos do 4º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Imaco, da regional Centro-Sul, encontraram um jeito diferente de ensinar Matemática e, ao mesmo tempo, levar o universo das artes para a rotina de seus alunos, utilizando um artigo simples e barato: o lapbook.


O lapbook é definido como um fichário dinâmico que pode conter recortes, desenhos, “minilivros” e dobraduras, utilizando diversas formas, materiais e cores, em uma diagramação diferenciada e interativa. O lapbook dos estudantes da Escola Municipal Imaco traz em uma das abas um bolso com os fatos fundamentais da multiplicação e divisão. No centro, atividades pautadas no livro “Os Problemas da Família Gorgonzola”, de Eva Furnas, além de tirinhas com a escrita por extenso dos numerais. Outras partes do lapbook contemplam outros   exercícios matemáticos.

 

"É um termo inglês que se traduz como livro de colo, e se configura como uma organização de minilivros que variam de forma, tamanho e disposição. O lapbook aglutina de forma simples e compacta diversos temas e conteúdos. Essa técnica nos permite trabalhar a escuta, a atenção, a concentração, o envolvimento, a coordenação motora e a criatividade, entre outras coisas. É um material individual, dinâmico e itinerante, que ajuda na compreensão do que foi estudado na sala de aula e pode ser levado para casa", explica a professora Ana Paula. 


A colega Sílvia completa: “O lapbook é muito utilizado nos Estados Unidos, mas nossa inspiração veio de uma professora brasileira. Vimos nessa estratégia a oportunidade de trabalharmos o lúdico, ao mesmo tempo em que trabalhávamos os conceitos matemáticos necessários ao 4º ano, e  apresentávamos para eles as obras de Mondrian. Com o desenvolvimento do projeto, percebemos que esse recurso pedagógico ultrapassa os limites  da sala de aula e dessa etapa de ensino, podendo ser útil para a vida”.


As possibilidades de trabalho com o lapbook encantaram os estudantes. “Achei muito legal, é diferente do caderno que é só para uma matéria. O lapbook permite várias coisas, a gente pode desenhar, fazer dobraduras, é fácil, é uma ideia legal  que vou usar  muito, porque ele melhorou muita coisa, eu não sabia quase nada de Matemática, de multiplicação, e agora eu sei bastante”, revela a aluna Maria Eduarda Andrade Soares, 10 anos.


O estudo das obras e da biografia de Piet Mondrian, com a geometria e o uso das cores, foi usado como inspiração na composição do lapbook, tornando a tarefa harmônica e significativa, conforme relata o estudante Geovane Victor Pereira Pinto, 10 anos. “Muito interessante, com o lapbook aprendemos mais sobre a arte do Mondrian, porque fizemos várias atividades de artes relacionadas à Matemática, e isso ajudou muito a entender a obra de Mondrian e também a Matemática. É muito divertido fazer as atividades desse jeito, e fica tudo mais fácil de consultar.”  


Boas Práticas


O projeto interdisciplinar, intitulado Lapbook Arte e Matemática: construção para além da sala de aula, alinha, não somente os conteúdos estudados nas disciplinas de Arte e Matemática, mas perpassa também pelo ensino de outras matérias, como Português e Geografia. A proposta das professoras Ana Paula e Sílvia foi um dos 270 projetos selecionados para o 1º Congresso de Boas Práticas dos Profissionais da Educação.


“Muitos professores não registram, não documentam as boas iniciativas que são feitas em sala. Raras vezes, o professor valoriza o que faz, acha que é muito simples, uma coisinha à toa... mas isso pode evoluir, modificar e contribuir com o trabalho de outros, como esse trabalho com o lapbook, que é simples, mas que foi tão significativo para as crianças e muito prazeroso para nós. Então vejo como muito válida essa iniciativa da Prefeitura, que incentiva a fazer esse registro e compartilhar com os colegas nossas práticas”, afirmou Sílvia.


Para Ana Paula, o congresso foi uma oportunidade de valorizar a escola pública. “Excelente iniciativa da Prefeitura, porque possibilita mostrar os talentos ocultos que temos nas escolas, o talento dos professores e dos alunos. Essas práticas vêm mostrar para sociedade o lado bom do professor, do quanto ele se preocupa com o emocional e pedagógico e de como nossos alunos se apropriam disso”, conclui a professora.