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Três pessoas andam em estrada de terra cercada por árvores altíssimas e vegetação densa, durante o dia.
Foto: Divulgação PBH

Projeto de reflorestamento utiliza mudas da Mata Atlântica

22/03/2018 | 16:50 | atualizado em 22/03/2018 | 16:52
A recuperação e revegetação de áreas degradadas em Belo Horizonte, promovidas pelo Projeto Montes Verdes, desenvolvido pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, ganhou novo fôlego. Uma parceria entre a SMMA e o Instituto Chico Mendes (ICMBio) vai produzir, na Floresta Nacional de Passa Quatro, mudas de espécies nativas de Mata Atlântica e Cerrado com baixo custo, boa qualidade e em grande quantidade. 


Segundo colocado no Prêmio Inovar 2016, o Projeto Montes Verdes tem por objetivo identificar, catalogar, caracterizar e propor planos de revegetação de áreas degradadas da capital. O foco inicial do projeto são as áreas públicas municipais. Para o plantio são utilizados recursos humanos existentes na própria Prefeitura e doações e recursos advindos das compensações ambientais do licenciamento ambiental. 


Um dos idealizadores do Projeto Montes Verdes, Marcelo Vichiato explica que a produção de mudas para a restauração ambiental é um dos gargalos para o desenvolvimento de projetos de revegetação da cidade. "As espécies nativas da região de Belo Horizonte, de Cerrado e Mata Atlântica, normalmente apresentam desenvolvimento lento e são mais dificilmente encontradas, uma vez que os viveiros comerciais concentram-se na produção de mudas de espécies voltadas à arborização pública" informa o doutor em Fitotecnia e engenheiro agrônomo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. 


Essa parceria vai viabilizar, este ano, a produção de aproximadamente 4 mil mudas de 26 espécies nativas de Mata Atlântica e Cerrado. Há possibilidade de ampliação desse número nos próximos anos. 


Em 2017, o Montes Verdes possibilitou o plantio de mais de cinco mil mudas de espécies nativas da Mata Atlântica e Cerrado na Serra do Engenho Nogueira, na região da Pampulha. “A parceria com a Floresta Nacional de Passa Quatro é extremamente importante para ampliarmos nosso trabalho e construir o caminho e o sonho de, futuramente, revegetar todas as áreas verdes degradadas de Belo Horizonte", explica o secretário municipal de Meio Ambiente, Mário Werneck.


O projeto da Serra do Engenho Nogueira é um trabalho piloto que vem sendo acompanhado de perto e avaliado por estudo específico na SMMA. O objetivo é chegar a um modelo que permita induzir e revegetar áreas verdes, áreas de preservação permanente (APPs) e outras, de modo eficaz, desburocratizado e a baixo custo para, num futuro próximo, replicá-lo a outras áreas da capital.  



Resultados

Para avaliar os resultados do trabalho e planejar novas ações, profissionais da SMMA e da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica visitaram a Floresta Nacional de Passa Quatro. Os técnicos ficaram satisfeitos com o excelente desenvolvimento das mudas em curto espaço de tempo, bem como alta qualidade das mudas, cuja produção comercial é pouco comum.


De acordo com o engenheiro florestal Rodrigo Teixeira, o know-how da Floresta Nacional para a produção de mudas propiciou a obtenção de mudas de alta qualidade e com baixo custo. “As mudas produzidas em Passa Quatro poderão complementar a demanda por mudas de espécies nas áreas verdes de BH, que ainda não puderem ser atendidas pelo viveiro da Fundação Zoobotânica e por um custo bem abaixo do oferecido pelo mercado", completa.
  


A Floresta Nacional de Passa Quatro 

Fundada na década de 1940, a Floresta Nacional de Passa Quatro é uma das mais antigas unidades de conservação dentro do Bioma Mata Atlântica, administrada pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio) . A unidade foi incialmente fundada para a execução de pesquisas florestais e, ao longo dos anos, passou também a atuar na defesa e preservação da Mata Atlântica. A unidade conta mais 335 hectares de área preservada e está em execução projeto de exploração da floresta plantada com pinus, que estão sendo substituídos gradativamente por espécies da Mata Atlântica.


Segundo o Chefe da Floresta Nacional, Edgard Andrade Junior, além de ser uma unidade de conservação, aberta à pesquisa florestal e de atuar ativamente na proteção de remanescentes de Mata Atlântica, na região onde está localizada, é também um dos principais pontos turísticos da região pela exuberância de sua Mata Atlântica preservada repleta de quaresmeiras, araucária, embaúbas, jequitibás, guapuruvús, jacarandás e embaúbas. "Uma das nossas missões é justamente o apoio na preservação e recuperação da Mata Atlântica em sintonia com o trabalho proposto com o trabalho proposto pelo projeto Montes Verdes”, diz Edgard. 

 

 

22/03/2018. Produção de mudas - Passa Quatro. Fotos: PBH/Divulgação