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Mão com barra de metal e chocalho próximos à estandarte com pintura de Nossa Senhora com o menino Jesus.
Foto: Ricardo Laf/PBH

Prefeitura anuncia os vencedores do 3º Prêmio Mestre da Cultura Popular de BH

21/11/2019 | 18:08 | atualizado em 25/11/2019 | 09:45

Os vencedores do 3º Prêmio Mestres da Cultura Popular de Belo Horizonte serão premiados neste sábado, dia 23 de novembro, às 9h, durante cerimônia no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado (rua Min. Hermenegildo de Barros, 904, Itapoã). 

 

Os vencedores são: Mametu Muiande Keuamaze (Efigênia Maria da Conceição), mestra da cultura e tradição de matriz africana e matriarca do Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango; Nelson Pereira da Silva, Capitão-mestre da Irmandade Os Carolinos; e Paulino Caldeira Barros, mestre da medicina popular na região de Venda Nova. O Prêmio também presta uma homenagem póstuma a Wanda de Oliveira – Dona Wanda (in memoriam), que foi matriarca, parteira e benzedeira na Comunidade Quilombola de Mangueiras.

 

Promovida pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, a premiação tem a finalidade de reconhecer, valorizar e divulgar a atuação dos mestres e mestras da cultura popular, responsáveis pela transmissão e perpetuação de saberes, celebrações e formas de expressão que compõem o patrimônio cultural imaterial da capital mineira.

 

Com o Prêmio Mestres da Cultura Popular de Belo Horizonte, a Prefeitura de Belo Horizonte busca identificar e salvaguardar saberes, celebrações e formas de expressão portadoras de referências à identidade, à história e à memória de determinados grupos formadores da sociedade belo-horizontina.

 

“As respostas podem ser universais, mas os caminhos que conduzem a elas são próprios de cada povo. Os saberes tradicionais estão vivos e atuantes na medula do Brasil, mesmo que sejam desconhecidos na sua superfície. O mundo de hoje carece, mais que nunca, de saberes, saberes no plural”, afirma Juca Ferreira, Secretário Municipal de Cultura.

 

A presidenta da Fundação Municipal de Cultura, Fabíola Moulin, ressalta a importância do reconhecimento dos saberes tradicionais. “A valorização e reconhecimento destes guardiões de saberes e fazeres é uma forma de salvaguardar o patrimônio imaterial da cidade e contribuir para a continuidade de práticas e celebrações que fazem parte da história de Belo Horizonte”, destaca a presidenta.

 

Nesta terceira edição, concorreram à premiação 47 candidatos com idade igual ou superior a 50 anos, atuantes em Belo Horizonte há pelo menos 10 anos e reconhecidos em suas comunidades como detentores do conhecimento indispensável à transmissão de saber, celebração ou forma de expressão tradicional.

 

Os três vencedores receberão um prêmio de R$ 15 mil, além de placa alusiva ao título de “Mestre da Cultura Popular de Belo Horizonte”.

 

 

Sobre os vencedores:

 

Mametu Muiande Keuamaze – Efigênia Maria da Conceição

 

Nascida em 2 de janeiro de 1946, Mametu Muiande é mestra da cultura e tradição de matriz africana. É também a matriarca do quilombo Manzo Ngunzo Kaiango e zeladora (sacerdotisa) do Terreiro desta comunidade quilombola que foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Belo Horizonte, em 2018. Seus saberes tornaram-se referência também em outras Casas de Tradição, ultrapassando os limites territoriais do quilombo. Mãe Efigênia é uma das maiores referências da tradição Angola de Minas Gerais, tendo raízes no Jeje e no Bantu.

 

 

Nelson Pereira da Silva

 

Nascido em 28 de março de 1955, Nelson Pereira da Silva é Capitão-mestre da Irmandade Os Carolinos (Guarda de Moçambique e Congo Sagrado Coração de Jesus). Desde os 7 anos de idade, Nelson Pereira atua nos festejos e celebrações em homenagem a Nossa Senhora do Rosário. Seu bisavô, Francisco Carolino, conhecido como Chico Calu, foi o fundador, em 1917, da comunidade dos Carolinos, localizada no bairro Aparecida, em Belo Horizonte. Há mais de 100 anos, os descendentes de Chico Calu mantêm a tradição afro-mineira compartilhando seus saberes por meio da oralidade e vivência em comunidade. Nelson Pereira é o capitão mais velho da Irmandade, apontado pelos seus pares como um dos detentores do “mistério”, conhecimentos sagrados e ancestrais que são transmitidos somente aos iniciados. Nelson é um dos únicos homens que mantém viva a tradição de benzeção na capital mineira.

 

 

Paulino Caldeira Barros

 

Nascido em 10 de dezembro de 1946, Paulino Caldeira é um mestre da medicina popular. Ele lida com plantas desde os 6 anos de idade na horta e jardim da casa de sua mãe.  Sua avó, neta de indígenas, era curandeira, benzedeira e parteira, sendo ela sua maior professora e inspiração para a continuidade dos estudos a respeito do uso das plantas para a cura.

 

Tendo a Região de Venda Nova como referência de seu ofício, Paulino Caldeira ministra oficinas e cursos sobre ervas e raízes em várias localidades da cidade. Nos últimos 20 anos, o mestre palestrou em mais de 30 cursos na área, sendo responsável por conciliar conhecimentos farmacêuticos, botânicos, químicos e agrônomos. Além disso, foi fundador do Millefolium, um grupo de estudos e formação no uso de plantas medicinais, que se reúne no Centro de Referência da Cultura Popular Tradicional e Parque Lagoa do Nado, em Belo Horizonte.

 

 

Homenagem póstuma - Wanda de Oliveira – Dona Wanda (in memoriam)

 

Dona Wanda, nascida em 24 de julho de 1942, exercia os ofícios de parteira e de benzedeira na Comunidade Quilombola de Mangueiras desde 1967. Era conhecedora dos usos sagrados das folhas na tradição candomblecista, cozinheira e contadora de histórias, além de exercer outras funções na sua comunidade. Foi matriarca do Quilombo de Mangueiras até o seu falecimento (em 26 de agosto de 2019), aos 77 anos, no decorrer deste Prêmio.

 

Por meio de seu grande saber sobre o Sagrado de matriz africana era conhecida pela capacidade de realizar rezas e rituais de curas, sanando males e devolvendo a paz de espírito àqueles que a procuravam. Dona Wanda aprendeu o ofício de parteira com sua mãe, a quem a Mestre auxiliava.

 

 

Edições anteriores do prêmio

 

A primeira edição do Prêmio Mestres da Cultura Popular aconteceu em 2014 e contemplou Dona Isabel, Rainha do Congado de Minas Gerais, o Mestre Conga (José Luís Lourenço), sambista, e Dalila Fabrini, benzedeira (in memoriam). No ano seguinte, a segunda edição premiou Tia Zilda, fundadora da Guarda de Congo Feminina de Nossa Senhora do Rosário do Bairro Aparecida, o Mestre Cavalieri, mestre de capoeira, e a Dona Fininha, benzedeira do bairro Novo Glória (in memoriam).