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Médica atende mãe com seu filho de colo.
Foto: Leila Porto/PBH

PBH oferece atendimento multiprofissional para crianças com alergia ao leite

16/01/2019 | 16:26 | atualizado em 24/05/2019 | 14:17
Prematuro, o pequeno Bernardo Manoel Rodrigues, hoje com oito meses, nasceu com complicações cardíacas, pulmonares e baixo peso. Dois meses após a alta hospitalar, o bebê apresentou sintomas de alergia alimentar, como desarranjo intestinal por 13 dias seguidos e sangue nas fezes. A mãe, Michely Albino Rosa, levou o filho por diversas vezes nos serviços de emergência até confirmar o diagnóstico de alergia à proteína do leite de vaca.
 

“Cheguei a dar leite sem lactose, achando que seria suficiente. Foi então que fiz os exames e consultas necessários e recebi o apoio e orientações dos profissionais da Unidade de Referência Secundária Saudade. Hoje, ele toma fórmula e se alimenta com polpa de frutas. A alergia está controlada”, conta emocionada.


O caso do garoto Miguel Rodrigues Delgado, de dois anos e meio, é semelhante. Quem vê o pequeno cheio de energia e saudável, nem imagina os problemas alimentares com os quais ele convive. O garoto não pode tomar leite e precisa repor o cálcio com suplemento. A mãe descobriu a alergia ao leite aos dois meses idade, quando precisou substituir o leito materno pelo industrializado, na época ela ainda contava com plano de saúde. Ao chegar na unidade, ela começou a fazer acompanhamento no ambulatório e com os profissionais. Considerado um caso grave, o pequeno Miguel tem alergia à proteína do leite de vaca e também alergia ao ovo e ao trigo.

Sua mãe, Carla Samara Batista Rodrigues, conta que o quadro do filho ainda é preocupante, mas ela descobriu como cuidar melhor da alimentação e especialmente, as dificuldades alimentares. Carla esclarece que a sensibilidade está aumentando. “Caso ele beba leite, dependendo da dose, pode causar choque anafilático e risco de morte. Faço acompanhamento também com nutricionista e alergologistas. Mas aqui o atendimento é excelente”, completa aliviada.

A hipersensibilidade é mais comum na infância e acomete de 5 a 10% das crianças com até dois anos de idade. Entre os vários tipos existentes, a alergia à proteína do leite de vaca é a mais comum nessa faixa etária. Para ajudar no diagnóstico, acompanhamento e tratamento da doença, a Prefeitura de Belo Horizonte conta com um ambulatório especializado para pacientes com alergia alimentar.

O serviço é oferecido na Unidade de Referência Secundária Saudade e conta com uma equipe multiprofissional, composta por médicos (pediatra, alergologistas e gastroenterologista), nutricionistas, enfermeiras, assistente social, farmacêutica e equipe administrativa. Juntos, esses profissionais atuam na avaliação de cada caso e trabalham em parceria com a família com o objetivo de proporcionar uma melhora na qualidade de vida dessas crianças.

Médica alergologista, pediatra e pneumologista infantil, Marisa Lages Ribeiro explica que a alergia alimentar se manifesta de duas formas principais: alterações na pele ou no intestino. “As chamadas urticárias deixam a pele empolada e avermelhada, coçam e aparecem logo após o contato, na região da boca ou no corpo, nas primeiras duas horas. A alergia podem causar também cólicas, vômitos, diarreia e às vezes sangue nas fezes. Esse tipo de reação pode causar desidratação”. A médica reforça também que, mesmo o bebê fazendo uso de leite materno, a mulher deve ficar atenta a esses sintomas.
 
Segundo Maria Lages, a prevenção é muito importante. “O leite materno é o principal alimento da criança e deve ser oferecido exclusivamente ao peito, até os seis meses de idade, pelo menos, ou deve ser mantido enquanto a mãe puder continuar amamentando. O aleitamento materno é uma das principais formas de prevenir os processos alérgicos ao longo da vida, além de prolongar o vínculo mãe e filho e do aspecto nutricional e emocional”.

Nos últimos dois anos cerca de 700 crianças passaram pelo ambulatório. O encaminhamento dos pacientes é feito pelos médicos dos centros de saúde por meio de agendamento direto na unidade por contato telefônico. O ambulatório de alergia à proteína do leite de vaca funciona às segundas, terças, quartas e sextas-feiras no período da manhã. Por semana, são realizados, em média, 10 testes de provocação para o diagnóstico e cerca de 30 consultas ambulatoriais.
 
 

16/01/2019. Alergia a Proteína do leite de vaca. Fotos: Leila Porto/PBH


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