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A foto mostra crianças e adolescentes participando de uma apresentação de dança urbana, com movimentos de hip-hop, em uma quadra esportiva coberta. Os participantes vestem uniformes pretos e amarelos, alguns com chapéus, e realizam diferentes movimentos coreográficos, enquanto outros aguardam sua vez. Ao fundo, um grupo de estudantes acompanha a apresentação, sentado e em pé junto à parede.
Cláudio Lacerda/Smed

Oficinas de dança e hip hop incentivam expressão e protagonismo de estudantes da rede municipal

criado em - atualizado em

A dança de rua, o break e outras expressões da cultura hip hop fazem parte das experiências educativas de estudantes da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte. Pelo Programa Escola Integrada (PEI), 178 escolas municipais oferecem atividades no contraturno escolar, atendendo a cerca de 46 mil estudantes. Uma mostra desse trabalho foi a 3ª edição do Festival Hip Hop, realizada na Escola Municipal Fernando Dias Costa, no Taquaril, com a participação de aproximadamente 300 estudantes e monitores de 12 escolas municipais.

O festival reuniu apresentações de dança, rodas de break, grafite ao vivo e DJ, além da participação de artistas da cena hip hop de Belo Horizonte. Realizado durante a Semana da Criança, o encontro promoveu a integração entre estudantes de diferentes regiões da cidade e deu visibilidade às experiências desenvolvidas nas oficinas de dança do PEI.

Criado em 2007, o PEI amplia as oportunidades educativas dos estudantes no contraturno escolar, com oficinas que contemplam áreas como cultura, arte, esporte e meio ambiente. Na área de Cultura, Arte e Patrimônio, o programa oferece atualmente 154 oficinas de dança, nas quais os estudantes têm oportunidades de desenvolver a expressão corporal, conhecer manifestações artísticas e participar de atividades coletivas.

Na Escola Municipal Fernando Dias Costa, o festival foi resultado do trabalho realizado nessas oficinas ao longo do ano. Para o diretor da unidade, Marcelo Graciano, a identificação dos estudantes com a cultura hip hop contribuiu para o crescimento da iniciativa ao longo das três edições. Segundo ele, a participação dos próprios estudantes e monitores fortalece o vínculo com a comunidade escolar e amplia as oportunidades de protagonismo juvenil.

Da oficina às competições de break

Foi no Programa Escola Integrada, em 2023, que Sophia Emanuele, hoje com 11 anos e aluna do 5º ano do ensino fundamental, descobriu a paixão pelo break. Influenciada pelo primo, ela começou a frequentar a oficina de dança e logo teve seu potencial reconhecido por um monitor do projeto. Com o incentivo dele e a autorização da família, Sophia passou a participar de competições regionais e mostrou que tinha talento também fora da escola: em seu primeiro campeonato, conquistou o terceiro lugar. 

A experiência com a dança trouxe novas oportunidades e amizades, fortalecendo os vínculos da estudante com os colegas e com a comunidade. “A dança me trouxe muitas amizades e isso foi legal!”, conta Sophia, que vê na atividade uma forma de aprender, conviver e ampliar seus horizontes.

A coordenadora do Programa Escola Integrada na Escola Municipal Fernando Dias Costa, Vanessa Cimini, explica que o festival representa um momento de reconhecimento do trabalho desenvolvido durante o ano. Na competição, os próprios monitores das oficinas atuaram como jurados, avaliando as apresentações. Foram 12 grupos participantes, com premiações para os três primeiros colocados. A Escola Municipal Professora Alcida Torres conquistou o primeiro lugar.

Para Vanessa, a avaliação e a premiação também fazem parte da experiência educativa, ao valorizar o empenho dos estudantes e promover o reconhecimento entre os participantes.

O festival contou ainda com a participação de artistas ligados à cultura hip hop. O DJ ALS foi responsável pela música das apresentações. Alex Silva dos Santos, o b-boy Session e um dos idealizadores do evento, fez uma apresentação de break. O grafiteiro Mister Towch, formado em artes plásticas pela Escola Guignard, produziu um painel durante a programação. Os rappers W2 e Sandrão também participaram do encontro. 

Para Sandrão, a presença do hip hop no ambiente escolar amplia as possibilidades de expressão dos estudantes. “O hip hop acontecendo dentro das escolas como arte, dança, música é uma maneira dessas crianças e adolescentes se sentirem pertencentes e encontrarem um modo de expressão consciente de suas identidades”, afirma.