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Cinco cadeirantes, dos quais três são mulheres com vestidos bordados, e dois homens, acompanhados de uma mulher, de pé.
Foto: Divulgação PBH

Oficina de dança trabalha consciência corporal e autoestima de cadeirantes em BH

26/12/2019 | 14:19 | atualizado em 27/12/2019 | 12:06

Com o objetivo de proporcionar aos cadeirantes a formação em dança – utilizando a cadeira de rodas e o corpo como meio de executar os movimentos – o Centro Cultural Pampulha iniciou em novembro a oficina “Movimento e Sensibilização”. Um mês depois, comemora a participação de oito alunos com paraplegia dos membros inferiores nas aulas de dança cigana. A proposta é não se prender a um único ritmo e dar condições para que os participantes tenham percepção de suas possibilidades e maior controle do tronco.

 

Conduzida pela terapeuta de movimento Marta Maria Silva de Mattos, a oficina trabalha ainda a percepção do ritmo, do movimento e da atuação do corpo na execução da dança; a autoestima e a melhoria da qualidade de vida para o corpo com o diferencial da ausência de coreografia, adaptando-se à condição de cada participante. A iniciativa é voltada também para a formação de professores de dança para portadores de deficiência.

 

A ideia de trabalhar com cadeirantes surgiu há cerca de dois anos, quando Marta Mattos iniciou um projeto experimental com Karen Aguiar, que buscava dançar por meio da condução independente da cadeira de rodas e se tornou, então, sua primeira aluna. A princípio, o trabalho foi desenvolvido em uma academia sem acessibilidade para cadeirantes. Comprovada a viabilidade das aulas, a professora passou a buscar um espaço mais adequado e que pudesse incluir mais cadeirantes, surgindo a atual parceria com o Centro Cultural Pampulha.

 

Gerente do local, Ramalho Almeida Júnior contou que o primeiro contato com Marta e Karen aconteceu em abril de 2019, quando realizaram, em conjunto, a primeira edição do “Dançando no CCP”, evento em que a aluna apresentou um número de dança em cadeira de rodas. A partir daí surgiu a ideia da oficina para esse segmento da população.

 

“Essa oficina veio fortalecer nosso esforço para ampliar o acesso plural à cultura em nosso equipamento para uma parcela da população que é muito ativa e busca oportunidade de mostrar seus talentos. A oficina não trabalha somente a dança em si, mas também a percepção do corpo, as técnicas mais eficazes de manuseio da cadeira de rodas, além de abrir um espaço de troca de experiências e criação de novos vínculos de amizade e convivência, tendo a cultura como ponto em comum”, explicou o gerente.

 

 

Desenvolvimento das potencialidades

Aos 21 anos, Karen Aguiar Oliveira de Ramos continua a praticar a dança e ressalta os benefícios da atividade, principalmente a inclusão e o fato de ter contato com outros cadeirantes. “Tem sido muito divertido dançar e aprender com outras pessoas, e poder passar meus conhecimentos, aquilo que já aprendi. Além disso, você adquire um melhor condicionamento físico”, afirmou.

 

Outro participante bem ativo é o aposentado Ricardo Ramiro dos Santos. Ele já frequentou o programa Superar nas aulas de dança e natação, praticou rugby em cadeira de rodas e recentemente tem atuado como atleta paraolímpico de halterofilismo na UFMG. “É um tempo que você dedica pra você. O que a gente vê é muito cadeirante bem caseiro, porque tem dificuldades de sair de casa. A dança é importante porque ajuda na socialização e na comunicação, e também a desenvolver o controle de tronco. A pessoa vê que pode fazer outras coisas e isso motiva a gente.”

 

A costureira Nilma da Silva Santos, de 42 anos, contou que antes precisava de ajuda com a cadeira em algumas situações, mas hoje consegue se locomover sozinha. “É muito bom praticar a dança, pois temos mais disposição para conduzir a cadeira e força para se guiar na rua. Por meio da dança descobri essa força e o potencial que eu tenho para mover minha cadeira. Antigamente eu era muito tímida, mas a gente se socializa e vai ganhando confiança. A gente que impõe o próprio limite”, afirmou. 

 

A aposentada Naila Torres Campos, de 35 anos, está vivendo sua primeira experiência em dança na cadeira de rodas. “É comum o cadeirante ficar muito em casa por causa de preconceito ou da falta de acessibilidade. Entrei nessa luta para incentivar os deficientes a saírem de casa. A dança na cadeira levanta a autoestima do cadeirante. Aprendemos a mexer o corpo como um todo, independentemente de estar sentado ou pé. Cada um vai do seu jeito e na sua capacidade.”

 

A terapeuta Marta Mattos argumenta que, além de proporcionar momentos de lazer para o cadeirante, o projeto abre a possibilidade de os participantes se tornarem futuros terapeutas de movimento para outros portadores de paraplegia dos membros inferiores.

 

O trabalho vai além das questões físicas, pois consiste em trabalhar a confiança e demonstrar as possibilidades de movimento para que os cadeirantes possam se autodesenvolver. “Não se trata de uma atividade fácil. Dançar e movimentar a cadeira de forma autônoma exige coordenação, disciplina e equilíbrio. Tornar alguns destes cadeirantes instrutores de movimento é o objetivo maior deste trabalho, conferindo dignidade e cidadania para este público”, afirmou a professora. 

 

 

Como participar

As aulas acontecem às terças-feiras, nos horários de 17h e 18h no Centro Cultural Pampulha. São oferecidas 30 vagas em duas turmas de 15 alunos cada uma. O calendário de 2020 começa em 4 de fevereiro. Para participar, o aluno precisa ter os movimentos dos membros superiores para conduzir a cadeira de rodas sem ajuda de terceiros. As inscrições devem ser feitas no Centro Cultural Pampulha, à rua Expedicionário Paulo de Souza, 185, bairro Urca. O telefone para informações é o 3277-9292.

 

 

26/12/2019. Oficina de dança para cadeirantes. Fotos: Divulgação/PBH

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