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Montagem com recortes de imagens da fotógrafa Mana Coelho e do estilista Markito. Ela está deitada, com os braços sobre a cabeça, e ele está sorrindo, olhando para o alto. Imagem em preto e branco.
Montagem/Acervo Mana Coelho-MHAB e Felipe Bivar

Novas exposições nos museus da Moda e Abílio Barreto reúnem ricos acervos históricos

criado em - atualizado em

A Prefeitura de Belo Horizonte abre ao público, nos dias 25 e 26 de setembro, duas novas exposições que recuperam trajetórias marcantes da cultura e da história brasileira. No Museu da Moda de Belo Horizonte (Mumo), que está completando 10 anos de criação, a mostra “Markito: Cintilações da Noite” revisita a obra e o universo criativo do estilista mineiro que ganhou projeção nacional e internacional entre as décadas de 1970 e 1980. Já o Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) apresenta “Mana Coelho: Fotopioneira”, dedicada à fotógrafa que registrou importantes transformações políticas, sociais, urbanas e culturais de Belo Horizonte e de Minas Gerais.

As iniciativas, e todas as atividades que se desdobram delas ao longo do mês, integram a programação da 20ª Primavera dos Museus, realizada nacionalmente pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Todas as atividades são gratuitas e integram o projeto “Museus Centro – O Percurso da Memória de Belo Horizonte”, realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, em parceria com o Viaduto das Artes. A programação completa pode ser consultada no site do projeto e no Portal PBH.

A presidenta da Fundação Municipal de Cultura (FMC), Bárbara Bof, destaca a importância da Primavera dos Museus e celebra o lançamento das duas novas exposições do Mumo e do MHAB. “A Primavera dos Museus é um convite para pensarmos na pluralidade das histórias que os museus preservam e compartilham. As exposições mostram como os acervos podem ganhar novos sentidos quando são colocados em diálogo com o público, seja pela redescoberta de uma trajetória artística, seja pela possibilidade de revisitar a história da cidade por meio das imagens de quem a acompanhou de perto”, afirma Bárbara.

Para a diretora de museus da FMC, Isabela Guerra, as exposições reforçam a importância dos museus como espaços capazes de revisitar diferentes trajetórias e colocá-las em diálogo com a contemporaneidade. “Ao recuperar histórias como as de Markito e Mana Coelho, os museus reafirmam seu papel como lugares vivos de memória e também de reflexão sobre o presente. São histórias muito diferentes, construídas a partir da moda e da fotografia, que nos permitem compreender transformações culturais e sociais do país e reconhecer sujeitos e olhares fundamentais para a construção dessa memória”, ressalta a diretora.

Markito: moda, liberdade e invenção

Paetês, franjas, bordados, fendas, decotes e tecidos fluidos. No final dos anos 1970 e início dos 1980, quando a noite se transformava em espaço de experimentação e liberdade, Markito levou esse universo para a passarela. Suas criações vestiram algumas das principais artistas do país e fizeram da roupa um ponto de encontro com a música, o cinema, as artes cênicas e a vida noturna, traduzindo também as transformações culturais e comportamentais de uma época.

Nascido em Uberaba, em 1952, o mineiro Marcos Vinícius Resende Gonçalves, mais conhecido como Markito, produziu artesanalmente camisetas, trabalhou como freelancer e figurinista e passou uma temporada em Nova York antes de retornar ao Brasil, abrir seu próprio ateliê e se dedicar ao prêt-à-porter feminino e à moda festa. Foi especialmente na passagem dos anos 1970 para os 1980 que seu trabalho ganhou projeção nacional e internacional e se tornou indissociável dos universos disco e do glamour.

“A exposição é um convite para redescobrir o legado do estilista mineiro Markito e reconhecer sua relevância para a moda brasileira", afirma Carolina Ladeira, uma das curadoras da mostra e coordenadora do Mumo. "Ao revisitar sua trajetória, a mostra também reafirma a importância de preservar a memória da moda como parte da história cultural do país. Desejo que esse reencontro desperte um olhar contemporâneo sobre suas criações e permita que sua obra continue a inspirar as novas gerações”, completa.

O acervo reúne roupas, fotografias, documentos, objetos e registros da imprensa. Entre os destaques estão fotografias de Antônio Guerreiro retratando personalidades como Betty Faria, Christiane Torloni e Gal Costa; o vestido de franjas inspirado em “O Grande Gatsby”; peças da coleção “The Party Must Go On”, de 1980; e dois figurinos criados para Ney Matogrosso, em 1982.

A mostra recupera ainda aspectos menos conhecidos dessa trajetória. Markito valorizava o trabalho das bordadeiras de Uberaba e chegou a manter um ateliê com cerca de 150 funcionários, que produzia aproximadamente 300 vestidos por mês, além de exportar suas criações para os Estados Unidos. Outro núcleo apresenta a Markito Lipstick, marca criada em 1975 que se aproximava da moda jovem e propunha formas de vestir menos delimitadas pelas distinções tradicionais de gênero.

Abertura reúne oficinas, visitas e seminário

A abertura de “Markito: Cintilações da Noite”, em 25 de setembro, terá uma série de atividades que integram a 20ª Primavera dos Museus. A exposição estará aberta à visitação a partir das 10h. Às 14h, a oficina “Do Vestido à Coleção” parte de uma criação em preto e branco do estilista para experimentar elementos como silhueta, proporção, contraste, volume e detalhes. Às 15h, uma visita mediada apresenta a trajetória de Markito e as relações entre sua produção, seu tempo e diferentes formas de expressão.

Às 19h, o seminário “Moda para todas as pessoas: museus, corpos e memória” amplia as discussões propostas pela exposição. Os debates se organizam a partir de questões relacionadas à memória e aos apagamentos; aos ofícios, práticas e saberes; aos corpos, à acessibilidade e à inclusão.

A programação continua no dia 26. Às 10h, a oficina “Desatando a Gravata” convida os participantes a deslocar a gravata de seu uso tradicionalmente masculino e formal para experimentar sua transformação em golas, colares, faixas, cintos e outros objetos vestíveis. Às 14h, os designers de moda e bordadores Ana Andrade e Guilherme Avelino conduzem a “Oficina de Bordado em Meia-Calça”, dedicada à aplicação de bordados em pedraria sobre tecidos elásticos. Às 16h, uma nova visita mediada à exposição encerra a programação do dia.

E fechando as atividades do Mumo em setembro, será realizada, no dia 29, às 18h, a oficina “Memórias e Registros: Álbuns Fotográficos Artesanais”. A atividade convida os participantes a criar um álbum físico a partir de fotografias, textos e colagens. Para participar, é necessário realizar inscrição previamente por meio de formulário. A atividade é indicada para maiores de 18 anos e as vagas são limitadas.

A trajetória da fotojornalista Mana Coelho

No dia 26 de setembro, às 14h30, o MHAB abre a exposição “Mana Coelho: Fotopioneira”. Com curadoria de Álvaro Sales, Ana Paula Portugal e da própria fotógrafa, a mostra recupera a trajetória da profissional entre as décadas de 1970 e 1980, período em que atuou em um mercado majoritariamente masculino e fez de suas lentes testemunhas de importantes acontecimentos da vida política, social e cultural de Belo Horizonte e de Minas Gerais. O evento de abertura contará com uma roda de conversa aberta ao público, das 14h30 às 16h30, com os curadores da mostra.

Nascida em Recife, em 1957, Mana Coelho mudou-se ainda criança para Belo Horizonte e começou a se aproximar da fotografia durante a adolescência. Aos 19 anos, ao mesmo tempo em que ingressava no curso de Ciências Sociais da UFMG, passou a integrar o Jornal dos Bairros, periódico voltado especialmente às classes trabalhadoras de Belo Horizonte e Contagem. Mais tarde, atuou como fotógrafa independente para veículos como a revista IstoÉ e o Jornal do Brasil, sendo posteriormente contratada pelo jornal O Globo.

A exposição chama atenção não apenas para aquilo que suas imagens registraram, mas também para a mulher que esteve atrás da câmera e participou da construção das imagens pelas quais aquele período seria lembrado. A mostra permite, ainda, conhecer o cotidiano do fotojornalismo analógico, da preparação dos equipamentos à revelação dos negativos, produção das provas de contato, seleção e identificação das imagens e sua transmissão para as redações.

Adquirida pelo MHAB em 2005, a Coleção Mana Coelho reúne 18.690 itens, entre negativos, fotografias e provas de contato produzidos entre 1976 e 1986. Organizado em temas como política, manifestações, trabalhadores, condições urbanas, arte e cotidiano, o conjunto constitui hoje uma importante fonte para compreender Belo Horizonte e as transformações da sociedade brasileira no período.

Serviço
Exposição “Markito: Cintilações da Noite”

Local: Museu da Moda de Belo Horizonte (MUMO) – Rua da Bahia, 1.149
Visitação: Quarta a domingo, das 10h às 18h
Entrada: gratuita

25 de setembro

10h – Abertura para visitação
14h – Oficina “Do Vestido à Coleção”

Inscrições: formulário
Classificação: livre

15h – Visita mediada

Classificação: livre
Sem inscrição prévia

19h – Seminário “Moda para todas as pessoas: museus, corpos e memória”

Entrada: livre e gratuita, sujeito à lotação do auditório

26 de setembro

10h – Oficina “Desatando a Gravata”

Maiores de 18 anos / Inscrições por formulário

14h – Oficina de Bordado em Meia-Calça, com Ana Andrade e Guilherme Avelino

Maiores de 16 anos/ Vagas limitadas/ Inscrição prévia por formulário

16h – Visita mediada

Classificação: livre

Sem inscrição prévia

29 de setembro (terça-feira), 18h

18h - Oficina “Memórias e Registros: Álbuns Fotográficos Artesanais”

Vagas limitadas/ Inscrições por formulário

Classificação: a partir de 18 anos



Exposição “Mana Coelho: Fotopioneira”

Local: Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) - Avenida Prudente de Morais, 202 – Cidade Jardim

Visitação: Quarta a domingo, das 10h às 18h

Entrada: gratuita

Classificação: livre

26 de setembro

14h30  – Abertura da exposição

14h30 às 16h30 – Roda de conversa com os curadores: Mana Coelho, Álvaro Sales e Ana Paula Portugal