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Fachada do MIS Cine Santa Tereza, ao entardecer.
Foto: Ricardo Laf/PBH

MIS Cine Santa Tereza recebe Mostra Cinema do Brasil

03/04/2019 | 18:52 | atualizado em 09/04/2019 | 09:03

O Museu de Imagem e Som (MIS) Cine Santa Tereza recebe, de 4 a 7 de abril, a Mostra Cinemas do Brasil que vai apresentar 23 curtas-metragens e um longa,  todos documentais. As produções têm como protagonistas as trajetórias de diversas salas de cinema no país que vieram seu auge na metade do século XX e começaram a declinar vertiginosamente a partir da década de 1980.

 

A mostra, coordenada por Eudaldo Monção Jr e viabilizada com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura, chega à capital mineira depois de  circular por diversos estados brasileiros.

 

A programação pretende discutir a situação atual desses espaços, muitos deles monumentos arquitetônicos. Os ingressos são gratuitos e distribuídos 30 minutos antes de cada sessão.

 

As salas de cinema que começaram a se instalar no Brasil desde o final do século XIX representaram um dos mais importantes espaços de entretenimento e cultura, sendo responsáveis pela ampla popularização da linguagem cinematográfica no país. Os primórdios do cinema em Belo Horizonte têm na instalação da Companhia Cinematográfica Barruci, que exibia as novidades vindas do Rio de Janeiro, em 1905, seu primeiro marco histórico.

 

Desde então, Belo Horizonte viu nascer diversas salas de exibição, tais como o cinema Central (1907); o Cinema Comércio (1909); o Colosso, o Comércio, o Familiar, o Bahia e o Pavilhão Variedades (1911); o Odeon (1912); o Floresta Cinema (1915); o Cine Pathé (1920); o Cinema Democrata e o Cine Gloria (1927); o Cinema Vitória (1934); o São Luiz, o São Sebastião, o Bagdad,  o São José e o Cine Metrópole (em 1942); o Cine Tupi (1950); o Cine Mauá e o Cine Alvorada (1958); o Cinema Candelária (1968); a sala de cinema Salgado Filho (1961); o Cine Palladium (1963); a sala de cinema Nazaré (1963) e inúmeros outros que se espalharam não apenas na região Central, mas em diversos outros bairros. A cidade contava também com o “Cine-Grátis”, fundado em 1949, que percorria vários bairros da cidade com apresentações de filmes.

 

A partir de 1980, com o processo de decadência dos cinemas de rua em função da chegada do home vídeo e da consolidação da televisão, os cinemas de rua (como são chamados os espaços exibidores fora dos centros comerciais) foram desaparecendo. Em 1985, das dezenas de salas que existiram, restaram 15, das quais 12 exibiam exclusivamente filmes pornográficos. Hoje, Belo Horizonte conta com apenas cinco salas de cinema fora de espaços comerciais: o MIS Cine Santa Tereza, o Cine Belas Artes, o Cine Humberto Mauro, o Cine Teatro Brasil e o cinema do SESC Palladium.

 

 

MIS Cine Santa Tereza

A Mostra é realizada em um espaço emblemático da cultura cinematográfica da capital mineira, o MIS Cine Santa Tereza, inaugurado em 1944 em um imóvel assinado pelo arquiteto Rafaello Berti, e que teve suas portas fechadas em 1980, dando espaço para casas de shows e boates. Em 2003, o imóvel, que é patrimônio histórico da cidade, foi desapropriado pela Prefeitura de Belo Horizonte. Após obras de requalificação arquitetônica e tecnológica, em 2016, foi convertido no primeiro cinema de rua público da Prefeitura que hoje oferece sessões gratuitas de cinema, além de uma biblioteca pública.

 

Programação

 

Dia 4, quinta-feira

• Às 19h30

Sessão Cinema no Interior (85 min)

Cine Rio Branco  (Eudaldo Monção Jr. | Brasil | 2017|  Documentário | 17min)

Cine Centímetro (Dannon Lacerda  | Brasil | 2013 | Documentário |  15 min)

Extintos Cinemas (William Tenório | Brasil | 2017| Documentário | 13 min)

Uma balada para Rocky Lane (Djalma Galindo  | Brasil | 2015 |  Documentário | 20 min

Memórias do Cine Argus  (Edivaldo Moura | Brasil | 2014 | Documentário | 19 min)

Classificação indicativa: livre.

 

Dia 5, sexta-feira

• Às 17h

Sessão Memorabilia (64 min)

A morte do cinema (Evandro de Freitas | Brasil | 2015 | Documentário | 20 min )

Cine Rincão  (Fernando Grostein Andrade| Brasil | 2012 | Documentário | 15 min)

O que se memora (Caio Dornelas / Ernesto Rodrigues | Brasil | 2015 | Documentário | 10 min)

Cinemas de Rua de Curitiba (Roberval Machado  | Brasil | Documentário | 2006 | Documentário | 5 min)

Cine Paissandu: histórias de uma geração (Christian Jafas | Brasil | 2013 | Documentário | 15 min)

Classificação indicativa: livre.

 

• Às 19h30

Sessão O Cinema Vive (65 min)

Cine S. José (William Tenório | Brasil | 2018 | Documentário | 12 min)

Cine Vaz Lobo  (Luiz Claudio Lima | Brasil | 2015 | Documentário |  6 min)

Cinema, Onde Você Está? (Edvaldo Santos | Brasil | 2015 | Documentário | 15 min)

Cinema do Meu Bairro, Cadê Você? (Renata Lima | Brasil | 2015 | Documentário | 13 min)

Cine Brasília (Boca Migotto | Brasil | 2014 | Documentário | 20 min)

Classificação indicativa: livre.

 

Dia 6, sábado

• Às 19h

Sessão O Novo Cinema de Rua (64 min)

Cosmorama- Retratos dos cinemas em Caruaru (Moema França | Brasil | 2016 | Documentário | 14 min)

Sessão Entre Amigos  (Cristhine Lucena | Brasil | 2010 | Documentário |  6 min)

Cine Éden (Edson Bastos | Brasil | 2013 | Documentário | 15 min)

Casa Sem Janela (Juliette Yu-Ming | Brasil | 2014 | Documentário | 13 min)

Classificação indicativa: livre.

 

Dia 7, domingo

• Às 17h

Sessão Espectadores (62 min)

Entre Andares (Aline Van der Linder/ Marina Moura Maciel | Brasil | 2016 | Documentário | 15 min)

Cine São Vicente  (Kleber Camelo | Brasil | 2015 | Documentário |  21 min)

Isso Vale Um Filme (Bruna Cabral  e outros | Brasil | 2016 | Documentário | 15 min)

Victor Vai ao Cinema (Alberto Tenório| Brasil | 2018 | Documentário | 12 min)

Classificação indicativa: livre.

 

• Às 19h

Cine São Paulo- o Estado das Coisas  (Felipe Tomazelli | Brasil | 2017 | Documentário | 77 min)

Desde 1940, quando seu pai comprou um cinema na cidade de Dois Córregos (SP), a vida de Francisco Teles foi definida por esse lugar. A sala, que já teve diversos nomes, mortes e ressurreições, é o símbolo vivo da passagem do projetor a carvão ao digital, da resistência diante da TV e do videocassete e também da memória afetiva na cidade de filmes como “O homem que sabia demais”, de Alfred Hitchcock, “Superman”, de Richard Donner, e “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles.

Classificação indicativa: livre.