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 Recipiente com vidro fundido na cor laranja e amarelo. Vidro produzido com resíduos de marmoria em pesquisa de servidores da Secretaria Municipal do Meio Ambiente
Foto: Wanderson Marinho.

Meio Ambiente faz pesquisa para reaproveitamento de vidros

12/03/2018 | 15:39 | atualizado em 02/04/2018 | 09:10
A geração de resíduos é um dos impactos mais comuns das atividades industriais, necessitando de medidas para a sua redução e sua destinação final ambientalmente adequada.


Um exemplo comum nas cidades são as indústrias de beneficiamento de rochas ornamentais, conhecidas como marmorarias. Essas indústrias geram, basicamente, aparas de rochas e lama oriunda do corte desses materiais. “Em geral, a destinação mais comum são os aterros para resíduos não domésticos. Embora seja o procedimento mais utilizado, a forma de destinação atual não permite o aproveitamento futuro desse tipo de resíduo”, disse Wanderson Marinho, gerente de Licenciamento de Atividades Industriais da Secretaria de Meio Ambiente.


Pensando nisso, uma equipe da Gerência de Licenciamento de Atividades Industriais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA), tem desenvolvido, desde 2008, estudos e pesquisas para caracterização de resíduos de indústrias de marmoraria para identificar possíveis aplicações desses materiais. Foram identificados na produção de materiais cerâmicos, artefatos de concreto hidráulico, materiais compósitos e até mesmo vidros, resíduos específicos com potencial de aproveitamento.

 

Entre estes trabalhos desenvolvidos na SMMA, a produção de vidros possui estudos mais avançados. “Amostras de vidro foram produzidas a partir da identificação de resíduos de marmorarias com alto teor de sílica, uma das matérias primas do vidro comum. O vidro comum, utilizado em janelas e garrafas, por exemplo, é produzido pela mistura de material rico em sílica, com compostos de sódio (soda) e cálcio (cal), daí são também conhecidos como vidros sílica-soda-cal”, explicou Marinho.


Para validação do uso desses resíduos para a produção de vidros, ainda são necessárias várias caracterizações das amostras, para comprovar a qualidade técnica do material e o potencial de uso do mesmo como matéria-prima. Mas de acordo com Wanderson Marinho, os resultados iniciais são animadores. Tanto a produção das amostras de vidros, quanto a sua caracterização estão sendo realizadas em parceria com Pesquisadores e Professores do CETEC-MG, UEMG e CEFET-MG. A caracterização dos vidros deverá ser concluída ainda este ano e publicada em Congresso da área de Engenharia de Materiais.


“A expectativa, caso os estudos apontem a viabilidade do uso do material, é a de disponibilizar o acesso aos trabalhos pelos interessados, a fim de estimular o uso nobre de tais resíduos, reduzindo sua destinação e os custos associados para os aterros, além de beneficiar o meio ambiente, tanto em Belo Horizonte quanto nas jazidas onde ocorre a extração desses materiais”, concluiu Wanderson Marinho.


Secretário de Meio Ambiente, Mário Werneck afirma que a SMMA possui vários servidores com pós-graduação, Mestrado e Doutorado e que muitos têm utilizado dados dos próprios trabalhos desenvolvidos no licenciamento, planejamento e gestão ambiental, para realizar pesquisas e propostas de melhoria de procedimentos e das questões ambientais.

 

 

12/03/2018. Aproveitamento de resíduo Industrial. Foto: Wanderson Marinho/PBH