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Imagem aérea da vista parcial do Alto Vera Cruz, com imóveis, muro de contenção de encosta e uma escada de acesso à comunidade.
Amir Martins/PBH

Juventude em Movimento oferece qualificação profissional a 300 pessoas de 14 a 29 anos em situação de vulnerabilidade

criado em - atualizado em

Belo Horizonte ganha reforço na capacitação de 300 jovens em situação de vulnerabilidade. Com investimento de R$ 300 mil, o projeto Juventude em Movimento vai atuar por um ano e meio nos bairros Alto Vera Cruz, Taquaril e Granja de Freitas, na região Leste, preparando adolescentes de 14 a 29 anos para o mercado de trabalho e fortalecendo competências socioemocionais.

A parceria que cria as novas oportunidades foi firmada nesta segunda-feira (26) pela Secretaria Municipal de Segurança e Prevenção (SMSP) e a Rede Cidadã. O Juventude em Movimento também vai oferecer alternativas para o enfrentamento ao trabalho infantil no tráfico de drogas, respeitando os direitos dos adolescentes e as condições legais para o trabalho protegido.

“É uma alegria muito grande estar aqui neste momento e celebrar a possibilidade de gerar oportunidades para os jovens. Quando vejo trabalhos como este, tenho esperança de que vamos construir um Brasil melhor. Acredito muito na educação, que considero o caminho para isso. Conhecemos exemplos bem-sucedidos de jovens que por meio de projetos como este ingressaram nas empresas e conseguiram crescer profissionalmente. Isso mostra a importância de criar oportunidades e abrir caminhos para um futuro melhor. Espero que possamos celebrar muitas outras iniciativas como esta”, ressaltou o secretário municipal de Segurança e Prevenção Marcio Lobato.

Oportunidades de trabalho

Outra frente do projeto é a aproximação dos participantes jovens de oportunidades no mercado do trabalho. A meta é encaminhar pelo menos 70% dos jovens atendidos, de acordo com o interesse e perfil compatível. Para isso, estão previstas ações de orientação para elaboração de currículos, preparação para entrevistas, comunicação profissional e acesso a programas de aprendizagem, instituições de qualificação, serviços públicos de emprego e empresas parceiras.

Os encaminhamentos serão realizados conforme o perfil e o interesse dos participantes, sem garantia de contratação. No caso dos adolescentes, as ações deverão observar a legislação vigente e as condições de proteção previstas para o trabalho protegido nessa faixa etária.

O trabalho será executado pela Rede Cidadã, OSC selecionada pelo Edital de Chamamento Público SMSP Nº 01/2026, com metodologia de formação socioemocional e profissional articulada às ações de prevenção social à criminalidade da SMSP.

“Pela primeira vez teremos uma iniciativa de prevenção à criminalidade aliada à aprendizagem emocional, ao trabalho protegido e à inclusão produtiva de adolescentes e jovens, dentro das próprias comunidades. Estamos possibilitando a aproximação desse público ao mundo do trabalho com ações protetivas e de formação integral, buscando criar oportunidades e ao mesmo tempo fortalecer os direitos fundamentais de adolescentes e jovens”, destaca a diretora de Prevenção Social à Criminalidade da SMSP, Márcia Alves.

Formação e experiências no território

A seleção e a captação dos participantes serão realizadas por meio de ações de mobilização no território L4, com foco inicial nas escolas. A mobilização também envolverá Centros de Referência de Assistência Social (Cras),  outros equipamentos da rede socioassistencial, serviços públicos, organizações comunitárias, instituições de juventude e lideranças locais. Os jovens interessados serão selecionados e cadastrados durante essas ações. As turmas serão organizadas por faixa etária e, caso o número de inscritos ultrapasse a quantidade de vagas disponíveis, será formada uma lista de espera.

O projeto prevê a formação de 300 adolescentes e jovens, organizados em 15 turmas de até 20 participantes. Cada participante terá carga horária de 36 horas, com atividades distribuídas conforme as faixas etárias de 14 a 16 anos, 17 a 21 anos e 22 a 29 anos.

A formação abordará temas como identidade, autoconhecimento, comunicação, convivência, diversidade, direitos do trabalhador, trabalho protegido, educação financeira, preparação para processos seletivos, práticas administrativas e futuro do trabalho. Os participantes também serão estimulados a construir um projeto de vida e um Plano de Desenvolvimento Individual, com certificação para quem cumprir os critérios de frequência estabelecidos.

O projeto inclui ainda vivências territoriais de prevenção, cultura e protagonismo juvenil, realizadas mensalmente e abertas a outros adolescentes e jovens da região, mesmo que não participem da formação principal. As atividades poderão resultar em intervenções culturais, campanhas, produções audiovisuais, mapas de riscos e de proteção e outras iniciativas coletivas voltadas à cidadania, à convivência comunitária e à prevenção da violência.

Desafios

A região onde o projeto será implantado apresenta Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ) de 72,8, o mais alto entre os territórios analisados pela política municipal. Também registra histórico de elevada letalidade juvenil e desafios relacionados à trajetória escolar, aos vínculos comunitários e à exposição precoce a situações de violência e trabalho.

A projeto dá continuidade ao importante trabalho de Prevenção Social à Criminalidade já realizado no território, conhecido como L4. Em 2025, foram promovidas 130 atividades, que alcançaram 315 adolescentes e jovens, com 1.421 participações. As ações incluíram atividades em escolas e espaços comunitários, oficinas culturais e rodas de conversa.