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Flores nas cores rosa escuro, rosa claro e branco ocupam parte de Jardim Botânico. Ao fundo, vegetação verde durante o dia.
Foto: Suziane Fonseca/PBH

Jardim Botânico tem destaque na preservação da flora brasileira

22/11/2018 | 16:50 | atualizado em 22/11/2018 | 17:13
Referência nas áreas de botânica aplicada, fitossanitarismo e produção vegetal, o Jardim Botânico (JB) da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB) é um espaço dedicado à conservação e exposição de coleções de plantas. Com sete jardins temáticos, três estufas temáticas, 130 espécies de plantas ameaçadas de extinção, 3.500 espécies em exposição, 100 mil m2 de área e 27 anos de história, suas prioridades são ações e estudos voltados para a conservação da flora, especialmente a de Minas Gerais, com destaque para as espécies raras, endêmicas, ameaçadas de extinção e aquelas com potencial uso econômico (seja ornamental, medicinal, alimentício) ou de uso em recuperação de áreas.
 

Além disso, o JB colabora na criação de políticas públicas e no desenvolvimento de programas educativos e de pesquisa e também da manutenção de coleções de plantas vivas, que são devidamente documentadas e conservadas. O JB é responsável, ainda, por produzir mudas destinadas à arborização pública e à recuperação de áreas degradadas no município.

 

A área de visitação do Jardim Botânico é composta por estufas e jardins temáticos, além de pergolados, praças, lagos e fonte. São mais de 800 espécies expostas em todo o complexo, com destaque para as belezas dos jardins de Folhagens, de Suculentas, de Bromélias, de Plantas Medicinais e Aromáticas, de Palmeiras, de Flores e Cores e Lago de Plantas Aquáticas. As quatro estufas implantadas – de Evolução, que mostra a história das plantas e suas adaptações conforme o passar dos anos, de Mata Atlântica, de Caatinga e de Campo Rupestre – abrigam espécies representativas dos temas que abordam e que merecem ser admiradas.

 

Já na área reservada à equipe técnica, aberta ao público somente por visita agendada, estão as coleções de plantas vivas, com mais de 4 mil exemplares, em sua maioria nativas de Minas Gerais e destinadas especialmente à pesquisa e à conservação ex situ (fora do ambiente natural). Além deste acervo, a Botânica Aplicada cuida das coleções de frutos e sementes (1.904 exemplares), do ervanário (277 espécies), da coleção etnobotânica (164 artefatos) e do herbário (12.098 exsicatas). Diversos projetos relacionados à conservação integrada ex situ e in situ são desenvolvidos para a manutenção e incremento deste importante acervo.

 

“As coleções biológicas são bancos de dados, conceitualmente como são as bibliotecas ou os centros de documentação; são consideradas patrimônio nacional e de interesse para a humanidade, por ser fonte primária de conhecimento e de informação sobre nossa biodiversidade, razão pela qual devem ser protegidas, mantidas e devidamente cuidadas, garantindo sua permanência no tempo”, explica a bióloga Míriam Pimentel, gerente do Jardim Botânico da FPMZB.

 

Nesta mesma área encontram-se as sementeiras e demais estufas de produção de mudas, a unidade de compostagem, o minhocário, o banco de sementes e a clínica fitossanitária, que inclui um laboratório de homeopatia em plantas, além de uma seção para vendas de mudas ao público (sob consulta de disponibilidade na ocasião).

 

O Jardim Botânico produz mudas arbóreas, prioritariamente de espécies nativas. Até o momento, em 2018, foram produzidas 32 mil mudas entre ornamentais e arbóreas, para o plantio na FPMZB e em outras áreas verdes de Belo Horizonte, nas vias públicas, nas escolas municipais e nos demais setores da PBH.

 

A manutenção de toda essa estrutura e acervo dá-se pela envolvimento de vários técnicos e profissionais que atuam nas distintas áreas, como biologia, engenharia florestal, agronomia e jardinagem. “O Jardim Botânico conta com 40 pessoas, entre funcionários servidores e terceirizados. Além destes, há estagiários e bolsistas, que auxiliam e desenvolvem projetos de pesquisa. Todos comprometidos com o propósito de atrair e informar a população urbana a respeito da importância da natureza e da conservação de um acervo tão raro, diverso e rico como o que temos aqui no JB”, destaca.

 

Motivos para se orgulhar desse espaço não faltam aos funcionários da FPMZB e aos belo-horizontinos: o Jardim Botânico freqüentemente é cenário de ensaios fotográficos e recebe muitos elogios dos visitantes. E para tornar o lugar ainda mais agradável ao público, uma revitalização das estufas e jardins da área de exposição do Jardim Botânico está sendo planejada pela FPMZB. Entre as propostas está a reforma da Estufa Central, que representa o bioma Mata Atlântica, com a idéia de implantar uma exposição didática, atraente e interativa. Outra proposta é a revitalização do lago de espécies vegetais aquáticas, por meio de tecnologia wetlands, conhecida como jardim filtrante e reconhecida como solução para tratamento de águas por mecanismos naturais, permitindo a construção de um espaço esteticamente atraente. Esta intervenção transformará o espaço em um ícone de referência em botânica aquática e tratamento de águas, sensibilizando as pessoas sobre a importância da biodiversidade e dos ecossistemas aquáticos. Outras intervenções, como a reforma do Jardim de Folhagens e do Jardim de Flores e Cores, já estão sendo executadas e em poucos meses esses locais estarão prontos para serem admirados pelos visitantes.

 

 

22/11/2018. BH em Cantos - Jardim Botânico. Fotos: Suziane Fonseca/FPMZB