6 October 2026 -
O Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro (HMDCC) inaugurou nesta terça-feira (6) o Serviço de Trombectomia Mecânica, ampliando as possibilidades de tratamento para pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico em Belo Horizonte. A unidade será a primeira da Rede SUS-BH a realizar o procedimento e a segunda de Minas Gerais a oferecer a tecnologia aos usuários do Sistema Único de Saúde. O novo serviço está instalado na Unidade de AVC do hospital, a maior de Minas Gerais.
A trombectomia mecânica é um procedimento minimamente invasivo utilizado para retirar coágulos que bloqueiam as principais artérias do cérebro durante um AVC isquêmico. Ao desobstruir o vaso e restabelecer a circulação sanguínea, o tratamento pode preservar tecidos cerebrais ainda não lesionados de forma definitiva e reduzir o risco de sequelas graves.
A implantação do serviço representa um avanço na linha de cuidado do AVC em Belo Horizonte e amplia os recursos disponíveis para o atendimento dos pacientes. A equipe do Hospital Célio de Castro já está preparada para realizar o procedimento, que será indicado de acordo com critérios clínicos e exames de imagem.
"Estamos entregando um serviço de trombectomia mecânica que amplia o acesso ao paciente de AVC e traz mais possibilidades de tratamento. Como o AVC é tempo-dependentes, tínhamos uma janela de até 4 horas e meia entre o início dos sintomas e a nossa primeira intervenção. Com a trombectomia, conseguimos ampliar esse tempo e fazer com que os pacientes saiam de uma situação de AVC com menores sequelas ou quase nenhuma”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Miguel Duarte.
Mais possibilidades para o tratamento do AVC
Atualmente, o tratamento do AVC isquêmico disponível no SUS-BH inclui a trombólise, que utiliza medicamento para dissolver o coágulo responsável pela obstrução do vaso sanguíneo. A trombectomia mecânica amplia as possibilidades terapêuticas, principalmente nos casos em que um coágulo de grandes proporções bloqueia uma das principais artérias do cérebro e a medicação pode não ser suficiente para restabelecer o fluxo sanguíneo.
O procedimento pode ser realizado desde os primeiros momentos após o início dos sintomas e, em pacientes selecionados, também pode ser uma alternativa em intervalos de tempo maiores, chegando a 24 horas. A indicação depende da avaliação médica e de exames de imagem avançados, que permitem identificar as condições do cérebro e verificar se o paciente pode se beneficiar da intervenção.
Mesmo com a possibilidade de indicação em uma janela de tempo ampliada, a recomendação permanece: tempo é cérebro. Quanto mais rapidamente o paciente for atendido e receber o tratamento adequado, maiores são as chances de reduzir a extensão das lesões e as possíveis sequelas.
Como funciona o procedimento
Na trombectomia mecânica, o médico introduz um cateter por uma artéria, geralmente a femoral, e o conduz pelos vasos sanguíneos até o local em que o coágulo está impedindo a circulação.
A retirada do trombo pode ser feita com a utilização de um stent, que permite capturar o coágulo, por meio de um sistema de aspiração ou pela combinação das duas técnicas em casos mais complexos.
“Quando conseguimos restabelecer o fluxo sanguíneo cerebral, aumentamos a possibilidade de preservar áreas que ainda não sofreram lesões definitivas. Isso pode contribuir para uma redução significativa de sequelas graves e de incapacidade física, aumentando as chances de recuperação das funções neurológicas e de o paciente manter sua independência”, explica Fidel Meira, referência técnica da Neurologia do Hospital Célio de Castro.
A implantação da trombectomia não altera o fluxo de atendimento dos pacientes com sintomas de AVC no Hospital Célio de Castro. O paciente é encaminhado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) para a unidade, onde passa pela avaliação do neurologista. Quando houver indicação para a trombectomia, a decisão é tomada em conjunto com o neurorradiologista intervencionista.
Para a diretora executiva do Hospital Célio de Castro, Cristina Peixoto, a implantação representa uma mudança importante na assistência oferecida aos usuários do SUS. “Vamos oportunizar para os pacientes do SUS o que os pacientes de planos de saúde já têm”, afirma Cristina. Segundo ela, a implantação do serviço amplia o perfil de tratamento disponível no hospital e representa uma nova possibilidade de cuidado para pacientes com AVC.
