Pular para o conteúdo principal

Duas professoras, uma de blusa vermelha e outra de blusa verde-clara, auxiliam quatro crianças em uma atividade com blocos coloridos sobre uma mesa, em uma sala de aula da Escola Municipal Marconi.
Samuel Ramalho/Ascom Smed

Histórias que conectam gerações na Rede Municipal de Educação marcam o Dia dos Professores em BH

criado em - atualizado em

Neste 15 de outubro, Dia dos Professores, histórias da Rede Municipal de Educação mostram como o ensino transforma trajetórias e fortalece vínculos em Belo Horizonte. São cerca de 15 mil professores e muitas experiências marcantes, como a de Suely Meireles Franck, que voltou à Escola Municipal Marconi, na região Centro-Sul, onde estudou, para trabalhar como educadora e viu uma das filhas seguir a mesma profissão. Na região Leste, a missão de Juliana Vieira da Silva é aproximar a Escola Municipal Governador Israel Pinheiro da comunidade com um projeto que valoriza o território e seus moradores.

Na década de 1980, Suely Meireles Franck, de 62 anos, era aluna da Escola Municipal Marconi. Em 1988, após ser aprovada em concurso público e ingressar na Rede Municipal de Educação, ela construiu trajetória como professora em outras escolas da rede até retornar ao Marconi, em 2010, como alfabetizadora. Atualmente, na segunda gestão como vice-diretora da instituição, Suely divide o cotidiano escolar com a filha Helena Meireles Franck, de 32, que passou a fazer parte da rede municipal em março deste ano como professora da educação infantil.

O interesse pela docência também tem raízes familiares. Suely conta que cresceu cercada por professoras e que sempre quis ensinar crianças a ler. “Minha família é de professoras, tenho irmãs professoras e eu sempre quis ensinar a ler. As crianças são muito inteligentes, muito ativas e o processo de alfabetização é uma surpresa”, destaca.

Ao longo da carreira, Suely também acompanhou mudanças no cotidiano escolar e os desafios que elas trazem, como o uso das novas tecnologias. Mesmo assim, destaca a satisfação de participar do processo de aprendizagem das crianças e de acompanhar suas conquistas.

Caminho para ampliar oportunidades

Embora nunca tivesse imaginado que trabalharia na mesma escola que a mãe, Helena encontrou na docência a oportunidade de contribuir para a formação das crianças. Hoje, as duas compartilham não apenas o ambiente de trabalho, mas a crença na educação como caminho para ampliar oportunidades e transformar trajetórias.

“Ficava aquela sensação de que faltava alguma coisa. Hoje, professora, acredito que as crianças, todas elas, têm potencial para construir um futuro. Nosso papel é conduzir essas crianças no exercício de sua autoestima, de que elas são capazes e de que, de fato, dão conta”, afirma Helena.

A admiração entre mãe e filha revela como o exemplo e as experiências compartilhadas podem influenciar escolhas profissionais. Outra filha de Suely também é pedagoga na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Para a professora, a educação tem um papel decisivo na transformação da sociedade e a formação de novas gerações de educadores é parte desse processo.

“Eu gostaria que mais pessoas fossem professoras. A educação é o fator que provoca mudança, o cidadão precisa do professor envolvido. É a educação que tira a gente da linha da pobreza, da linha da ignorância. Venham ser professor”, convida Suely.

Escola como espaço de pertencimento

Na região Leste, a professora de história Juliana Vieira da Silva, de 59 anos, também construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a educação pública e com a comunidade. Há 31 anos na Rede Municipal de Educação, ela atua na Escola Municipal Governador Israel Pinheiro, no Alto Vera Cruz, onde busca aproximar os conteúdos trabalhados em sala de aula da realidade dos estudantes.

Primeira pessoa da família a ingressar no ensino superior, Juliana fez da educação uma ferramenta para ampliar oportunidades. Ao longo da carreira, atuou em escolas municipais de regiões periféricas e também trabalhou na Secretaria Municipal de Educação, na formação de professores pelo Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Cape).

O compromisso com a educação pública também faz parte da história da família. Juliana é casada com Moacir Fagundes de Freitas (64), professor de história aposentado da Rede Municipal de Educação desde 2000. O casal escolheu a escola pública para a formação do filho, que atualmente cursa a mesma licenciatura do pai.

Em 2010, Juliana retornou à Escola Municipal Governador Israel Pinheiro e voltou a assumir turmas, incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em sua prática pedagógica, uma pergunta orienta o trabalho: “Quem são os estudantes que chegam até nós?”. Conhecer as histórias de vida, as experiências e o território dos alunos é, para ela, um passo importante para tornar o ensino mais próximo da realidade de cada turma.

Na escola, que atende estudantes da educação infantil, do ensino fundamental e da EJA, Juliana desenvolve atividades que relacionam os conteúdos curriculares às vivências da comunidade. A proposta também busca ampliar o acesso dos estudantes aos espaços públicos da cidade, fortalecendo o sentimento de pertencimento e o reconhecimento de que esses lugares também são deles.

“Garantir o direito de nossos alunos se sentirem à vontade ao entrar num banco, frequentar o Parque Guanabara, conhecer a Praça do Papa, se sentirem pertencentes à região central da cidade, isso também é tarefa da escola”, destaca a professora.

Nas aulas de história, Juliana aproxima temas como a República Brasileira das experiências dos estudantes e das histórias de seus antepassados. Ao reconhecerem as trajetórias de suas famílias e comunidades, os alunos são incentivados a refletir sobre a própria história e sobre o lugar que ocupam na sociedade.

Para a professora, o trabalho educativo também envolve ajudar cada estudante a perceber suas possibilidades e a construir novos projetos para o futuro. É um compromisso que se renova diariamente, diante dos desafios e das conquistas que fazem parte da rotina escolar. “Todos os dias eu levanto e acredito que é possível. Todos os dias, eu acredito que posso fazer a diferença”, afirma Juliana.

Na Rede Municipal de Educação, histórias como as de Suely, Helena e Juliana mostram que o trabalho docente vai além da transmissão de conhecimentos. Ele se constrói nas relações, no reconhecimento das experiências de cada estudante e na criação de oportunidades para que crianças, jovens e adultos ampliem seus horizontes.