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Atriz sentada de frente para um espelho
Foto: Elisa Mendes

FIT-BH apresenta espetáculos nas Ocupações Dandara e Vitória

14/09/2018 | 17:56 | atualizado em 01/11/2018 | 15:50

 

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, e o Instituto Periférico promovem a 14ª edição do FIT-BH. No primeiro fim de semana, o festival recebe onze espetáculos que propõem debates sobre racismo, violência contra a mulher e narrativas que tecem a relação de reinvenção com o espaço público. A abertura do FIT-BH, na última quinta-feira, 13/9, reuniu cerca de cinco mil pessoas no Parque Municipal Américo Renné Giannetti.
 

Discussões raciais são trazidas pela artista Ntando Cele (Suíça/África do Sul) em “Black Off”, que está no palco do Teatro Sesiminas. “Deformação” (MG), previsto para o Calçadão entre Ed. Niemeyer e CCBB (rua Cláudio Manoel, 1224), também traz debate sobre enfrentamento de padrões estéticos, políticos e morais a que são submetidas mulheres negras. Já "A gente combinamos de não morrer" (Paraíba), da artista Jota Mombaça, está em cartaz no Centro Cultural da UFMG e discute questões de gênero e transfobia.
 

Trabalhos selecionados por meio de edital da Mostra Mineira, "Peixes" propõe uma dramaturgia forte e poética a partir de relatos reais de mulheres violentadas; "Sublime Travessia" tem Dudude Herrmann numa proposta de superação do corpo artístico estilizado, potente de intuição e instinto; e "Espécie" transcende categorias sociais ao colocar as sexualidades como via de expressão artística, ampliando noções de vida e prazer para transcender categorias sociais de sexo e amor.
 

No FIT-BH 2018, temas como feminismo e questões raciais são atravessados pela história. Em "Ceci n’est pas noire" (Inglaterra / Bélgica / Zimbábue), em cartaz no Galpão Cine Horto, Alesandra Seutin mostra a jornada de uma mulher afro-europeia que procura entender sua identidade por meio do teatro, dança e canção. Já "Arde Brilhante en Los Bosques de La Noche" (Argentina) é inspirado na figura de Alexandra Kollontai, revolucionária e feminista soviética, e suas ideias sobre o corpo, a sexualidade e a forma como o capitalismo constrói uma identidade feminina à sua conveniência mesmo 100 anos depois da revolução russa - em cartaz no Teatro Marília.
 

"Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas" (Portugal), que tem duração de cinco horas e meia e propõe uma relação convivial com o público com a proposta de um jantar durante o espetáculo, mostra exatamente como a geração portuguesa que não viveu os momentos mais aflitivos da política no país nos 80 anos anteriores pode reconstruir sua história com testemunhos, objetos e memórias não oficiais de modo potente.
 

E a busca por uma relação mais viva com o espaço público está presente em Assembleia Comum, obra processual e mambembe construída colaborativamente pelo Núcleo de Teatro do Espaço Comum Luiz Estrela, em Belo Horizonte. A proposta será apresentada nas ocupações Vitória e Dandara e embaixo do Viaduto de Santa Tereza, símbolo de lutas políticas e expressões sociais, da capital.
 

Outra aguardada apresentação é a do espetáculo infanto-juvenil "Chapeuzinho Vermelho". Fábula ambientada na contemporaneidade traz discussões feministas. Em cartaz no Sesc Palladium, Chapeuzinho tem uma mãe ocupada, um pai ausente e uma avó doente e solitária. Classificação Livre.

 

Projetos Especiais

De sexta (14) a domingo (16), o FIT 2018 também promove ações especiais como oficinas, palestras, sessões de leitura, ciclos de conversa, mostra de filmes, intercâmbios, residências artísticas, exposições, filmes, Mercado de Artes Cênicas e o Memória FIT, um conjunto de exposições trazendo a memória de alguns dos espetáculos locais que fizeram parte da história do Festival - ao todo serão cerca de 30 grupos participantes.
 

Em cada uma das exposições, serão apresentados objetos, figurinos, cenários e registros que procuram resgatar em cada espectador a memória de cenas e momentos vivenciados na trajetória do FIT. As exposições serão exibidas durante todo o festival no Espaço e no Teatro Francisco Nunes, no Centro de Referência da Juventude (CRJ), no Mercado das Flores, no MIS Cine Santa Tereza, no Point Barreiro e na Exposição “13 vezes FIT” - Memorial Minas Gerais Vale.

 

FIT-BH

Durante dez dias, a 14ª edição do Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte vai trazer nove espetáculos internacionais, onze nacionais e dez de artistas e grupos locais selecionados através de edital, além de ações paralelas e formativas. A programação desta edição está sob curadoria de Grace Passô, Luciana Romagnolli e Soraya Martins e traz o conceito “Corpos Dialetos”, que propõe uma ampliação da noção de teatro brasileiro contemporâneo, produzido na contramão da perspectiva eurocêntrica, e atravessado por debates estéticos e políticos, entre eles, questões de gênero e étnico-raciais.
 

Desde a sua criação em 1994, o FIT-BH conquistou espaço no calendário cultural de Belo Horizonte. Durante 24 anos e 13 edições, o festival recebeu companhias e artistas de 42 países e ofereceu ao público belo-horizontino 365 espetáculos com linguagens e formatos diferentes, que ocuparam diversos teatros, espaços públicos e alternativos da capital.

 

Programação:

Assembleia Comum - Trupe Estrela (Minas Gerais – Brasil)

14/09 às 19h - Embaixo do Viaduto Santa Tereza

15/09, às 16h - Ocupação Vitória (Rua Nelson Mandela em frente a Mercearia Vitória)

16/09 às 16h - Ocupação Dandara (Av. Dandara esquina com a Rua das Flores)

Uma assembleia horizontal, aberta e permeável ao encontro estabelecido pela obra e pela interação com o público, na qual o jogo cênico entre alegorias-personagens busca estimular a participação crítica do público em torno de questões contemporâneas. Assembleia Comum é uma obra processual e mambembe construída colaborativamente pelo Núcleo de Teatro do Espaço Comum Luiz Estrela.

 

A gente combinamos de não morrer - Jota Mombaça (Paraíba – Brasil)

14/09,18h

Centro Cultural da UFMG

Uma performance dedicada à constituição de situações, rituais e processos coletivos de elaboração das feridas necropolíticas. Inspirada no conto homônimo de Conceição Evaristo (publicado no livro Olhos D’água), a performance busca, através da repetitiva manufatura de facas e da leitura de fragmentos de textos diversos, instaurar um espaço de cura que é, simultaneamente, um espaço especulativo em torno da possibilidade de justiça.

 

Peixes - Ana Régis (Minas Gerais - Brasil)

15/09 às 20h

23/09 às 17h

Teatro Raul Belém Machado

Em uma consulta médica, em manicômio judiciário, Cláudia, 47, professora, revela as histórias que viveu, numa narrativa fragmentada como seu pensamento. Ela conta como, um dia, quebrou a ordem das coisas e se libertou do ciclo de violência do qual fazia parte. Cláudia não é uma estatística. Cláudia é uma consequência social. PEIXES é um espetáculo poético e forte, cuja dramaturgia contém relatos reais de mulheres violentadas.

 

Arde Brilhante en Los Bosques de La Noche - Mariano Pensotti (Argentina)

14/09 às 21h

15/09 às 18h

Teatro Francisco Nunes

Em 2017 a Revolução Russa completou 100 anos. Inspirado na figura de Alexandra Kollontai, revolucionária e feminista soviética, e suas ideias sobre o corpo, a sexualidade e a forma como o capitalismo constrói uma identidade feminina à sua conveniência, Arde brillante... narra histórias de mulheres atuais cujas experiências são atravessadas por essa revolução.

 

Um Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas - Teatro do Vestido (Portugal)

14/09 às 19h

15/09 às 15h

Teatro Marília

Um espetáculo-reconstituição de mais de 80 anos da recente história política portuguesa que se constrói a partir de testemunhos, objetos, memórias oficiais e não oficiais, e muitas inquietações. Pensado como um acontecimento, este museu em permanente atualização desenrola-se ao longo de cinco horas de perguntas e pequenas histórias. É o retrato dos legados de uma geração que, não tendo vivido os acontecimentos de forma direta, é filha indiscutível deles.

 

Black off - Ntando Cele / Manaka Empowerment Prod (Suíça / África do Sul)

15/09 às 21h

16/09 às 20h

Teatro Sesiminas

Usar “blackface” sempre gera controvérsia. Nesta apresentação-concerto, Ntando Cele vira o jogo. Seu alter ego Bianca White veste peruca loura, lentes de contato azuis e “whiteface”. Bianca é uma pesquisadora do Zimbábue que dá aulas de autoajuda, medita, ajuda as crianças e sonha com um mundo branco onde todos possam superar a sua “negritude interior e exterior”. Até que Vera Black, uma punk negra, sobe ao palco.

 

Chapeuzinho - Projeto GOMPA (Rio Grande do Sul – Brasil)

15/09 às 16h

16/09 às 11h

Grande Teatro do Sesc Palladium

Nesta fábula ambientada na contemporaneidade, Chapeuzinho Vermelho tem uma mãe ocupada, um pai ausente e uma avó doente e solitária. A rua é perigosa e, em casa, o tédio briga com a vontade de brincar. Teatro, dança, música e contação de história abordam com humor temas como a imaginação infantil, o medo e a curiosidade da criança diante do desconhecido.

 

Deformação (MG - Brasil) - Priscila Rezende

15/09 às 17h

Rua Cláudio Manoel, 1224 - Calçadão entre Ed. Niemeyer e CCBB.

Deformação busca expor um conflito comumente enfrentado por mulheres negras e à margem do padrão estético imposto por nosso meio social, veem segregadas, menosprezadas e não representadas em nossos meios midiáticos e até mesmo em ambientes de convívio diário, muitas vezes não figurando como referências de "boa aparência" e "beleza", tornando claras e concretas as feridas incutidas na autoestima destas mulheres.

 

Ceci n’est pas noire (Inglaterra / Bélgica / Zimbábue) - Alesandra Seutin / Vocab Dance Company

15/09 às 15h

15/09 às 20h

Galpão Cine Horto

A jornada de uma mulher afro-europeia através da dança, teatro, slam e canção. Investigando memórias de sua criação pelas estradas sinuosas da África e da Europa, questões sobre a experiência de identidade emergem como percepções de sua mudança de lugar a lugar. Um jogo com máscaras, papéis e atitudes que mostra que aquilo que se vê nem sempre é aquilo que se recebe.

 

Sublime Travessia (MG-Brasil) - Dudude

16/09 às 18h

Teatro Raul Belém Machado

A necessidade de travessia de um corpo artístico estilizado, potente de intuição e instinto, aguçado de perceptividades eletivas que repousam no campo das afetividades e estão disponíveis para os estímulos brasis. A travessia se faz imbuída de capturas sensíveis, midiáticas, publicando no espaço da expressão o tão sublime que possa ser “pátria nossa idolatrada salve, salve”!

 

Espécie (MG-Brasil) - Igor Leal - Beijo no seu preconceito

16/09 às 16h

16/09 às 22h

Galpão Cine Horto

Desejo para você - para nós - fúria criativa para continuarmos a devorar o mundo. E que o resto seja “amor”. Espécie é um trabalho híbrido que caminha pelo teatro, performance e instalação com perspectiva queer e pós-pornô. Uma experiência que usa das sexualidades como via de expressão artística, ampliando noções de vida e prazer para transcender categorias sociais de sexo e amor.

 

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