7 November 2026 -
Cerca de 6 mil estudantes de 45 escolas municipais da capital participaram, nessa semana, do 13º Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte (FIQ BH), no Minascentro. Com o tema “Caminhos da leitura: quadrinhos e cidadania”, o maior festival de quadrinhos da América Latina dialoga com a proposta pedagógica da Secretaria Municipal de Educação (Smed) de incentivar e democratizar a leitura, contribuindo para a formação de cidadãos críticos. A programação, que aproximou os alunos do universo das histórias em quadrinhos, estimulando a criatividade e ampliando o contato com diferentes formas de leitura e produção literária, termina neste domingo (8).
A participação dos estudantes no FIQ BH, fruto da parceria com a Fundação Municipal de Cultura (FMC), organizadora do evento, integra as ações da Smed para incentivar a formação de leitores na Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte. A iniciativa se soma à Jornada Literária e ao Programa Bibliotecando, projetos que estimulam o contato com diferentes gêneros textuais, como histórias em quadrinhos, textos informativos e literários e poemas, ampliando as oportunidades de leitura, escrita e produção autoral.
“O quadrinho é uma linguagem riquíssima, um gênero textual que combina narrativa visual e textual, dialoga diretamente com os estudantes e abre portas para, junto com outros gêneros, ampliar a formação leitora”, explicou a coordenadora da Gerência de Bibliotecas da Smed, Raquel Torres, que ressaltou ainda que as ações da Gerência garantem o suporte técnico e pedagógico para as escolas estimularem a escrita autoral. “O incentivo à leitura e produção textual não passa apenas pela distribuição de livros. Estamos formando cidadãos críticos, leitores apaixonados e futuros autores. Trata-se de incentivo, autonomia e democratização da leitura em todas as suas formas”, concluiu Raquel.
Jornada Literária valoriza estudantes como autores
Entre as ações desenvolvidas pela Gerência de Bibliotecas da Smed, a Jornada Literária se destaca pelo trabalho contínuo de leitura, pesquisa e produção textual nas escolas municipais. Realizado anualmente, o projeto mobiliza estudantes e professores de todas as etapas de ensino, ao longo do ano, com atividades que contemplam diferentes gêneros textuais e experiências de letramento e trabalho colaborativo.
O processo de produção culmina no lançamento de livros coletivos impressos e em sessões de autógrafos com os estudantes participantes. A iniciativa valoriza a autoria dos alunos, promove o envolvimento das famílias e fortalece a função social da escrita na comunidade escolar.
Em 2026, com o tema “Justiça Social: Narrativas para transformar o mundo”, a Escola Municipal Jardim Leblon desenvolveu a publicação “Respeito cabe em todo balão”, em formato de história em quadrinhos. A produção coletiva envolveu estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental, que escolheram abordar as situações de bullying vivenciadas na escola.
Segundo a coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental, Camila Dário, a escolha do tema partiu dos próprios alunos. O gênero histórias em quadrinhos foi definido a partir das atividades desenvolvidas nas aulas de Língua Portuguesa. Os textos foram escritos em duplas ou grupos, estimulando o trabalho coletivo e a cooperação. “Foi uma grande experiência e os estudantes estão ansiosos para acessarem o produto final”, relatou. A publicação será impressa, apresentada à comunidade escolar e, posteriormente, para empréstimo na biblioteca da Escola Municipal Jardim Leblon.
O desenho como estratégia pedagógica
Na Rede Municipal de Educação, o desenho também encontra espaço nas aulas de matemática. Na Escola Municipal Anísio Teixeira, o professor Humberto de Novais incorporou as caricaturas à rotina das aulas como uma estratégia para aproximar os estudantes da disciplina e tornar o processo de aprendizagem mais lúdico e atrativo. O que começou como desenhos feitos na lousa branca se tornou tão popular entre as turmas que, segundo ele, já é quase uma exigência dos alunos.
A iniciativa ganhou até espaço no FIQ BH 2026. Estimulado pelos próprios estudantes, que frequentavam a feira de publicações, Humberto participou de um duelo de quadrinistas durante o evento. A experiência levou para fora da sala de aula uma habilidade que já faz parte da relação construída diariamente com os alunos.
Para o professor, os desenhos são uma maneira de estabelecer vínculos com os estudantes e despertar o interesse pelo conteúdo, inclusive diante de uma disciplina que costuma ser vista como difícil. “A matemática já tem um estigma de ser difícil, as pessoas têm medo da matemática. O desenho é uma forma de entrar no mundo deles, estar mais próximo do que eles gostam, estreitar laços e com isso estimulá-los a resolverem problemas, encontrar soluções”, explicou.
A preocupação em não comprometer o tempo das aulas fez com que Humberto desenvolvesse agilidade na criação das caricaturas. Mesmo com a participação no duelo de quadrinistas, ele mantém a modéstia ao falar sobre seus desenhos: “Eu só brinco de desenhar, sou um amador. No FIQ só tem profissionais”. Para os estudantes, no entanto, o professor já tem o reconhecimento de um grande desenhista.
Bibliotecando garante acesso aos livros e autonomia na escolha
Outra iniciativa de incentivo à formação de leitores é o Programa Bibliotecando, desenvolvido desde 2017 pela Smed, por meio da Gerência de Bibliotecas. O programa garante aos estudantes da rede municipal o vale-livro, recurso individual destinado à aquisição de livros em eventos literários.
Os valores previstos são de R$ 50 por estudante matriculado na Educação Infantil e R$ 80 para estudantes do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Os recursos já estão previstos no planejamento orçamentário e de trabalho das escolas e são destinados exclusivamente à aquisição de livros pelos estudantes.
“Além de ser um incentivo à formação de leitores, dar às nossas crianças e jovens a autonomia de escolher o livro que querem levar para casa é o primeiro passo para construir o hábito de leitura para a vida toda”, explicou Raquel Torres. Para o FIQ BH deste ano, a previsão é de que 3 mil estudantes da rede municipal voltem para casa com alguma história em quadrinhos adquirida durante o evento.
Participação em eventos amplia experiências literárias
A presença dos estudantes em eventos literários é uma ação de incentivo à leitura desenvolvida pela Smed ao longo do ano letivo. Além do FIQ BH, 48 escolas municipais participaram da 8ª edição do Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas, realizado em setembro, na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, no Circuito Cultural da Praça da Liberdade. Na ocasião, foram utilizados 1.620 vales-livro por estudantes da Educação Infantil e 8.093 vales-livro por estudantes do Ensino Fundamental. No primeiro semestre, alunos da Rede Municipal de Educação também participaram do Festival Literário Internacional de Minas (FliMinas), que aconteceu no Expominas.
