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Estudantes da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte posam para foto durante visita ao 13º Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ BH), segurando exemplares de histórias em quadrinhos adquiridos no evento.
Lara Freitas/PBH

FIQ BH 2026 e projetos da Rede Municipal de Educação ampliam o acesso à leitura, incentivam novos leitores e a produção autoral de estudantes

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Cerca de 6 mil estudantes de 45 escolas municipais da capital participaram, nessa semana, do 13º Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte (FIQ BH), no Minascentro. Com o tema “Caminhos da leitura: quadrinhos e cidadania”, o maior festival de quadrinhos da América Latina dialoga com a proposta pedagógica da Secretaria Municipal de Educação (Smed) de incentivar e democratizar a leitura, contribuindo para a formação de cidadãos críticos. A programação, que aproximou os alunos do universo das histórias em quadrinhos, estimulando a criatividade e ampliando o contato com diferentes formas de leitura e produção literária, termina neste domingo (8).

A participação dos estudantes no FIQ BH, fruto da parceria com a Fundação Municipal de Cultura (FMC), organizadora do evento, integra as ações da Smed para incentivar a formação de leitores na Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte. A iniciativa se soma à Jornada Literária e ao Programa Bibliotecando, projetos que estimulam o contato com diferentes gêneros textuais, como histórias em quadrinhos, textos informativos e literários e poemas, ampliando as oportunidades de leitura, escrita e produção autoral.

“O quadrinho é uma linguagem riquíssima, um gênero textual que combina narrativa visual e textual, dialoga diretamente com os estudantes e abre portas para, junto com outros gêneros, ampliar a formação leitora”, explicou a coordenadora da Gerência de Bibliotecas da Smed, Raquel Torres, que ressaltou ainda que as ações da Gerência garantem o suporte técnico e pedagógico para as escolas estimularem a escrita autoral. “O incentivo à leitura e produção textual não passa apenas pela distribuição de livros. Estamos formando cidadãos críticos, leitores apaixonados e futuros autores. Trata-se de incentivo, autonomia e democratização da leitura em todas as suas formas”, concluiu Raquel.

Jornada Literária valoriza estudantes como autores

Entre as ações desenvolvidas pela Gerência de Bibliotecas da Smed, a Jornada Literária se destaca pelo trabalho contínuo de leitura, pesquisa e produção textual nas escolas municipais. Realizado anualmente, o projeto mobiliza estudantes e professores de todas as etapas de ensino, ao longo do ano, com atividades que contemplam diferentes gêneros textuais e experiências de letramento e trabalho colaborativo.

O processo de produção culmina no lançamento de livros coletivos impressos e em sessões de autógrafos com os estudantes participantes. A iniciativa valoriza a autoria dos alunos, promove o envolvimento das famílias e fortalece a função social da escrita na comunidade escolar.

Em 2026, com o tema “Justiça Social: Narrativas para transformar o mundo”, a Escola Municipal Jardim Leblon desenvolveu a publicação “Respeito cabe em todo balão”, em formato de história em quadrinhos. A produção coletiva envolveu estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental, que escolheram abordar as situações de bullying vivenciadas na escola.

Segundo a coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental, Camila Dário, a escolha do tema partiu dos próprios alunos. O gênero histórias em quadrinhos foi definido a partir das atividades desenvolvidas nas aulas de Língua Portuguesa. Os textos foram escritos em duplas ou grupos, estimulando o trabalho coletivo e a cooperação. “Foi uma grande experiência e os estudantes estão ansiosos para acessarem o produto final”, relatou. A publicação será impressa, apresentada à comunidade escolar e, posteriormente, para empréstimo na biblioteca da Escola Municipal Jardim Leblon.

O desenho como estratégia pedagógica

Na Rede Municipal de Educação, o desenho também encontra espaço nas aulas de matemática. Na Escola Municipal Anísio Teixeira, o professor Humberto de Novais incorporou as caricaturas à rotina das aulas como uma estratégia para aproximar os estudantes da disciplina e tornar o processo de aprendizagem mais lúdico e atrativo. O que começou como desenhos feitos na lousa branca se tornou tão popular entre as turmas que, segundo ele, já é quase uma exigência dos alunos.

A iniciativa ganhou até espaço no FIQ BH 2026. Estimulado pelos próprios estudantes, que frequentavam a feira de publicações, Humberto participou de um duelo de quadrinistas durante o evento. A experiência levou para fora da sala de aula uma habilidade que já faz parte da relação construída diariamente com os alunos.

Para o professor, os desenhos são uma maneira de estabelecer vínculos com os estudantes e despertar o interesse pelo conteúdo, inclusive diante de uma disciplina que costuma ser vista como difícil. “A matemática já tem um estigma de ser difícil, as pessoas têm medo da matemática. O desenho é uma forma de entrar no mundo deles, estar mais próximo do que eles gostam, estreitar laços e com isso estimulá-los a resolverem problemas, encontrar soluções”, explicou.

A preocupação em não comprometer o tempo das aulas fez com que Humberto desenvolvesse agilidade na criação das caricaturas. Mesmo com a participação no duelo de quadrinistas, ele mantém a modéstia ao falar sobre seus desenhos: “Eu só brinco de desenhar, sou um amador. No FIQ só tem profissionais”. Para os estudantes, no entanto, o professor já tem o reconhecimento de um grande desenhista.

Bibliotecando garante acesso aos livros e autonomia na escolha

Outra iniciativa de incentivo à formação de leitores é o Programa Bibliotecando, desenvolvido desde 2017 pela Smed, por meio da Gerência de Bibliotecas. O programa garante aos estudantes da rede municipal o vale-livro, recurso individual destinado à aquisição de livros em eventos literários.

Os valores previstos são de R$ 50 por estudante matriculado na Educação Infantil e R$ 80 para estudantes do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Os recursos já estão previstos no planejamento orçamentário e de trabalho das escolas e são destinados exclusivamente à aquisição de livros pelos estudantes.

“Além de ser um incentivo à formação de leitores, dar às nossas crianças e jovens a autonomia de escolher o livro que querem levar para casa é o primeiro passo para construir o hábito de leitura para a vida toda”, explicou Raquel Torres. Para o FIQ BH deste ano, a previsão é de que 3 mil estudantes da rede municipal voltem para casa com alguma história em quadrinhos adquirida durante o evento.

Participação em eventos amplia experiências literárias

A presença dos estudantes em eventos literários é uma ação de incentivo à leitura desenvolvida pela Smed ao longo do ano letivo. Além do FIQ BH, 48 escolas municipais participaram da 8ª edição do Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas, realizado em setembro, na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, no Circuito Cultural da Praça da Liberdade. Na ocasião, foram utilizados 1.620 vales-livro por estudantes da Educação Infantil e 8.093 vales-livro por estudantes do Ensino Fundamental. No primeiro semestre, alunos da Rede Municipal de Educação também participaram do Festival Literário Internacional de Minas (FliMinas), que aconteceu no Expominas.