26 October 2026 -
De quarta-feira (4) a domingo (8) da semana que vem, Belo Horizonte se transforma mais uma vez na “Capital dos Quadrinhos” com o maior evento de arte sequencial da América Latina. Realizada pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura, em parceria com o Instituto Periférico, a 13ª edição do Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ BH) traz uma programação diversificada e gratuita. As atrações incluem mesas-redondas, feira de quadrinhos, oficinas, exposições, exibição de filmes, lançamentos (como a versão de “Torto Arado” em quadrinhos), sessões de autógrafos, debates, duelos de quadrinistas em tempo real e rodada de negócios.
Entre as novidades de 2026, o evento recebe a “24h de HQ”, desafio intensivo de criação em quadrinhos, ao vivo, que vai durar 24 horas, e também o Dia do Quadrinho Grátis, que vai contar com a distribuição gratuita de três mil exemplares para o público do festival. Este ano, o festival vai reunir no Minascentro cerca de 400 artistas brasileiros e internacionais.
Com o tema “Caminhos da leitura: quadrinhos e cidadania”, o FIQ BH traz à capital mineira expoentes das HQs, vindos de 25 estados do Brasil (e o Distrito Federal) e de sete países, ampliando as trocas de experiências entre profissionais do setor, pesquisadores e públicos diversos, reafirmando a relevância do festival como o maior do gênero na América Latina.
Referência para quadrinistas de todo país, o FIQ BH destaca-se também por compreender as diversas etapas da relação entre mercado, público e artistas, estreitando os caminhos tanto para a aproximação de editoras e criadores, como o contato entre os produtores de quadrinhos e o consumidor final. Neste ano, 277 mesas compõem a feira de quadrinhos, com exposição e venda de publicações de quadrinistas nacionais e internacionais. A programação completa será divulgada nos próximos dias na página do Festival.
A presidenta da Fundação Municipal de Cultura, Bárbara Bof, destaca que o FIQ BH desempenha um papel fundamental na formação de gerações de quadrinistas e na consolidação de Belo Horizonte como referência na produção de quadrinhos. “Ao longo de sua trajetória, o festival contribuiu para revelar talentos, estimular a criação e fortalecer uma cena artística que hoje alcança projeção nacional e internacional. Ao reunir artistas brasileiros e de diferentes países, o FIQ também amplia a presença de Belo Horizonte no cenário internacional da cultura, consolidando a cidade como espaço de intercâmbio, circulação de ideias e valorização da diversidade artística”.
Ela acrescenta que a trajetória do FIQ BH é resultado de uma política pública continuada da Prefeitura de Belo Horizonte, que reconhece a importância dos quadrinhos como expressão artística, ferramenta de formação e campo de produção cultural. “Nesta 13ª edição reafirmamos esse compromisso, promovendo encontros, trocas de experiências e oportunidades que fortalecem o setor e projetam a potência da produção de quadrinhos brasileira”.
Abertura Oficial
O FIQ BH 2026 começa no dia 4 de novembro com diversas atrações. A abertura oficial será a partir das 17h com a presença de curadores, profissionais dos quadrinhos, parceiros e autoridades.
Ao longo da programação, até 8 de novembro, participam das mesas e sessões de autógrafos oito convidados internacionais: Borja González (Espanha), Štěpánka Jislová (Tchéquia), Barbara Chuleta (Chile), Clara Chotil (França), Fabien Toulmé (França), Nacha Vollenweider (Argentina/Alemanha - Goëthe Institut), Lorenzo de Felice (Itália) e Isabelle Debekker (Bélgica), além de 83 artistas de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Piauí, Pará, Rondônia, Amazonas, Rio Grande do Norte, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.
Novidades
Entre as novidades do festival este ano está prevista uma ação aberta ao público que vai durar 24 horas, iniciando no sábado (7 de novembro), às 14h, e encerrando no dia seguinte, no mesmo horário. O “24h de HQ” chega ao FIQ BH pela Inko (Editora/Escola/Laboratório de Artes e Narrativas), que propõe o desafio de criar histórias em quadrinhos, com referências na cultura nacional, em tempo real. Outra ação que promete atrair pessoas de todas as idades é o Dia do Quadrinho Grátis, em que serão distribuídos gratuitamente três mil exemplares de HQs. A ação será realizada em parceria com a Editora Devir também no sábado (7), das 11h30 às 13h.
Vale-livro
Neste ano, o festival recebe, mais uma vez, visitas de escolas municipais e estaduais, reunindo cerca de três mil alunos dos ensinos infantil, fundamental, médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), que receberão vales-livros. A proposta é que ao longo do evento crianças, adolescentes e seus educadores possam trocar o vale por quadrinhos, livros e todo tipo de material de leitura presente nas mesas de artistas e estandes, de acordo com a faixa-etária mais adequada para o estudante. Para visitas, é necessário agendamento prévio das escolas. A participação das escolas municipais é uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Smed).
A 13ª edição do FIQ BH conta ainda com a participação do Ministério da Educação (MEC), que apresentará o MEC Livros: a biblioteca digital do Brasil. A iniciativa do governo federal amplia o acesso público e gratuito a obras literárias digitais. No evento, os leitores poderão acessar a plataforma por meio de quatro totens interativos com QR Code. Um monitor estará no local para auxiliar na navegação e orientar quadrinistas interessados em disponibilizar suas obras virtualmente.
Também será criada uma página específica da FIQ BH no site do MEC Livros, reunindo sugestões de quadrinhos e de quadrinistas que estarão presentes no festival. A iniciativa busca aproximar o público do universo dos quadrinhos e ampliar o alcance das ações desenvolvidas durante o evento.
Espaço de acolhimento
O FIQ BH conta ainda com equipe especializada de atendimento e oferece um espaço para famílias, mães lactantes, pessoas com deficiência e neurodivergentes ou que demandem algum acolhimento especial.
Gabriela Santoro, diretora-presidente do Instituto Periférico, que tem suas ações norteadas por projetos e iniciativas que promovem a diversidade cultural e os direitos humanos, destaca a importância de se realizar um festival de quadrinhos frente às novas tendências do mercado editorial. “O FIQ possibilita trocas presenciais com autores e autoras do Brasil e de outras nacionalidades, permitindo ao público compreender e vivenciar de perto a diversidade de estéticas e narrativas da arte sequencial contemporânea, além de experimentar o contato físico com as obras, algo que, em alguma medida, vem se perdendo diante das transformações trazidas pelo digital".
Tema do festival
Neste ano, a curadoria da 13ª edição do FIQ BH é assinada por Mariana Viana, jornalista especializada em quadrinhos, co-criadora do premiado canal Fora do Plástico e vencedora do Jovens Talentos da Indústria do Livro de 2026, e por Régis Luiz, ilustrador formado em design gráfico, ganhador do prêmio HQMIX de melhor Projeto Gráfico de 2023, idealizador e produtor de grandes eventos ligado ao universo dos quadrinhos e da cultura pop.
O recorte curatorial “Caminhos da leitura: quadrinhos e cidadania” que vai guiar a composição das mesas-redondas, debates e conversas da programação, convida o público e profissionais das HQs a uma reflexão, como explica Gabriel Nascimento, coordenador artístico do festival, ao lado de Afonso Andrade.
“A forma de consumir quadrinhos mudou muito nos últimos 20 anos. Com o fechamento das bancas de revistas, as HQs passam a ocupar mais as livrarias e o mundo digital, e se consolidam principalmente em feiras, premiações e festivais. Isso fez crescer a diversidade e o número de leitores, mas também as publicações subiram de preço”.
Nesse movimento complexo de idas e vindas, Gabriel Nascimento reflete sobre os caminhos de leitura que podem ser trilhados no universo das HQs e como o FIQ BH pode contribuir. “Não restam dúvidas sobre o potencial da linguagem desse tipo de narrativa para tratar de temas simples, de maneira acessível e sofisticada. Os quadrinhos sempre foram atrativos para formação de novos leitores e, por isso mesmo, entendemos que é papel dos festivais e eventos do segmento pensar em como contribuir para a formação cidadã dessas pessoas, disponibilizando acesso amplo a temáticas, gêneros, estéticas, formatos e autorias. A leitora ou leitor, ao entrar em contato com essas várias vozes, pode elaborar um pensamento crítico e complexo sobre a sua própria história e sociedade”, afirma.
Ilustrador convidado
Nesta edição, o ilustrador convidado, responsável pela imagem incorporada à identidade visual do festival, é o designer Guus (Belo Horizonte). O artista tem sua obra atravessada por influências do hip-hop, grafite, afrofuturismo, cultura pop, streetwear e toda a cultura urbana. Participante em 2018 do FIQ Jovem, curso voltado para a formação de jovens talentos da cidade, Guus assina, entre os principais projetos, a Identidade Visual do FAN-2025, o Rap Game Festival, o Festival Toca Na Favela, a Animação Clipe Lagum FT. IZA, a ilustração para o lançamento da série Avatar - O Último Mestre do Ar para a Netflix.
Artistas homenageados
A partir da temática proposta no festival, o FIQ BH presta homenagem neste ano a nomes que são referência no universo dos quadrinhos, não somente por suas contribuições artísticas, mas sobretudo por suas produções de caráter crítico e reflexivo sobre a arte sequencial. Durante o festival, cada homenageado recebe uma mesa de debate e uma exposição dedicada à sua obra.
Pioneira no Brasil no estudo das histórias em quadrinhos e da cultura pop do Japão, Sonia Maria Bibe Luyten é uma das homenageadas, com 50 anos de profissão dedicados à arte sequencial. Formada em jornalismo, mestre e doutora em Ciências da Comunicação pela USP, lecionou em instituições universitárias no Brasil e, como professora convidada, em universidades do Japão, Países Baixos e França.
Já trabalhou como tradutora e assinou prefácios de obras como Mangá Tropical (2003, Via Lettera) e Uma Biografia Mangá: Osamu Tezuka de Toshio Ban (2003, Conrad Editora). Vencedora de dois troféus HQ Mix por sua produção teórica, desde 2009 é integrante do comitê organizador do prêmio. Atualmente é presidente da Comissão de Teses do Troféu HQ Mix e membro da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (Aspas).
Marcelo Eduardo Lelis de Oliveira (Montes Claros), o Lelis, é ilustrador e quadrinista, com trabalhos publicados no Brasil, França e Sérvia. Iniciou a sua carreira em 1986, na imprensa mineira, e, em 1997, passou a colaborar para a “Folha de São Paulo”. Paralelamente, consolidou-se como ilustrador editorial, produzindo infantojuvenis de autores como Bartolomeu Campos de Queiróz, James Joyce e Cora Coralina.
O reconhecimento internacional veio em 2002 com convite para participar do Festival de Angoulême, na exposição Traits Contemporains!, dedicada às novas tendências dos quadrinhos. De lá pra cá, foi selecionado para figurar em diversas publicações estrangeiras. Entre os prêmios recebidos, estão aqueles do Salão Internacional do Humor de Piracicaba, Salão Carioca de Humor, Bienal Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco, Salão de Desenho para a Imprensa de Porto Alegre, entre outros, e três troféus HQMix.
Oficinas livres e mastersclasses
Outro viés sempre importante para o evento, as oficinas oferecem atividades voltadas tanto para a formação de público quanto para a prática dos quadrinhos. A 13ª edição do FIQ BH conta com 20 oficinas livres, gratuitas, para todas as idades, com o objetivo de despertar a curiosidade e o interesse artístico pelo mundo dos quadrinhos. Para participar, basta fazer o agendamento presencial duas horas antes da atividade, no local do evento.
Nesta edição também são ofertadas doze masterclasses gratuitas, com inscrição pela internet . De caráter profissionalizante, essa atividade é destinada a artistas e profissionais da área, e ministrada por convidados do evento como Ana Luiza Koehler (RS), arquiteta e ilustradora, vencedora do prêmio Troféu HQ Mix 2018 "melhor publicação independente de autor", por Beco do Rosário, e "melhor exposição" (sobre o livro), exibida na Galeria Hipotética (Porto Alegre); Rapha Pinheiro (RJ), arquiteto e urbanista, editor e autor de quadrinhos premiados, atualmente dirige e leciona na Inko Escola de Mídias Criativas, que prepara artistas para os mercados nacional e internacional; e Denis Mello (RJ), especialista em narrativa visual (HQs e Storyboard) e professor na Inko Escola de Mídias Criativas, premiado por Beladona (HQ de terror vencedora do Troféu HQ Mix) e a série Teocrasília, quadrinho distópico nacional de maior destaque no país nos últimos anos.
Serviço
13ª edição do FIQ BH 2026 - Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte
Data: 4 a 8 de novembro
Local: Minascentro (Rua dos Guajajaras, 1.022, Centro)
Horário: quarta à sexta-feira, das 8h às 20h; sábado, de 9h às 21h; e domingo, de 9h às 19h
Classificação: livre
