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Experiência de BH com o combate à febre amarela é tema em evento da Unesco

09/11/2018 | 17:07 | atualizado em 03/12/2018 | 13:45

A Prefeitura de Belo Horizonte é uma das representantes do Brasil no Seminário IBEROMaB: “Gestión del riesgo frente a las amenazas naturales en la Región Iberoamericana y de El Caribe: los espacios naturales protegidos como áreas de acción”, realizado esta semana em Cancún, no México. O seminário faz parte do Man and Biosphere Programme, da Unesco, e tem o objetivo de discutir metodologias de prevenção e enfrentamento de riscos ambientais.
 

Presidente da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB), Sérgio Augusto Domingues é um dos vários especialistas de 18 países que participam do evento para apresentar trabalhos e discutir os riscos às áreas de grande valor ambiental. Atualmente no cargo de secretário executivo da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço pela Unesco, Sérgio Augusto é um dos quatro brasileiros indicados em junho de 2018 pelo governo do país para compor um grupo de trabalho da entidade para o desenvolvimento das orientações técnicas para reservas da biosfera. Com o trabalho intitulado “A febre amarela em parques urbanos de Belo Horizonte – Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço”, em tradução livre, Sérgio apresentou aos participantes o trabalho desenvolvido pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da FPMZB e da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), para controle e combate da circulação da febre amarela no município.
 

Constatada em 2017 a ocorrência da febre amarela do ciclo silvestre, ou seja, exclusivamente nas áreas de matas, Belo Horizonte adotou imediatamente medidas de controle, tais como vigilância e monitoramento sistêmico das áreas verdes, especialmente de trilhas e de matas dos parques municipais, além de forte campanha para aumento da cobertura vacinal (com meta de cobertura de 95% da população); investigação e identificação do vetor da doença (efetuando o levantamento quantitativo dos mosquitos e dos criadouros existentes nas proximidades dos locais suspeitos de circulação do vírus, como arredores dos parques) e, ainda, ações regulares de limpeza para eliminação dos focos do mosquitos. Sérgio Augusto também destacou medidas complementares para garantir a prevenção, como a interdição parcial e, posteriormente, total, de alguns parques que apresentavam maior risco à população. Segundo dados da SMSA, a primeira notificação de morte de primatas não humanos em BH ocorreu entre julho e agosto de 2016, com a captura de um macaco na região do Barreiro para análise e vigilância da ocorrência de raiva.
 

Naquela ocasião, já não havia registros de casos da febre amarela silvestre há algum tempo e por isso não havia essa suspeita. Porém, resultados complementares do exame deste primata, divulgados em fevereiro de 2017, constataram a presença do vírus. Ainda no começo de 2017 foram encontrados primatas mortos no Parque das Mangabeiras, também com resultado positivo para febre amarela.
 

“A constatação da presença do vírus em dois pontos distintos do município nos chamou a atenção para a conectividade entre essas duas áreas, que integram um corredor ecológico formado por várias matas ligadas entre si, no meio do qual há alguns parques que possuem alto volume de visitantes, inclusive turistas vindos de outras cidades. Por esta razão, a Prefeitura de BH estabeleceu uma rede articulada e fortalecida de trabalho multiprofissional, inter e intrassetorial, com a participação de especialistas de vários órgãos do governo. Medidas como o fechamento dessas unidades por um determinado período e, posteriormente, a exigência da comprovação da vacinação para acesso a esses parques foram essenciais para garantir a segurança da população e para restringir o vírus ao meio silvestre, sem ocorrência da febre amarela urbana, que representaria alta letalidade ”, explica Sérgio.
 

Durante sua apresentação no seminário, Sérgio falou ainda do histórico de ocorrência da doença em todo o mundo e, especialmente, no Brasil. Em Belo Horizonte, conforme destacou o presidente da Fundação de Parques Municipais e Zoobotância de BH, a circulação do vírus foi identificada nas regiões Venda Nova, Oeste, Norte, Centro-Sul e Barreiro.