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Silhueta em contraluz de uma pessoa com dreadlocks a gesticular num palco iluminado com luz azul forte, num evento com um painel colorido de grafitti ao fundo onde se lê "Semana Hip Hop"
Ricardo Laf

Cultura de BH tem programação em todas as regionais no Mês da Consciência Negra

criado em - atualizado em

Os equipamentos da Fundação Municipal de Cultura (FMC) recebem, ao longo de novembro, uma programação especial pelo Mês da Consciência Negra. São dezenas de atividades gratuitas que valorizam a história, a memória e a produção cultural da população negra, entre sessões de cinema, palestras, oficinas, exposições, mostras literárias e apresentações musicais. A programação reúne iniciativas dos centros culturais, museus, teatros, bibliotecas e outros espaços culturais da cidade, além de ações do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (APCBH) e da Diretoria de Patrimônio Cultural da FMC. A agenda completa está disponível no Portal Belo Horizonte.

“A Consciência Negra na Cultura é o reconhecimento de que as raízes negras sustentam a nossa identidade, valorizando saberes e expressões afro-brasileiras que atravessam gerações. Essa programação busca evidenciar histórias e promover encontros com a memória, a ancestralidade e a produção cultural nos territórios da cidade”, afirma Bárbara Bof, presidenta da Fundação Municipal de Cultura. Ela ressalta que o compromisso com a pauta é permanente: “Ações ligadas à consciência negra integram as políticas culturais durante todo o ano, com oficinas, aulas de capoeira e atividades literárias nos equipamentos municipais, além de iniciativas de fomento como o Festival de Arte Negra (FAN BH)”.

Tradição, patrimônio e religiosidade

A programação reúne atividades sobre a história, o patrimônio afro-brasileiro e as expressões tradicionais da população negra. No dia 12 de novembro (quinta-feira), às 19h30, o Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (APCBH) promove, no auditório do Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB), a palestra “Como reparar o irreparável? Do Rosário dos Pretos à Igreja das Santas Pretas: Afro-Patrimônio e Memória em Belo Horizonte (1807–2018)”. Integrante do projeto “Novos Registros”, o encontro será conduzido por Mauro Luiz da Silva e abordará a presença negra na cidade antes e depois da construção da capital. A atividade é gratuita, sem inscrição prévia, e oferece certificado.

Nos dias 14 e 15 de novembro (sábado e domingo), a partir das 10h, o festejo Laços da Ancestralidade 2026 ocupa o Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira (CCLAO) e o Centro de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional (CRESAN), no Mercado Popular da Lagoinha, território ligado à história das comunidades da Pedreira Prado Lopes e do Buraco Quente. No mesmo fim de semana, o Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado (CRCP) recebe, a partir das 11h, a Feira Sacode Congo que acontece no entorno do Casarão, no dia 14, sábado, das 14h às 18h e dia 15, domingo, das 11h às 15h. No dia 28 acontece uma programação especial da Consciência Negra, com mais uma edição do “Conversa ao Pé do Fogão”, com almoço e bate-papo com moradores do Quilombo Pinhões, de Santa Luzia (MG). Na sequência, serão realizadas a Feira Multiétnica, o Sarau da Cultura Popular e apresentações musicais.

Outra atração é o “Encontro de Quilombos: Ervas, raízes e a cozinha brasileira nos Quilombos”, no Centro Cultural Vila Fátima, no dia 19 de novembro (quinta-feira), a partir das 10h. A ação integra a Mostra Arena 2026, desenvolvida em parceria com a Escola Livre de Artes da Arena da Cultura (ELA Arena). Com foco na culinária quilombola e sua conexão com ervas e raízes medicinais, o evento degustativo busca valorizar as tradições e a ancestralidade, contando com a participação de comunidades quilombolas de Belo Horizonte e convidados especiais para promover um rico intercâmbio de saberes.

No dia 22 de novembro (domingo), às 17h30, o Centro Cultural Pampulha recebe o 58º Festejo de Nossa Senhora do Rosário do bairro Urca. Realizada pela Guarda de Congo de Nossa Senhora do Rosário, a celebração reúne guardas de Belo Horizonte e da Região Metropolitana.

A Diretoria de Patrimônio Cultural da FMC promove ainda duas atividades: em 14 de novembro, às 9h, a oficina “Sabores do Axé – Memória e Culinária Sagrada”, com Mestre Sidney de Oxóssi, no Terreiro Ilê Wopo Olojukan; e, em 21 de novembro, às 8h, uma roda de conversa sobre o Largo do Rosário, seguida de oficina de musicalidade com Geraldo Antônio da Silva, capitão da Guarda de Moçambique de Nossa Senhora do Rosário do Alto dos Pinheiros, na EMEI Timbiras. As duas atividades exigem inscrição prévia pelo Portal PBH.

Música e cultura negra nos palcos

No dia 8 de novembro (domingo), às 11h, o Teatro Francisco Nunes recebe o show “Maurício Tizumba apresenta: Tambor na Praça – Toque de Futuro”, pelo projeto “Música de Domingo”. A apresentação aproxima a cultura congadeira das novas gerações e reúne Maurício Tizumba e suas netas Iara Tonsich e Serena Tonsich. Antes do show, às 10h, haverá uma oficina de tambores.

O Espaço Cênico Yoshifumi Yagi/Teatro Raul Belém Machado recebe “Samba de Preto Velho”, show de Sérgio Pererê, no dia 19 de novembro (quinta-feira), às 20h, dentro do projeto “Quinta no Raul”. As duas apresentações integram o Circuito Municipal de Cultura, realizado em parceria com o Instituto Odeon, que promove a descentralização da programação e o fomento à produção cultural local.

Cinema negro em foco

O Cine Santa Tereza recebe o Especial “Cinema Negro”, com produções brasileiras que destacam histórias e personagens historicamente pouco representados no cinema nacional. No dia 17 de novembro (terça-feira), às 19h, será exibido “M8: Quando a morte socorre a vida”, de Jeferson De. No dia 19 de novembro (quinta-feira), também às 19h, será a vez de “No Coração do Mundo”, de Gabriel Martins e Maurílio Martins. No dia 18 de novembro (quarta-feira), às 19h, o cinema recebe uma sessão especial de lançamento do documentário “Queremos dançar o Carnaval – A história de um clube negro do Brasil”, de Gustavo Nolasco.

Os Centros Culturais Vila Fátima (CCVF) e Vila Marçola (CCVM) recebem a 9ª Mostra Cinema dos Quilombos, dedicada às pautas e aos processos de resistência das comunidades quilombolas. No CCVF, a sessão será no dia 26 de novembro (quinta-feira), às 18h. No CCVM, haverá sessões nos dias 6, 13 e 27 de novembro (sextas-feiras) e 26 de novembro (quinta-feira), das 17h às 18h30. A programação completa está disponível na página do evento.

Conceição Evaristo e a literatura negra

A programação literária reúne oficinas, exposições e encontros dedicados à produção de escritoras e escritores negros. A mineira Conceição Evaristo é destaque em duas atividades. No Centro Cultural Vila Marçola, a oficina “Conceição Evaristo e a Escrita de Contos” apresenta a obra da autora e aborda características do gênero literário. A atividade integra o projeto “Conceição Evaristo na Escrita Jovem”, da Literíssima Editora, e será realizada em 17 de novembro (terça-feira), às 9h. A biblioteca do Centro Cultural Urucuia promove a mostra “A noite não adormece nos olhos das mulheres”, inspirada no poema homônimo da escritora. A exposição reúne livros de autoras negras brasileiras e internacionais e pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.

O Centro Cultural Lindeia Regina realiza uma edição especial do Clube do Livro em 28 de novembro (sábado), às 14h30, dedicada ao romance “Estela sem Deus”, de Jefferson Tenório, vencedor do Prêmio Jabuti. A obra acompanha uma adolescente negra que sonha em ser filósofa e encontrar seu lugar no mundo. Já no Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira (CCLAO), a exposição “Presença negra na literatura” reúne livros infantojuvenis de autores negros e com temáticas afro, disponíveis no acervo da biblioteca. A mostra fica aberta até 30 de novembro, das 9h às 17h. A literatura negra também será tema de oficinas nos Centros Culturais São Bernardo, Bairro das Indústrias, Pampulha, Alto Vera Cruz, Vila Fátima e Vila Marçola, além da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte (BPIJ-BH).

Artes e expressões afro-brasileiras

Exposições, oficinas e atividades formativas apresentam diferentes linguagens artísticas e conhecimentos de matrizes africanas. No Centro Cultural São Geraldo, o Laboratório de Africanidades, da Escola Livre de Artes Arena da Cultura, promove encontros de investigação artística a partir de expressões de matrizes africanas, com atividades de dança, música, artes cênicas e visuais. Os encontros são às sextas-feiras, às 19h. O Centro Cultural Usina de Cultura recebe a exposição “Orienxadigma”, que reúne dez impressões e gravuras de Fernando Costa e dez esculturas em metal de Babilak Bah, abordando a memória afro- diaspórica em Minas Gerais. A mostra permanece aberta para visitação até 30 de novembro, durante o horário de funcionamento do equipamento. E neste sábado (7) será realizada uma palestra com Leda Maria Martins sobre a exposição.

A partir de 20 de novembro, o Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte (MIS BH) disponibiliza, em seu canal no YouTube, o vídeo piloto “Laços: Mãe Glória, Pai Geraldo e a Casa Lode Apara”, do projeto “Vozes Tradicionais: Aprofundar Raízes”. A iniciativa registra em audiovisual mestras e mestres dos saberes tradicionais da cidade e contribui para a salvaguarda do patrimônio cultural.

No Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB), a oficina “Pintura de Símbolos Adinkra” será realizada em 22 de novembro (domingo), às 10h30. Com mediação de Lara Carvalho e Nicolle Dominique, a atividade apresenta os símbolos Adinkra, da tradição Akan, por meio de um jogo da memória e de uma experiência de pintura em aquarela.

Serviço
Programação especial | Mês da Consciência Negra
Data: até 30/11
Local: Equipamentos municipais de Cultura
Atrações gratuitas
Mais informações no Portal Belo Horizonte