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Senhor idoso com camisa branca; atrás, vegetação densa.
Foto: Débora de Oliveira

Calendário agroecológico auxilia agricultores familiares

29/01/2018 | 15:33 | atualizado em 09/02/2018 | 15:56
Promover a agroecologia na cidade e o fortalecimento da agricultura urbana, reforçando a importância de manter vivos os saberes e conhecimentos seculares, adotados por povos agrícolas tradicionais ao redor do mundo não é uma tarefa fácil. Com esse objetivo a Subsecretaria de Segurança Alimentar e Nutricional está elaborando o calendário Lunar Ecológico que reúne informações sobre as fases da lua e os períodos ideais para diferentes práticas agrícolas, tais como preparo de canteiros, adubação, plantio, transplante, poda e cultivo de frutos, sementes, flores, folhas e raízes.


A utilização das informações oferecidas no calendário, também conhecido como biodinâmico, é uma solução barata e de fácil execução, que gera contribuição significativa para as produções agrícolas de pequeno e médio porte, promovendo uma cultura de cultivo sem veneno, sustentável, além do incentivo à produção local e geração de renda para famílias e pequenos produtores. 


  

Sabedoria milenar

João Portella Sobral é engenheiro florestal e técnico da Gerência de Fomento à Agricultura Familiar e Urbana, da Subsecretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional. Ele informa que o uso das informações do calendário biodinâmico reforça a qualidade da produção e diminui seus custos. “Plantar de acordo com o período ideal e mais favorável para cada espécie, respeitando os ciclos e ritmos da natureza, beneficiando a produção de alimentos mais saudáveis, com melhor desenvolvimento das plantas, maior produção e menor ataque de pragas e doenças, são alguns dos benefícios do plantio segundo as fases da lua e suas inter-relações ao longo dos dias, meses e épocas do ano”.


O engenheiro salienta que o planejamento agronômico realizado dessa forma permite o melhor desenvolvimento das plantas e obtenção dos melhores resultados de acordo com o objetivo de quem produz. “Essas informações podem beneficiar tanto agricultores urbanos de BH como qualquer pessoa que queira planejar melhor o manejo e o cuidado com as plantas, seja em um pequeno vaso de flores em casa, uma horta no quintal ou uma plantação na zona rural”, destaca. 


Virgínio José de Souza, 69, morador da ocupação Vitória – uma das três ocupações que compõem o território Izidora – é agricultor de “mão cheia”, e aprendeu com os pais os princípios da agricultura seguindo as fases e influências da lua. Em seu quintal agroecológico, sempre realiza os plantios e tratos culturais como podas e colheitas, segundo essa prática. Os resultados são visíveis. “Meu pai sempre observava as fases da lua. Quando não estava na melhor época, ele não deixava plantar; esperava alguns dias. E foi passando de geração em geração. Graças a esses ensinamentos, as coisas que eu cultivo aqui crescem bonitas, saudáveis, e não dão bicho”, relata. 


João ressalta que, cada vez mais, esse tipo de conhecimento vem sendo abandonado pelas novas gerações, em detrimento de tecnologias caras, agressivas e que nem sempre são eficientes. “Esta é a grande importância de projetos como este, que buscam resgatar, valorizar e fortalecer a sabedoria popular para consolidar a agricultura urbana, a agroecologia e a produção de alimentos saudáveis”, finaliza.

 

 

29/01/2018. Calendário Agroecológico. Fotos: Debora de oliveira/PBH