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Mandacaru em flor. Dois pássaros, um azul e um verde, estão pousados na planta.
Foto: Suziane Fonseca

BH em Pauta: O Jardim de plantas suculentas

02/06/2017 | 17:33 | atualizado em 01/09/2017 | 15:55

Construído em uma área de 2.100 metros quadrados, o jardim de plantas suculentas do Jardim Botânico da Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte tem cerca de 120 espécies de plantas, do Brasil e de vários outros países, que se destacam não só pela beleza, mas também pelas propriedades medicinais, cosméticas e alimentícias. 

Na nomenclatura botânica, o grande grupo de plantas suculentas é subdividido em vários subgrupos, as chamadas “famílias”. Nelas, as plantas são relacionadas de acordo com características específicas. Uma das famílias mais conhecidas é a Cactaceae, que, como o próprio nome sugere, é a denominação científica do subgrupo dos cactos. No jardim da FZB, existem 24 espécies de cactáceas que ao longo do ano mostram o colorido de suas pétalas em diversas ocasiões. Algumas delas são mais conhecidas, popularmente, como a babosa, o mandacaru, o ora-pro-nobis, as palmas, a espada-de-são-jorge e o bálsamo. Ou ainda a onze-horas, a cadeira-de-sogra, o cacto-porco-espinho e a orelha-de-elefante. 


02/06/2017. Jardim de plantas suculentas. Fotos: Suziane Fonseca/FZB-BH



De acordo com a bióloga do Jardim Botânico da FZB-BH, Inês Ribeiro, a principal característica das plantas suculentas é ter estratégias para resistir a ambientes hostis. Conhecidas pela capacidade de armazenar água na raiz, no caule ou folhas, essas plantas resistem a situações adversas, como as de altas temperaturas, baixa umidade e intensa insolação. Responsável pela curadoria da Coleção de Plantas Suculentas da Fundação, Inês explica que a maioria delas sobrevive dias, e até semanas, sem água.

“Por sua beleza, durabilidade, fácil propagação e cultivo, as plantas suculentas são bastante procuradas, especialmente para a decoração de ambientes em espaços reduzidos”, afirma.
 


Coleta predatória



O jardineiro da seção de botânica aplicada Carlos Alberto Ferreira informa que atualmente a coleção de plantas vivas do Jardim Botânico possui cerca de 150 espécies que servem como matriz para a possível reposição de exemplares na Área de Visitação. “Além de possibilitar a reposição, essas espécies são destinadas a importantes pesquisas científicas. É preciso considerar que depois das orquídeas, as suculentas são as mais colecionadas”, destaca. 


Assim como ocorre com vários outros grupos de plantas, as suculentas também sofrem com a coleta predatória e a destruição dos ambientes de origem delas. Isso faz com que a pressão pela preservação dessas espécies aumente a cada dia. Daí também a importância de as coleções botânicas do JB continuarem a ser ampliadas e melhoradas por meio de parcerias com instituições públicas e privadas.
 


Curiosidades

Quem nunca se rendeu às delícias de um frango ou de uma costelinha com ora-pro-nobis? Para quem não sabe, o ora-pro-nobis é um tipo de cacto que possui alto teor de proteínas. 

A babosa, por sua vez, é uma das plantas medicinais de uso tradicional mais antigo que se conhece. Ela é um excelente cicatrizante para pele e é muito utilizada, até hoje, no tratamento da queda de cabelo e no combate a doenças do couro cabeludo.

O mandacaru é outra espécie que pode ser consumida em pedaços e em sucos, conforme a tradição em alguns lugares do interior de Minas, além de ser uma “iguaria” para aves que não resistem ao colorido e saboroso fruto. Já as palmas têm grande importância para os povos de regiões áridas, pois são fonte de alimento para o gado na época da seca. 

É claro que todos esses usos exigem uma boa dose de cuidado, pois muitas plantas suculentas podem ser tóxicas. O fato é que todas elas são atraentes, seja por sua exuberância durante o período de floração (como é o caso da bela flor do mandacaru que só abre à noite), seja por apresentar características curiosas (como enormes espinhos ou formatos inusitados).

Há também algumas “propriedades” místicas e folclóricas relacionadas a algumas espécies, como à espada-de-são-joão (utilizada para a proteção contra “mau-olhado”) ou mesmo ao mandacaru (cuja floração tem o poder de anunciar a chuva no sertão).

 

Confira o mapa da Fundação e aproveite para conhecer outros espaços:

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