Pular para o conteúdo principal

Grupo de mulheres que compõem o grupamento da Guarda Municipal de Belo Horizonte em posição de sentido em espaço aberto durante o dia
Foto: Divulgação/PBH

BH em Pauta: Mulheres atuam na Guarda Municipal

25/09/2017 | 16:17 | atualizado em 21/03/2018 | 14:25

Elas estão em equipes de patrulha, comandam viaturas, são instrumentistas, ministram cursos de armamento e tiro e, em alguns casos, comandam o policiamento de regionais inteiras da cidade. Na Guarda Municipal de Belo Horizonte (GMBH), as agentes do grupamento feminino trabalham em todas as áreas da corporação.
 

A conquista de espaço em organizações policiais pelas mulheres no país começou na década de 1950. A primeira instituição policial a criar vagas para o público feminino na Brasil a foi a Guarda Civil Estadual de São Paulo, em 1955. À época, o então governador Jânio Quadros criou o Corpo Especial de Policiamento Feminino, que atuava em ocorrências com grupos vulneráveis, como idosos e crianças.
 

Na GMBH, órgão de segurança da Prefeitura de Belo Horizonte, a presença de agentes do sexo feminino ocorre desde o ano do primeiro concurso público da instituição, em 2006. A corporação conta hoje com um efetivo de 71 mulheres e quase dois mil homens. A expectativa é de que o número de guardas mulheres aumente nos próximos concursos, dentro da tendência mundial de participação feminina crescente nos espaços antes ocupados somente por homens.
 

Primeira mulher a ingressar na instituição, Cristina Graça Silva, que ocupa o atualmente o cargo de subinspetora, superou milhares de candidatos para alcançar a vaga na Guarda Municipal. No edital do concurso de 2006, a regra era a mesma para homens e mulheres. Não existia percentual de vagas definido para o público feminino e os exames físicos eram iguais para ambos os gêneros.
 

Ao concorrer de igual para igual com homens, Cristina se superou e conseguiu uma vaga. “Após a aprovação, já de início ainda tive que vencer muitas barreiras. Confesso que durante o curso de formação quase desisti, mas tive apoio dos meus familiares e venci”, relembra.
 

Cristina encarou outro desafio no ano de 2007, quando, após ser aprovada em concurso interno, passou a comandar grupamentos. “Alguns ficaram resistentes, mas, ao longo do tempo, essa resistência foi sendo quebrada à medida que foram conhecendo meu trabalho”, explica. 
 

Após o primeiro concurso, o processo de seleção da Guarda Municipal foi reformulado e passou a seguir as diretrizes da Lei Municipal 9.319/ 2007, que garante um percentual de vagas para mulheres, como acontece em outras organizações de caráter policial. 

 

Banda da Guarda Municipal 

Já integradas à Banda de Música da GMBH, as guardas flautistas Sabrina Souza e Cássia Benfica encontraram um ambiente receptivo, mas predominantemente masculino. Para essa empreitada, elas criaram uma rotina rígida e, em pouco tempo, já conheceram boa parte do repertório do grupo. 
 

Segundo o subinspetor José Roberto Meira, coordenador do grupo, sempre houve um questionamento sobre a falta de mulheres na Banda, situação que o deixava incomodado. “Após algumas sondagens, descobrimos em nossa tropa algumas agentes que tinham conhecimento técnico em música e logo as convidei para integrar o grupo. Percebi que, com a presença delas, houve uma quebra da postura rígida e masculinizada no ambiente, que se tornou mais leve e descontraído”, diz. 
 

Atuar na segurança pública era um sonho para a agente Cássia Benfica. Ela ingressou na instituição em 2011 e, mesmo aprovada em um concurso da Polícia Militar, preferiu a carreira na Guarda Municipal. “Ao entrar na Guarda realizei o desejo de atuar na segurança e notei que a corporação, mesmo com um efetivo pequeno de mulheres, oferece oportunidades em diversas áreas. Na Banda de Música, fiquei surpresa também com a receptividade do público”, comenta.