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BH em Pauta: Guardiões do riso

21/06/2017 | 14:34 | atualizado em 21/03/2018 | 14:44

Despertado pela presença de voluntários que chegam de surpresa ao hospital, com jaleco branco e nariz de palhaço, o sorriso de pacientes de todas as idades, sobretudo crianças e idosos, por si só, já faz todo o esforço valer a pena. Esta é a sensação relatada pelos Guardiões do Riso, grupo criado pelo guarda municipal Marcelo Carlos de Jesus.


O time reúne outros cinco agentes da Guarda Municipal de Belo Horizonte, além de cerca de 40 amigos, para cumprir a tarefa de visitar cinco hospitais da capital, quebrando a rotina do ambiente hospitalar e levando um pouco de alegria e descontração aos doentes, com música, brincadeiras e até pequenos shows de mágica.
 

Para os pacientes e parentes, os Guardiões do Riso são considerados como uma parte do tratamento, uma espécie de remédio para a alma, capaz de fazer a dor sumir por alguns minutos e até dar lugar a gargalhadas, que contrastam com o silêncio ou os lamentos, comuns entre as pessoas que enfrentam doenças e dores de ferimentos diversos.
 

“Meu filho está internado aqui há três dias, devido a uma crise de asma. Esse grupo alegra demais as crianças. Veja como ele está sorrindo agora!”, declarou a operadora de caixa Jéssica Cristina Cândida, enquanto observava a euforia do filho Diego Edrick Silva, de 4 anos, no Hospital da Criança ABC (Associação Beneficente da Criança), no Barroca, ao ser surpreendido pela chegada da trupe.

 

Cores e festa

 

21/06/2017. Guardiões do Riso no Hospital da Criança-ABC. Fotos: Adão de Souza/PBH

 

A figura dos palhaços Doutor Pirulito, Doutora Formiga, Doutora Purpurina, entre outros personagens com maquiagens fortes, além dos fantoches e dos instrumentos musicais, tiveram o poder de transformar o ambiente hospitalar em uma verdadeira festa para as crianças presentes à enfermaria, onde o tour da trupe se iniciou naquela tarde de sexta-feira, no Hospital da Criança ABC.
 

As primeiras aparições dos Guardiões do Riso aconteceram ainda em 2008, fruto do desejo do fundador Marcelo de criar um grupo que percorresse hospitais para levar um pouco de alegria àquele ambiente que, por natureza, tem um ar melancólico. “Vivi a triste experiência de ter que ficar 19 dias internado, em decorrência de uma apendicite supurada que teve complicações, quando tinha 11 anos. Quase perdi a vida, mas me lembro claramente do dia que um primo foi me visitar e levou um violão. O clima mudou totalmente e me senti tão bem que decidi fazer o mesmo por outras pessoas”, conta.
 

Ainda em 2008, o grupo chegou a ter a participação de oito guardas municipais e fez visitas em um hospital de Contagem. Dificuldades de horário e de deslocamento, entre outras, porém, fizeram com que as atividades fossem interrompidas. A retomada ocorreu em 2012 e, desde então, não parou mais. “Para voltar à ativa, criei uma dupla com um colega da Guarda Municipal e adotamos o uso do jaleco branco, com nariz de palhaço. Outros agentes pediram para fazer parte e, por fim, hoje temos ainda cerca de 40 voluntários que não são guardas, mas nos ajudam a fazer um revezamento nas visitas”, relata Marcelo.

 

Agenda movimentada

Hoje aos 36 anos, o fundador dos Guardiões do Riso conta que viveu a emoção de rever no Hospital da Criança ABC, onde esteve internado quando pré-adolescente, a enfermeira Maria das Graças Barbosa, funcionária do local há 47 anos e que cuidou dele na ocasião. A emoção, segundo ele, tomou conta dos dois. “Hoje tenho a alegria de revê-la sempre que visitamos o hospital, e de fazer pelas crianças internadas o mesmo que o meu primo fez por mim, há 25 anos, com um violão.”


Brincadeiras, histórias, truques de mágica e o som de uma flauta, de um pandeiro e de um violão, além dos fantoches Joãozinho e Maria, são as atrações oferecidas aos pacientes e parentes. A agenda dos Guardiões do Riso é concorrida. As visitas aos pacientes do Hospital Belo Horizonte, no bairro Cachoeirinha, sempre ocorrem às terças-feiras, em semanas alternadas.
 

As quartas-feiras são intercaladas entre o Hospital Evangélico, na Serra, e o Hospital Paulo de Tarso, no bairro São Francisco. A presença no Hospital da Criança ABC ocorre todas as sextas e em três domingos por mês. Todos os sábados eles comparecem ao Hospital Nossa Senhora Aparecida, no bairro São Paulo. No Hospital Infantil João Paulo II, do centro, eles comparecem uma vez por mês.
 

O contato com os Guardiões do Riso pode ser feito via Coordenadoria de Projetos Especiais da Guarda Municipal de Belo Horizonte, pelo telefone 3277-4473.