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Uma senhora e uma mulher fazem bordados coloridos sentadas em poltronas.
Foto: Arquivo/PBH

BH em Pauta: Encontro de Bordadeiras em centro cultural

29/08/2017 | 14:49 | atualizado em 30/08/2017 | 12:29

A arte de bordar como instrumento para resgatar a memória afetiva e propor integração e diálogo de grupos artísticos tradicionais. Esse é o objetivo central do projeto Encontro de Bordadeiras, realizado no Centro Cultural Salgado Filho, na região Oeste de Belo Horizonte.
 

O Grupo de Bordadeiras do Centro Cultural Salgado Filho, equipamento mantido pela Prefeitura, por meio da Fundação Municipal de Cultura, surgiu em 2014, fruto de um desejo da comunidade que participava dos encontros dentro do projeto “Memória e Patrimônio Cultural”, e de uma parceria do SESC com o Centro.
 

Segundo Sílvia Rejane, técnica de patrimônio cultural e coordenadora do Grupo de Bordado do CCSF, desde então as pessoas que aprenderam a bordar com a equipe do SESC – ou que já sabiam mesmo antes do curso – tornaram-se agentes multiplicadores da arte de bordar e montaram um grupo que passou a ser conhecido como o Grupo de Bordadeiras do CCSF. “Elas se reúnem de forma voluntária todas as segundas para dar o curso de bordado livre de forma gratuita para a comunidade.”
 

Já foram realizadas mais de uma centena de edições, entre encontros e oficinas que se alternam semanalmente, ou seja, cada atividade ocorre a cada 15 dias. Atualmente, o grupo é composto por 15 professores e 25 alunos. “Aprende-se a partir das peças mais corriqueiras e utilitárias, como paninhos de decoração. Com seu desenvolvimento, passa-se a peças mais elaboradas e de caráter mais artístico, como grandes colchas e estandartes.”
 

O projeto Encontro com Bordadeiras já conquistou espaço importante e realizou várias ações com resultado. Como as exposições “Cora Coralina: entre Linhas e Agulhas”, em cartaz no Centro Cultural Salgado Filho, e “Memórias Bordadas: O Centro Cultural Salgado Filho através do olhar de suas bordadeiras”, expostas no Centro Cultural Lindeia Regina. Além disso, já carimbou o ‘passaporte’ para várias cidades, como os miniestandartes bordados para presentear 40 prefeitos mineiros, no lançamento da etapa do projeto que lançou o sinal de TV digital em 40 cidades do interior.
 

A comunidade não só participa como abraça o projeto com muito carinho. “O Grupo de Bordadeiras é a principal atividade realizada no local e conta com a comunidade como agente principal. É o xodó do Centro”, admite Silvia Rejane.

 

 

Aprovação

 

Maria de Fátima Perdigão, de 60 anos, moradora do bairro Salgado Filho, é professora do projeto. “Bordar é uma coisa que me dá prazer e para mim, não tem preço! Eu não vendo. Gosto mesmo é de ficar para mim e de presentear as pessoas. O Grupo de Bordado é uma coisa sagrada para mim, pois lá eu fiz muitas amigas. Apesar de saber que as pessoas não valorizam o bordado e que não dá dinheiro vender o bordado, o principal mesmo é o trabalho voluntário que desenvolvemos lá.”
 

Jandira Balbina, 76, também moradora do bairro Salgado Filho, é uma das ministrantes da oficina. Ela também ressalta a importância do projeto. “O bordado significa muito para mim! É o meu companheiro, pois eu moro só, e é com ele que eu me distraio e divido os meus problemas. As minhas peças eu vendo baratinho para inteirar o meu dinheiro e pagar as minhas contas. O Grupo de Bordado é minha família e minha vida. Não sei o que faria sem o grupo e sem o Centro Cultural. Depois que minha mãe morreu, há cinco anos, eu encontrei amparo foi no grupo.”
 

Sandra Esteves, 69, moradora do Betânia, é outra participante. “Eu entrei no grupo quando fiquei viúva, foi a minha amiga Graça que me convidou. Eu gosto de ensinar principalmente para as pessoas que se mostram interessadas, apesar de saber que tem pessoas que vão mais por terapia, fazem as coisas e nem prestam atenção, pois têm mais dificuldade de bordar. Mas mesmo assim elas se esforçam. Tem pontos que ficam mais bonitos em determinado risco, como os pontos sobrinha e o repolego, o atrás ou o correntinha.”
 

Silvia Rejane não esconde o orgulho e a admiração pelo projeto. “Eu quero que este grupo de bordadeiras, com suas linhas, agulhas e tecidos, plante por todos os locais desta cidade a semente da arte de bordar e faça florescer o belo e todos os bons sentimentos que são capazes de produzir, colhê-los e plantá-los de novo, para mostrar para todos que a arte e a cultura, independentemente de serem tradicionais ou contemporâneas, são capazes de transformar o ser humano e fazê-lo melhor.”
 

O projeto Encontro de Bordadeiras é gratuito e aberto a todos os interessados. Para participar, basta entrar em contato com Silvia Rejane, pelo e-mail ccsf.fmc@pbh.gov.br ou pelo tel. 3277-9625.
 

Você pode aproveitar para conhecer o Grupo de Bordadeiras, na quarta, dia 30, e na quinta, dia 31, nas atividades do Mês da Memória e do Patrimônio no Centro Cultural Salgado Filho.

 

Serviço

O Centro Cultural Salgado Filho fica à rua Nova Ponte, 222, Salgado Filho. Telefone: 3277-9625 / E-mail: ccsf.fmc@pbh.gov.br

Funcionamento: de segunda a sexta, das 8h às 19h.

Biblioteca: de segunda a sexta, das 9h às 18h; tel.: 3277-9624.

Ônibus: SC22, 1404A/B/C, 2033, 2034, 4205, 9211, 9214, 3054.

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29/08/2017. Encontro de Bordadeiras. Fotos: Arquivo/PBH