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Mestre sala e porta bandeira do Bloco Reciclado com adereços azuis de material reciclado. Ao fundo, outros integrantes do bloxo, com instrumentos musicais e uniforme laranja da SLU.
Foto: Marcelo Santos

Artista plástico produz adereços com material reciclável

16/02/2018 | 14:47 | atualizado em 19/02/2018 | 11:41

A qualidade de vida da população tende a melhorar se o acúmulo de lixo der lugar ao consumo consciente. Para dar um refresco ao meio ambiente é necessário desperdiçar menos, uma boa dica é transformar os resíduos em arte. Estas são as bandeiras levantadas pelo artista plástico Leo Piló, parceiro da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), que depois de se apaixonar pelo assunto e pelas questões ligadas ao meio ambiente, decidiu unir seu talento e trabalho em prol de uma causa maior: a consciência ambiental e ecológica.

 

Natural de Belo Horizonte, Piló se interessou muito cedo pela arte. Aos seis anos, participou de um concurso de desenho, em que ficou em segundo lugar. O interesse pela reciclagem veio mais tarde, quando passou por dificuldades financeiras. Ao adquirir uma casa, o artista precisou de uma quantia extra de dinheiro para comprar os móveis. Então, teve a ideia de reformar a mobília utilizando materiais recicláveis. “A partir daí, as pessoas começaram a se interessar pelo que viam e a encomendar meus trabalhos”, lembra.

 

O artista sempre surpreendeu com trabalhos inusitados, usando e abusando de matérias-primas pouco convencionais, mas sempre levando em conta os 3 Rs: Reduzir, Reciclar e Reutilizar. “Procuro estabelecer um elo entre a arte e a natureza. Reutilizando resíduos urbanos, consigo gerar novas possibilidades e inseri-las nos trabalhos culturais, de arte educação, alcançando vários benefícios, entre eles a geração de renda”, explica.

 

Um dos grandes destaques de sua carreira foi a exposição Lixoarte, que tinha como objetivo criar, com materiais recicláveis, móveis e objetos para mobiliar uma casa. A mostra foi apresentada no Palácio das Artes, em 2000. Durante quase 15 anos, o artista trabalhou na Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Asmare) e ministrou várias oficinas: cenografia, costura, papelaria e marcenaria. Ele também faz parceria com projetos de escolas públicas, em que a ideia é sensibilizar os alunos a respeito da coleta seletiva.  “Sempre estive alinhado a políticas de incentivo. Reciclar dentro de novas propostas é o pico da transformação artística. Torço para que a ideia de reaproveitamento seja sempre reforçada”, afirma.

 

Parceria com a SLU

O primeiro contato do artista com a SLU foi há quase 20 anos. Em agosto de 1999 foi convidado para ajudar o maquiador que trabalhou na preparação do cabelo e maquiagem dos modelos do Gari Fashion, no Museu Abílio Barreto. A partir de então a parceria se tornou sólida e Piló emprestava todo o material para as exposições da SLU. Em 2012 toda a Montagem do Cenário do Gari Fashion foi feita pelo próprio artista e com materiais reciclados.

 

Piló, com toda a sua experiência e parceria com a SLU, entende das facilidades e dificuldades da reciclagem e faz um apelo para que a população pare de consumir garrafas de vidro, pois o reaproveitamento é muito mais complicado e caro. “Creio que tudo o que acontecia antes era um ensaio para o que acontece agora, há uma espontaneidade da população que está mais ligada nas questões de sustentabilidade, porém ainda faltam algumas coisas, como por exemplo, diminuir o consumo na tal da long neck. O vidro tem um processo de reciclagem difícil, caro e demorado. Aconselho o consumo de bebidas que estão nas latas de alumínio, pois é mais fácil de transformar em novos objetos e o meio ambiente agradece” relata.

 

Carnaval sustentável

O Carnaval de Belo Horizonte vem crescendo bastante e a SLU mostra a importância de crescer também a consciência da população em relação aos resíduos descartados durante a folia. Leo Piló, que foi carnavalesco da escola de samba Cidade Jardim e uma referência no cenário nacional pelo trabalho com reciclagem e reaproveitamento de materiais, foi o convidado da segunda edição do Bloco Reciclado, no último dia 8. O artista garantiu aos foliões uma aula de sustentabilidade. “Gosto de estar emparelhado com quem faz ações deste tipo. O carnaval está treinando novas propostas, é uma motivação para que as pessoas pensem na folia reciclável e sustentável, só é necessário o reconhecimento da população de que a festa continua linda e ganha em sustentabilidade, com a reciclagem”, conta.

 

Todos os instrumentos, fantasias e alegorias do bloco foram feitos por Piló com materiais reciclados. A foliã Ariany Lira aproveitou o momento para levar a filha Sundari, de 7 anos, para aprender mais sobre o tema. “O carnaval sustentável serve para trazer consciência ecológica para a população, seria interessante demais se todos abraçassem essa ideia. O meio ambiente agradece” avalia. “Passo a ideia de sustentabilidade para a minha filha desde cedo, quando novinha ela inventava vestidos com sacolas usadas e, ontem mesmo, fez uma casinha de boneca com caixa de papelão e materiais usados”, conclui.
 
 

16/02/2018. Bloco reciclado SLU. Fotos: Divulgação/SLU