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Cerca de nove mulheres fazem bordados em torno de uma mesa grande.
Foto: Nathalie Carvalho

Centro Cultural Urucuia oferece oficina de bordado

12/03/2018 | 16:28 | atualizado em 02/04/2018 | 09:10
O Centro Cultural Urucuia (CCU) está localizado no sopé da Serra do José Vieira, a Serra do “Rola Moça”, o que lhe confere uma notável ambientação paisagística. Com a finalidade de difundir, fomentar e fortalecer as manifestações e identidades culturais locais, o espaço acolhe propostas da comunidade, tais como aulas de capoeira, tae-kwon-do, dança de rua, hip-hop e liang gong. Lá também são realizadas apresentações artísticas e oficinas de trabalhos manuais como a oficina “Tecendo Vidas, Bordando sonhos...”


A oficina “Tecendo Vidas, Bordando sonhos...” foi idealizada pela bordadeira Elisabeth Cândido, 68 anos, quando ela se deu conta do interesse e da necessidade das mulheres em aprender a arte do bordado antigo. A artesã, que borda desde os 8 anos, aprendeu a arte com sua mãe, e, após um hiato de 40 anos, voltou a bordar a partir de 2006 e não parou mais.


Segundo Elisabeth Cândido, a oficina consiste no resgate do bordado antigo com todas as suas características e delicadeza. “Ela nos mostra a ligação artística com nossos antepassados e tem como objetivo guardar a memória, o arquivo de gerações para gerações como elo de comunicação”, explica a bordadeira.


A oficina é uma atividade contínua no Centro Cultural e acontece todas as quintas, das 14h às 17h. São cerca de 15 participantes assíduas.
 


A arte do bordado

Elisabeth Cândido afirma seu amor pelo bordado e manifesta seu desejo de permanecer ensinando para todas as pessoas que quiserem aprender tudo o que sabe. “Quero que o bordado seja uma matéria, talvez no curso de Moda ou de Belas Artes, para ajudar as pessoas e perpetuar essa comunicação entre as gerações com suas histórias, arquivo, delicadeza, leveza, fonte de renda e, principalmente, as heranças dos nossos antepassados."


Rita Alves Francisco, 68 anos, aposentada e artesã, é uma das participantes.  “É algo que estou aprendendo, passo a passo. Fico feliz por poder fazer amizades. O bordado é uma fonte de renda para quem expõe em feiras ou vende em casa. Bordo por prazer, para aprender mais e recordar o tempo de meus avós, da minha mãe, e de quando eu tinha 12 anos. Na região em que cresci, os pontos predominantes eram o ponto cruz, vagonite e renda”, recorda.


Regina Célia Pinheiro do Couto, 55 anos, artesã, é outra entusiasta do grupo. “Gosto muito do bordado porque me leva ao tempo em que era criança. Naquela época, para esperar nosso pai chegar do trabalho, minha mãe nos dava banho para ficarmos limpinhos e nos ensinava a bordar e a fazer fuxico. Isso tudo na porta de casa, junto com outras vizinhas, que eram nossas amigas”, conta Regina.  



Resgate de memória e continuidade

Segundo a gerente do Centro Cultural Urucuia, Nathalie Carvalho, a oficina apresentada pelo grupo “Bordando Vidas, tecendo sonhos...” não só resgata essa arte antiga e delicada do bordado, como também instaura um espaço de socialização e troca de experiências e conhecimento. “Essas mulheres vêm cultivando e mantendo a tradição artesanal local que acabou se tornando um traço identitário do público do nosso centro cultural”, afirma. 


A gerente chama atenção para o fato de que o bordado é muito mais do que linhas, riscos, tecidos e agulhas. “Ao bordado está interligado uma rede imensa com elementos que nos dão um panorama da cultura local e também o resgate histórico” comenta Nathalie. 


“O bordado tece uma rede de narrativas na vida dessas mulheres, tão singulares e especiais. Percebemos sua importância simbólica para cada uma delas quando identificam no seu fazer a sua própria história, uma identificação com o trabalho realizado, com as colegas do grupo e com si mesmas. O bordado delas tece suas histórias e leembranças” ressalta. 


Nathalie Carvalho destaca a importância da atividade para o Centro Cultural Urucuia: “É extremamente rico para nós podermos estar aqui e participar desse processo tão de perto, podendo contribuir de alguma forma para que essa prática não desapareça nesse mundo tão técnico, tão tecnológico, tão pragmático e turbulento”, finaliza. 



Centro Cultural Urucuia

R. W3, 500, Urucuia. 
Telefones.: (31) 3277-1531 e 3277-1549. 
E-mail: ccu.fmc@pbh.gov.br

 

 

12/03/2018. Oficina de Bordado. Fotos: Nathalie Carvalho/PBH

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