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Duas doutoras e um paciente abraçados e sorrindo em quarto de hospital
Foto: Álvaro Miranda

Hospital do Barreiro atende pacientes com sofrimento mental

13/12/2018 | 14:42 | atualizado em 13/12/2018 | 14:45
"Não vão faltar palavras na minha boca. Tenho resposta para tudo”. A frase é de Isaac Lopes dos Santos, 33 anos, paciente internado no Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro com diagnóstico de catatonia. Desde junho de 2018, com a inauguração dos 10 leitos de saúde mental, que o Hospital recebe usuários do SUS com sofrimento mental ou com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas. Trata-se de uma iniciativa inédita na Rede SUS-BH de oferecer leitos de saúde mental em Hospital Geral.

Médica psiquiatra do Hospital Célio de Castro, Christiane Ribeiro afirma que existe uma dificuldade dos serviços de urgência em admitir pacientes psiquiátricos. “Isso porque a percepção sobre esses pacientes ainda é estigmatizada” explica. Para exemplificar, ela cita a história de uma paciente, usuária do Centro de Referência em Saúde Mental Noroeste, que foi admitida no Hospital com dor abdominal e afirmando estar grávida. Na unidade de saúde, passou por exames de imagem que detectaram uma pedra na vesícula.

Segundo Christiane Ribeiro, ao explicar a dor que a paciente sentia, o diagnóstico contribuiu para que ela saísse do delírio da gestação, que não existia. “Os leitos hospitalares de saúde mental possibilitam a investigação de outras hipóteses diagnósticas para além do diagnóstico psiquiátrico”, assegura a médica. Além disso, segundo ela, esses leitos garantem a integralidade da assistência em saúde por possibilitarem a continuidade do cuidado oferecido nos Centros de Referência em Saúde Mental. Caso de Isaac, usuário do Centro da região Leste, com diagnóstico de esquizofrenia. Esta é a segunda vez que ele é internado no Hospital Célio de Castro em razão da catatonia.

Christiane Ribeiro explica que a catatonia é uma síndrome caracterizada por alteração grave da função psicomotora e responsividade do paciente. Ou seja, nessa situação clínica, o paciente não fala, não anda, não se alimenta e fica muito negativo. Nesses casos, há a necessidade de internação em hospitais porque, como o paciente não se movimenta, aumentam as chances de tromboembolismo e de lesões musculares pelo fato de se manter sempre na mesma posição. Morador do Taquaril, região Leste de BH, Isaac está agora na expectativa da alta hospitalar. “O atendimento é ótimo. A comida é boa, chega na hora certa. Os medicamentos também. Todo mundo me trata bem”, relata. Zelita Borges dos Santos, 72 anos, concorda com o filho. “O importante na vida é isso: ser tratado bem, com dignidade, em qualquer lugar que se vá”.
 

Resultados

Para se ter uma ideia do impacto da presença da psiquiatria no Hospital Célio de Castro, desde a incorporação da especialidade na equipe assistencial, em maio, até o mês de outubro, 385 pacientes receberam atendimento especializado como resultado do pedido de consultas da equipe multiprofissional. “Eu percebo cada vez mais condutas adequadas e um olhar diferenciado, não no sentido do estigma, mas no sentido da equidade, da equipe assistencial para o paciente psiquiátrico”, avalia a Christiane Ribeiro.
    
Em julho, o Hospital Célio de Castro realizou um seminário para capacitar a equipe assistencial no cuidado aos pacientes com sofrimento mental ou com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas. Com longa trajetória dedicada à saúde mental, o médico psiquiatra Políbio de Campos, coordenador da Residência de Psiquiatria e da Residência Multiprofissional em Saúde Mental do Hospital Metropolitano Odilon Behrens, foi quem ministrou o seminário.
 

Relação com os Centros de Referência em Saúde Mental

Médico psiquiatra do Centro de Referência em Saúde Mental Leste e do Serviço de Urgência Psiquiátrica  da capital mineira,  David José Vieira afirma que a presença de leitos de saúde mental no Hospital Célio de Castro é uma iniciativa ousada e um ganho enorme para a cidade. “Eu desconheço, no Brasil, outro hospital que ofereça esse tipo de assistência ao paciente com sofrimento mental”, enfatiza.  

Segundo ele, pela formação deficitária das equipes de saúde de urgência e por medo de não saber conduzir o caso de um paciente psiquiátrico, existe muita resistência em admitir esses pacientes nos hospitais. “Geralmente, exige-se a presença de um técnico de enfermagem do Centro de Referência em Saúde Mental. Por isso, a experiência no Hospital Célio de Castro é uma vitrine que nos mostra não apenas que é possível, mas também o quanto isso significa de ganho para o paciente”, acredita.

Há dois anos, David acompanha o caso de Isaac. Segundo o psiquiatra, o fluxo entre os Centros de Referência em Saúde Mental e o Hospital tem funcionado com tranquilidade e rapidez. Ele e Christiane conversam diariamente para avaliar as necessidades do paciente e as condutas que serão adotadas. O psiquiatra ressalta a importância do diagnóstico diferencial nos casos de pacientes com sofrimento mental. “É fundamental descartar a causa psiquiátrica. E só conseguimos essa resposta com a investigação criteriosa das causas clínicas. A catatonia de Isaac é uma condição do corpo dele?, essa era a pergunta”, pondera David. 

Hoje, com a investigação feita pela equipe do Hospital Célio de Castro, já se sabe que a causa da catatonia de Isaac é psiquiátrica. Mesmo assim, ele precisa ter garantido o cuidado clínico para se manter vivo. “Como, nesse quadro, o paciente não se alimenta, não se move, é necessário, por exemplo, a ingestão de água por soro, da alimentação via sonda e do suporte médico”, resume.

Christiane Ribeiro também avalia positivamente a relação do Hospital Célio de Castro com os centros de referência. “Firmamos uma parceria no sentido de oferecer a melhor assistência ao paciente. Para nós, tem sido muito importante discutir os casos com as referências dos pacientes nos Centros de Referência em Saúde Mental, que muitas vezes têm um contato maior com a família e já acompanham os casos por anos”, afirma.
 

Acesso

O acesso dos pacientes aos leitos de saúde mental do Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro é regulado pela Coordenação Municipal de Saúde Mental, da Secretaria Municipal de Saúde de BH, dentro da lógica de referência e contrarreferência. Ou seja, através da troca de informações entre os diferentes níveis de assistência (Centro de Referência em Saúde Mental, Hospital e Centro de Saúde) permite-se a criação de um ambiente favorável à abordagem do paciente em sua integralidade.
 

13/12/2018. Especial Hospital Célio de Castro - Saúde Mental. Fotos: Divulgação/PBH

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